Numa ocasião, fomos de trem com Vovó Telina passar um dias de férias em Colatina na casa da Tia Dalva. Era viagem era uma delicia e quando chegávamosao nosso destino, tinha muitas coisas para fazer. Visitamos a Família de Tio Candido, que tinha um filho chamado Candinho que estudava para ser padre. A gente achava que não ia dar certo porque ele era muito bonito. Também íamos à casa do Tio Vitorio, irmão de Vovô Gildo. Nunca me esqueci que o trem passava quase em frente a casa da Tia Dalva, assim como não esqueci a ponte que passava em cima do Rio Doce.
Denise gostava de escutar novela no Rádio. Lembro que ela gostava de ouvir “Jerônimo” e também “O Anjo”.
Num sábado, fomos passear no morro onde tinha as torres de TV e resolvi andar de carrinho de rolimã. Não consegui vencer a velocidade da descida e cai. Machuquei o cotovelo e tenho as cicatrizes até hoje. O complicado foi chegar em casa toda esfolada e explicar o que tinha acontecido.
Ficamos muito tristes no dia que soubemos que o pai da nossa amiga Luiza Helena sofreu um acidente fatal. Ele dirigia um caminhão de combustível o qual bateu e explodiu. Ele morreu carbonizado. Não pudemos ver, pois o caixão ficou lacrado. Naquele tempo era muito complicado lidar com perdas, mesmo que estas perdas fossem das pessoas próximas a nós. A gente ficava muito impressionada, como ficamos com a morte do Seu Didico marido de D. Dulce. Eles moravam quase em frente a casa de Vovó Telina. Da janela do quarto de Mamãe, a gente avistava o corpo sendo velado na mesa da sala de visita. Passamos muitos dias tendo dificuldade para dormir.
Em nossa casa, era hábito todos os anos tomar remédios caseiros para limpar o organismo ou eliminar os vermes. Nestes dias, era terrível, pois dava enjôo de tão ruim que eram os remédios. Imagine tomar Óleo de Fígado de Bacalhau e Óleo de Rícino. Em outra ocasião era dado leite com saião. Eu tinha tanto pavor deste preparado, que até hoje detesto tomar leite.
Papai comprou para nós uma coleção de livros maravilhosa, intitulada “O Mundo da Criança”. Os livros, em vários volumes, tinham a capa vermelha com escrita dourada e era muito ilustrado.
Nós gostávamos muito de colecionar coisas. Uma época foi coleção de marcas de cigarro, outra vez eram selos, outra vez eram decalques auto adesivos, onde a gente guardava dentro de uma pasta. As duplicadas, trocávamos com as amigas por alguma que não tinha. Lembro principalmente de um da Bardahl.
Papai as vezes tinha umas idéias meio malucas. Uma vez trouxe para casa um Pingüim empalhado.
Ele tinha muitos amigos que gostavam dele. Muitas vezes algum amigo trazia do interior enormes latas cheias de banha bem branca e cremosa onde eram armazenadas carnes de porco defumadas. Para preparar um prato, bastava retirar um pedaço da banho e fritar na panela ou frigideira. Ficava deliciosa.
É muito bom saber que pessoas ligadas a nós foram ou são queridas. Tia Heny, em seu Blog , colocou uma observação sobre papai que me deixou feliz:
“Milton Simões, casado com Dulce, foi um dos cunhados mais queridos, todos gostavam dele. Era muito alegre e se dava bem demais comigo. Teve um problema de coração e também nos deixou.”
Irmã,
ResponderExcluirLembra, que passava um senhor, dentro do trem, com guarana e sanduiche de mortadela?VFovó sempre comprava. O que mais me fascinava, era que quando chegava ao destino, do trem, vinha um moço, e virava os bancos ao contrário.Eu não entendia.Depois, que descobri, que o trem retornava.
E dos maços de cigarro vazios, a gente fazia uma dobradura, e faziamos uma especie de cinto.Era a glória!!!!
Lembro bem do pinguim empalhado.Papai, trabalhava no Tubarão, e chegavam mortos, e algumas pessoas mandavam empalhar.Papai, não ia perder um chance desta.
Eu tambem, detesto leite, devido aquela batida de saião.Mas toca a vida....A gente era feliz e não sabia!!!!!
Nossa, só me lembrei de detalhes dessas viagens para Colatina agora, que vc contou, irmã! Minha memória nunca foi muito boa mesmo! Mas também, eu era pequenininha, né? Mas me lembrei do pão com mortadela que Denise citou e também dos bancos virados. Que tempo bom!!! Realmente, como éramos felizes e não sabíamos (ou não valorizávamos)!!!! Beijos.
ResponderExcluirPoxa meninas! Bem lembrado, os bancos virados e os sanduiches dentro do trem. O que são as lembranças, não? Bastou você comentarem que tudo vem à memória. Obrigada pelos comentários e o incentivo. Amo muito vocês!!!
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