terça-feira, 31 de maio de 2011

Denise – Final


Denise foi trabalhar na Vale no segundo andar e Adelino trabalhava no oitavo. A principio ele queria sair com ela mas ela não dava bola. Até que um belo dia, ele estava com alguns visitantes Japoneses e esqueceu um telefax na empresa que deveria ser passado até a meia noite daquele dia para o Japão. Ele ligou para Denise e pediu que ela levasse o documento no restaurante. Foi ai que começaram a sair. Saiam quase todos os dias para jantar fora. Viajaram para a Bahia para passar um carnaval e também foram passar uns dias em Búzios.

Quando engravidou de Manoela, quis terminar o namoro, porque não aceitava um casamento só por este fato, mas Adelino convenceu-a do contrario. Foram juntos conhecer os pais do Adelino em São Paulo, Sr. Adelino e D. Maria. A principio pretendiam morar juntos, porém D. Maria não aceitava esta situação e então resolveram casar. Marcaram para inicio de Junho. No final de Maio, eles foram encontrar amigos e tomar um chopp no Blitz bar, que ficava bem próximo a nosso apartamento na 13 de Maio. Depois de deixar Denise em casa, Adelino foi para casa na Praia da Costa, onde dividia com amigos do ITA. Na altura do Ibes, uma caçamba desgovernada passou literalmente em cima do carro dele (se não me falha a memória, era um Corcel vermelho). Ele foi socorrido e o médico que o atendeu na Santa Casa de Vila Velha, ligou para Denise para avisar e pedir que ela fosse até lá. Denise e Mamãe foram de táxi. Ele quebrou o joelho, a mão esquerda e deu 10 pontos na cabeça. O irmão dele, Manoel, veio buscá-lo e ele foi para São Paulo. Ele pediu e Denise foi junto. O casamento civil foi adiado e eles casaram no Cartório Sarlo em Vitoria no dia 21 de Junho. Ela usava um terninho azul marinho com uma camélia branca na lapela. Estava muito bonita. O casamento religioso, foi em São Paulo, no mês de Julho e a recepção foi na casa dos pais de Adelino. De Vitoria foi eu e Marco Aurélio, que fomos padrinhos e Vilminha. O vestido do casamento era lindo, comprido e esvoaçante estampado suave de amarelo queimado e marron, com uma faixa marron na cintura. Ganhou do Adelino e veio numa enorme caixa.




Depois do casamento civil, eles foram passar a Lua de Mel em Domingos Martins no Hotel Imperador. Não lembro quem foi levar (Adelino não tinha como dirigir), mas quem foi buscá-los foi Papai, Mamãe e Sr. Benedito.

No primeiro aniversario de casamento, Adelino deu de presente para Denise uma rosa e dentro das pétalas colocou uma aliança de brilhantes. Ele era romântico, heim Dê???

Compraram um apartamento no mesmo prédio onde morávamos, na Rua Sete de Setembro, Edifício Gaivota, no 15° andar. Anos depois, Adelino foi transferido para Rio e eles moraram anos na Gávea. Como o Rio era muito violento, ele achou por bem mudar com a família para Petrópolis. Ele ia pela manhã trabalhar e voltava no final da tarde. A principio, alugaram uma casa e ficaram sócios do Clube Promenade. Mais tarde compraram uma linda casa, com um terreno enorme onde tinha piscina, churrasqueira e estúdio. Moraram em Nogueiras durante 20 anos.

Tiveram 3 filhas: Manoela, nasceu em Vitoria e Paulinha e Joana no Rio. Sou madrinha da Paula e fui batizá-la no Rio junto com o Sérgio.

Com o tempo a família cresceu mais um pouco e hoje tem 2 netos: Pablo, filho da Manoela e Julia, filha da Joana. Vou postar depois as fotos dos netos.

Por enquanto, fica a foto da família reunida.



                                                                           Manoela





                                                                        Paulinha




                                                                           Joana




                                                                  A Familia Cardoso


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alguns Cartões e Fotos


         Para encerrar o quarto capítulo das historias desta minha irmã, fui contemplada por ela com alguns postais que ela enviou da Europa. Os três primeiros na Alemanha e o quarto na França.

         Este foi postado na cidade de Schalksmuhle



          
           Este em Frankfurt




           Este em Dusseldorf




         Este na França




           Estou também postando algumas fotos importantes:

           Abaixo, Vovô Simões, Mamãe e Denise pequena.



         A demonstração clara de como sempre gostei de tirar fotos. Esta é a TV que ficava no quarto de Denise e este lance, é um dos gols do Brasil na semi-final da  copa do Mundo do México onde o Brasil venceu do Uruguai por 3 x 1.



        E por último, o cordão com a medalha e a calça jeans que Denise trouxe para mim da Alemanha. Gostei tanto que ficou sendo minha roupa preferida nos finais de semana.




domingo, 29 de maio de 2011

Denise – Parte 4

Depois de moça, Denise sempre teve o quarto dela sozinha (por ser a mais velha), mas era muito bagunceira. Eu, que sempre fui muito cuidadosa com minhas coisas, meu armário era impecável, e o dela todo desarrumado. Como ela tinha roupas lindas, e volta e meia eu queria variar, ela só emprestava uma roupa com a condição de  eu arrumar seu armário. No fundo, era uma chantagista. Eu arrumava, ela emprestava a roupa e no dia seguinte ... adivinhe, estava tudo bagunçado de novo. Tinha televisão no quarto (uma TV chamada “Mascara Negra, você lembra disto, Dê?), e quando ficava em casa gostava de assistir ao programa “Um instante Maestro” com Flavio Cavalcanti e nas tardes de domingo, o programa de Silvio Santos.




                                                                  


No apartamento da Jerônimo Monteiro, Edifício Neffa, Denise continuou aprontando. Todos os finais de semana tinha festinha na FAFI (Faculdade de Filosofia), mas nem sempre podíamos ir. Estes bailes começavam em torno de 19 horas. Mas, as filhas de Milton Simões tinham que estar em casa até 23:30 hs. Parecia até historia da Cinderela (voltar antes da meia noite, senão a carruagem virava abóbora), rsrsrs. Seguíamos a risca a determinação de Papai, até porque caso não cumpríssemos o combinado, era castigo na certa. Voltávamos para casa e Papai estava esperando acordado para ver o horário. Esta é a foto da FAFI.




Numa das vezes que Papai deixou a gente ir, voltamos todos juntos, eu e Telina com os namorados, Catarina, Denise, no horário  combinado.  Eu e a Telina ainda ficamos conversando no quarto sobre o baile e Denise foi para o quarto dela. Não demorou muito, Papai levantou e foi ao quarto de Denise falar algo com ela. A luz estava apagada e ela toda enrolada no cobertor. Ele chamou, chamou e ela não respondeu. Quando ele puxou a coberta para acordá-la viu que eram travesseiros que estavam embaixo do cobertor e uma peruca em cima do travesseiro. Ela havia saído pela porta do quarto dela (que dava para o hall) e voltou para a festa. Papai ficou uma fera. Bem, para encurtar a historia, era próximo do Réveillon e já tínhamos combinado de passar no Clube Vitória. Denise ficou de castigo, Vovó Telina e Vovó Quinha ligaram para Papai para que ele liberasse ela e ele foi intransigente na decisão. Eu e Telina também desistimos de ir (com pena dela), mas ele não permitiu simplesmente porque assim o castigo seria muito fácil. Ela chorou muito, pediu, implorou, eu e Teína também, mas não teve jeito. De raiva, tomou varias doses de licor de Anis e foi dormir “de fogo”. Dê, será que contei tudo? Foi assim mesmo que aconteceu?

        Neste mesmo apartamento, quando ela queria sair para alguma festa que não estava autorizada, inventava que ia ficar trabalhando, combinava com Catarina que morava próximo, chamava o elevador, colocava a sacola com a roupa dentro e saia tranquilamente pela porta da frente com roupa de trabalho e sem chamar a atenção . Mais tarde, se arrumava na Catarina.

        Namorou algum tempo um rapaz que tinha o dobro da idade dela. Um dia, ela chegou em casa e disse para Papai que iria morar com Luiz Olavo. Foi um pé de guerra. Papai avisou, se sair para morar com ele, nunca mais vou aceitar você de volta em casa. E mesmo assim ela foi. Papai ficou sem falar com ela 1 ano. Depois, a pedido dos avós, ele reconsiderou e voltou atrás.

Trabalhou como secretaria no Banco Itaú e começou a namorar o gerente que era casado. Um belo dia, a esposa do dito cujo ligou para Papai e a confusão estava armada. Denise saiu do Banco e foi morar no Rio de Janeiro, mas precisamente no Flamengo. A Miriam resolveu ir também e elas moravam num pensionato bem simples. Ficou morando e trabalhando lá um ano.

Eu disse no inicio que sem sombra de dúvidas esta irmã foi a que mais trabalho e preocupação deu a nossos pais e pelos relatos, podem ver que não menti.

Em seguida, trabalhou na Vale do Rio Doce, no Edifício Fabio Ruschi no 2º andar, no Setor Administrativo, através de uma terceirizada, a Bertha. Preferiu conseguir o emprego por conta própria sem pedir a interferência de Papai, até porque acho que ele não arranjaria emprego para nós lá.

Foi ai que conheceu Adelino, uma pessoa muito legal com quem está casada até hoje.

sábado, 28 de maio de 2011

Denise – Parte 3

A preocupação maior era não saber falar inglês, mas diante da grande possibilidade de viajar, isto não era problema. Ir para casa de família alemã, conhecer novos lugares, viajar sozinha em companhia de amigos, era tudo que ela queria. Sempre foi assim. Arriscava tudo! A primeira providência foi tirar o passaporte. Mas não era só isto, faltavam os dólares e roupas adequadas.

         Como adorava comprar roupas na Doll Sport, uma loja caríssima que ficava na Rua Sete de setembro, foi nesta loja que comprou a roupa da viagem. Um mini vestido vermelho de piquê, com um casaco por cima preto e branco com botões e cinto vermelho, ambos de verniz, sapatos pretos e para completar o visual, um chapéu cinza. Para combinar com tudo isto, um jogo de malas também vermelhas. Estava deslumbrante!

Naquele ano, o dólar estava no mesmo valor do cruzeiro e ai ela começou a matutar como ia arranjar dinheiro para a viagem. Vovô Gildo e Papai deram dólares de presente para ela levar, porém ela queria mais. Então lembrou que havia ganhado um colar de pérolas cultivadas de presente de aniversario de 15 anos de Vovó Telina e ai não perdeu tempo, foi até a Caixa Econômica e empenhorou o colar. Lógico que depois não foi buscar e perdeu a jóia. Mas naquele momento, o que importava para ela era a viagem. Iria conhecer Portugal, Alemanha, Londres e França. Ficariam uns 20 dias viajando e hospedadas na casa de famílias pré determinadas na excursão.

Na época da viagem ela namorava um rapaz, Robertinho Galveas, e ele ofereceu uma casa na Praia das Monções, em Portugal, que pertencia ao tio dele. Denise aceitou feliz da vida, assim teriam oportunidade de conhecer mais alguma coisa sem gastar quase nada. Em Vitoria, na hora do embarque, Robertinho apareceu no Aeroporto com um lindo buque de rosas para ela, mas quando chegou ao Rio, teve que jogar na lata do lixo pois não tinha como levar flores na primeira viagem internacional que ela iria fazer.

O quarteto maravilha embarcou para o Rio na primeira semana de junho, pois Vitoria não tinha vôo internacional (como não tem até hoje, né?). No Galeão, estavam esperando Felipe e Sergio Rubens (ambos lindos e filhos de Tozinho,  primos de Elcinho).

Um fato muito engraçado que ela gravou na memória é que estavam todos no Aeroporto do Rio esperando a hora do embarque, inclusive os primos cujo pai tinha uma revenda de carne bovina ou um abatedouro.  Estavam com fome e alguém sugeriu que eles comecem um hambúrguer e a Miriam, muito séria, querendo economizar para a viagem disse: “é melhor não comer carne pois fiquei sabendo que a carne aqui vem meio estragada”. Coitada ela não sabia que os primos trabalhavam justamente com carne e ai foi aquela “saia justa” para tentar contornar a situação. Elsinho, que não valia nada, caiu na risada e comentou a bola fora da Miriam.

Embarcaram na companhia inglesa de aviação que havia doado as passagens, e tiveram a oportunidade de conhecer neste vôo os filhos do Chacrinha, Jorge e José Renato. Foi uma farra a noite inteira.

Chegaram a Paris ao cair da  tarde. Ela ficou encantada com tudo que viu da cidade luz. Achou linda, majestosa, cheia de segredos a serem desvendados. Disse que, apesar de achar o povo de lá antipático, pela cidade sentiu “amor a primeira vista”, pois nunca mais esqueceu Paris. Na Alemanha, contava que só comiam batata e chucrutes. Se não me falha a memória, foi no aeroporto de Frankfurt que estavam aguardando um vôo para Lisboa, quando ouviram anunciar a partida de um determinado vôo. Não entenderam nada, continuaram a papear e esqueceram do horário. Resumo final, perderam o vôo e tiveram muito trabalho para conversar e explicar que precisavam embarcar num próximo vôo.

Com os dólares que levou, conseguiu “sobreviver” os 20 dias e ainda trouxe presentes para todos. Lembro que ganhei a minha primeira calça jeans (numa cor azul clara) que eu adorava e um cordão com uma medalha em prata muito linda.

O passeio chegou ao final e era hora de voltar a realidade e voltar a trabalhar.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Denise - Parte 2

         Mamãe ficou doente, e esta irmã, apesar de irreverente, sempre foi muito preocupada com a família. Resolveu então fazer uma promessa sem pensar na dimensão desta atitude. Foi assim que ela pediu a Papai para matriculá-la no Colégio do Carmo (um colégio de Freiras). Ninguém entendeu nada, mas como ela insistiu muito dizendo que queria muito estudar para ser Carmelita descalça, Papai concordou. Estudou neste colégio durante 1 ano e quase reprovou por causa de uma Freira que não gostava e que se chamava Irmã Rosa. Antes de acabar o ano, já tinha a certeza que esta não era a vida que queria para ela, mas não sabia como se comportar diante da promessa que havia feito. Então resolveu conversar com Vovô Simões, que era Vicentino, e muito religioso. Ele orientou que Denise se confessasse e pedisse perdão por não cumprir a promessa. Assim ela fez. No ano seguinte, tinha voltado a estudar no Colégio Americano.

         Sempre foi uma pessoa ativa e ligada em atividades. Jogava Vôlei, participava das atividades do colégio, e dos grêmios estudantis. Tinha idéias incríveis.

        Gostava de tudo que era bom (um mal de família, rsrsrsrs). Sempre adorou namorar, e muitoooooo. Seu primeiro namorado foi com 17 anos e se chamava Alberto (um rapaz bonito de cabelos e olhos pretos). Namorou com ele durante 1 ano. Na primeira vez que ele segurou em sua mão, ficou vermelha que nem um tomate de vergonha. Apesar de adorar namorar, sempre foi muito tímida.

Também com 17 anos começou a começou a fumar ... escondido, lógico. Era moderno e chique naquela época. Morávamos ainda na Santa Clara. Ela convenceu Papai a ocupar o quarto dos fundos, assim ela podia fumar mais tranquila. Quando percebia que vinha alguém, ela espirrava na boca o perfume “Hora Intima”, assim evitava que papai desconfiasse do cheiro do cigarro. O primeiro cigarro que fumou foi Capri. Um belo dia ela fui flagrada, e Papai disse: "debaixo do meu teto, só fuma quem paga o vicio". No outro dia, Ieda convidou-a para acompanhá-la em uma entrevista de emprego no SESI. Ficava ao lado do Colégio Americano. Era para uma vaga de datilografa. Ieda fez o teste e o responsável pelo preenchimento da vaga sugeriu que Denise também tentasse fazer. Saiu-se melhor que a amiga e foi convidada a preencher a vaga de meio expediente. Nesta época fazia o último ano do Clássico. Continuou a estudar pela manhã e a tarde trabalhava na Farmácia do SESI. Depois de um mês, recebeu seu primeiro salário no valor de Cr$ 120,00. Comprou uma carteira de cigarros (Capri), chegou em casa, sentou na mesa da sala de jantar, abriu o maço e tirou um cigarro na frente de Papai. Ele olhou para ela muito bravo, e antes que ele dissesse qualquer coisa, ela se apressou em dizer que já estava trabalhando há um mês e que podia pagar vicio. Depois de tantos anos, fuma até hoje. Entendem agora porque eu disse que ela foi a filha que mais preocupação deu a nossos pais? E isto era apenas o começo. Era muito bonita ... mas sempre muito séria também.






Assim que terminou o Clássico no Colégio Americano, começou a trabalhar pela manhã no colégio Martinho Lutero, um Colégio alemão, e à tarde continuou no SESI. Quando a primeira turma deste Colégio se formou, surgiu a idéia dos alunos fazerem uma viagem à Alemanha. Minha irmã, que trabalhava na secretaria, foi convidada e aceitou. Pediu licença do SESI e convidou Bebeto (nosso primo), Elcinho (irmão de Marco Aurélio que mais tarde eu viria a namorar) e Miriam (uma grande amiga, que era professora de inglês).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Minha irmã Denise – Parte 1


       O que falar desta minha irmã? Vocês não imaginam quantas coisas a dizer, de uma pessoa que a vida inteira teve vontade própria e sempre canalizou, no bom sentido, para que conseguisse alcançar seus objetivos.

        Desde pequena demonstrava timidez. Vejam como era linda!






       Poderia dizer sem sombras de dúvidas, que foi a filha que mais preocupação deu a nossos pais. Primeiro, porque sempre quis ser independente e por outro lado tinha  um pai que não permitia ser isto possível.

        Foi a primeira em tudo. Primeira, neta, sobrinha, filha. Ela tinha apenas um ano quando Vovô Gildo foi a Europa e trouxe de presente para ela uma máquina fotográfica Kodak. Era uma maquina alta, parecia uma caixa, um pouco mais alta que larga e muito engraçada. Veja a foto, era mais ou menos assim.







Quando nasci, ela não conseguia pronunciar meu nome, “Rita de Cássia” e então me apelidou de “Cacá”, e até hoje ainda sou chamada assim por alguns tios.

        Com 7 anos fez primeira comunhão e ganhou de presente de Vovó Telina e Vovô Gildo um terço  de ouro, dentro de uma caixinha toda rendada. Eles trouxeram da Itália e o mesmo foi bento pelo Papa. Uma verdadeira jóia.

        Quando pequena, estava sempre à frente das brincadeiras. Tinha como melhor amiga a Ieda, filha de seu Eloy e D. Dora. Teve uma paixão de adolescente pelo primo desta e seu nome era  Lourenço (alias um rapaz lindo de olhos verdes).

        Na época das novelas de rádio, acompanhava duas: “Jerônimo” e “O Anjo”.

        Quando adolescente, sempre freqüentávamos os mesmos lugares e tínhamos os mesmos amigos. Estávamos sempre juntas e sempre nos demos bem.
       

Os Bailes da Vida ...

          Sem sombra de dúvida, uma época memorável em minha adolescência foram os bailes. E foram muitos! Estou me referindo a bailes e não as festinhas. Alguns bailes tinham algo de especial e mágico. Traje a rigor (vestidos longos e smokings), orquestra, glamour. Era quase estar num conto de fadas.

         Um dos primeiros bailes que eu e Denise fomos, foi em Cachoeiro do Itapemirim. Pelo que lembro, foi comemoração dos 100 anos da cidade. Ficamos hospedadas na casa de Tia Cecília e sua filha Betinha, primas de Papai. O baile foi maravilhoso, no melhor clube da cidade. A atração principal, não poderia ser outra: Um show com Roberto Carlos ao vivo e a cores. Denise trajava um lindo vestido longo azul claro e eu estava de rosa. Foi nesta festa que minha irmã conheceu Edinho.

         Depois deste baile, sempre que era possível, íamos a todos que éramos convidadas. Alguns, consigo me lembrar facilmente, como o baile de formatura da turma de medicina no Sírio Libanês, onde meu vestido era longo, tipo princesa em tons suaves de rosa e azul, um outro no Praia Tênis Clube onde meu vestido era Verde. Além destes, os diversos bailes do Clube Saldanha da Gama, Álvares Cabral e os do Clube Vitória que íamos com Tia Arlete e Tio Américo.

         Os bailes e as festinhas do Saldanha da Gama eram diferentes por dois motivos: o primeiro, uma enorme varanda em frente ao Salão, onde além de termos uma vista muito bonita para a baia de Vitoria, tínhamos também a oportunidade de se refrescar com a brisa e conversar com o par que interessava, e a outra, era a parte superior, de onde podia-se observar as pessoas dançando e procurar onde estavam as “paqueras”. Catarina e Vilma eram companhias constantes nas festas. Foi numa festa neste Clube que conheci Ciro, um rapaz lindo que morava em Viçosa. Ele lembrava o ator Cary Grant, não sei se vocês vão lembrar mas a Catarina lembrará dele com certeza.









Outro fato inesquecível, eram os bailes com o conjunto Helio Mendes. Simplesmente maravilhoso!

        





         Tinha também os bailes de carnaval, onde reencontrávamos amigos que moravam no Rio e vinham passar as férias em Vitória. Carnaval era sinônimo de lança perfume e fantasias que variavam a cada ano, havaianas, piratas, espanhola, tiroleza, japonesa, índia, etc... As vezes Mamãe não  se animava a ir, mas Papai nos levava. Quando começamos a namorar, as coisas ficaram mais difíceis porque sempre rolava ciúme e lógico, muitas vezes em briguinha boba.



Tia Regina e Mamãe bordavam os vestidos para os bailes e como sempre, estávamos impecáveis. Hoje me pergunto como Papai dava conta de tudo sozinho. Colégio particular, roupas, sapatos, bolsas, para 3 filhas e esposa. Nunca nos faltou nada!

         Quando tinha baile, passávamos o dia todo nos preparativos. Arrumávamos o cabelo (fazendo touca ou passando a ferro para eles ficarem bem lisos), pintávamos as unhas e uma maquiava a outra. No outro dia, o assunto era com quem dançou, se o rapaz era legal, se tinha bom papo, e se tivesse algum interesse, quem sabe o encontraria novamente na próxima festa.

         Naquela ocasião, dançava-se junto, dificilmente separado, o que tornava o clima ainda mais mágico.

         As músicas, transportavam você para outro mundo. Algumas delas marcaram para sempre e até hoje, ao escutá-las, volto ao passado e não posso deixar de lembrar como era bom. Moonlight Serenade, Only You, Can’t Take My Eyes off You, Feelings, Close to You, Mandy, Red Roses for a Blue Lady, Aquellos Ojos Verdes, Volare, Days of Wine and Roses, As Time Goes By, Fly me to the Moon, Moon River  e muitas e muitas outras. Escolhi apenas uma para relembrar aquela época. Volte ao passado, entre neste baile e curta esta época que foi inesquecível.



domingo, 22 de maio de 2011

Uma parada para Santa Rita de Cássia

Hoje, parei por um instante com minhas reminiscências e dediquei esta postagem a minha Santa protetora “Santa Rita de Cássia”.

         Muitas e muitas vezes, tenho recorrido a Ela, nas minhas horas de aflição e tristeza, assim como também recorro a Ela para agradecer cada dia de minha vida.

         Santa Rita tem sido meu refugio e minha proteção. Está comigo 24 horas por dia, seja na imagem que tenho na cabeceira da minha cama, seja na oração que tenho na gaveta do meu trabalho ou no cordão com sua imagem que carrego comigo dia e noite.

         À Senhora, Santa Rita de Cássia, dedico este dia, agradecendo tudo aquilo que tenho alcançado. Espero tê-la sempre ao meu lado e ao lado daqueles que amo.

         Peço minha Santa Rita, me proteja das maldades, das invejas, do egoísmo, da traição, dos que desejam o mal. Faça-me ser justa com as pessoas e que eu procure sempre fazer o bem, mesmo àqueles que me tratarem com indiferença.

         Para aqueles que ainda não a conhecem, publico a sua oração.

         Obrigada Santa Rita de Cássia!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fase II - Av. Jerônimo Monteiro – Ed. Neffa


Este era o Prédio onde morávamos na Jerônimo Monteiro.



As casas desta avenida, apesar de serem conhecidas como “casa”, eram mais “sobrados”. A porta de entrada dava direto na calçada. Ao abrir a porta, tinha um patamar, e logo a seguir uma escadaria levava à casa propriamente dita. Um sobrado era colado ao outro, como pode-se notar no lado direito da foto abaixo.


Era numa destas “casas” que nossa prima Catarina Simões morava. Ficava na mesma calçada, distante do nosso prédio apenas uns 6 sobrados. A família dela era grande. Seus pais, Aroldo e Jacira, e seus irmãos Pedrinho, Ângela, Rosangela, Jaciara e Haroldo. Além de primas, nos tornamos grandes amigas.

Esta escadaria ficava em frente a FAFI próximo de onde morávamos.





No inicio da Jerônimo Monteiro, tinha uma praça que se chamava “Praça Américo Poli Monjardim”. No meio desta praça tinha uma estátua do Índio Arariboia, que hoje já não está mais lá.




Telina tinha apenas 14 anos quando começou a namorar o Sérgio, que também era primo de Cata ou Catatau. 

No sábado, quando tínhamos algum compromisso, as amigas se reuniam lá em casa. A manicure atendia a domicilio e adorávamos nos reunir no enorme banheiro. A pia com a bancada ocupavam uma parede inteira e o restante da parede era totalmente coberto por espelho. Em frente a este, tinha uma banheira, onde sentávamos na beirada para arrumar cabelo, maquiar e bater papo.

Um ano depois que Telina começou a namorar o Sergio, fui apresentada ao primo dele, Marco Aurélio, que por coincidência morava em frente ao nosso prédio. O pai tinha um comercio na parte de baixo e eles moravam na parte de cima. A família dele, além dos pais, era composta por um irmão mais velho, Elsinho e uma irmã mais nova, Valéria. Quando conheci Marco, ele namorava uma moça a algum tempo chamada Carmem Lúcia. Passado um tempo, começamos a namorar. Como existia um parentesco distante entre as famílias, nossa, do Marco e do Sérgio, Papai não criou caso para o namoro, porém as regras tinham que ser cumpridas conforme ele determinava. Sair sozinha, nem pensar. Tínhamos que sair as 3 irmãs juntas, namorados e amigas. Nem pensar em namorar todos os dias, eram dias e hora pré-determinado, e como se não bastasse tudo isto,  era colocado na Copa um despertador programado para despertar às 21:30 hs. O namoro era no Hall, onde tinha duas cadeiras. O casal que chegava primeiro sentava nas cadeiras, quem chegava depois, sentava na escada. A porta da sala ficava aberta e vez ou outra passava ou Mamãe ou Papai para ver como estavam as coisas. Quando o relógio despertava, os rapazes se despediam e nem pensar em levá-lo na portaria. Papai fazia marcação serrada.

Os pais de Marco Aurélio tinham um Sitio em Suido (Campinhos) em Domingos Martins. Os pais dele pediram autorização a Papai para nos levar e fomos nós três. Ra neste sitio que se comemoravam as festas de São João, São Pedro e Santo Antonio. A casa era simples, de dois pavimentos. Em frente a casa, um grande lago. Do outro lado, alguns galpões onde eram criados frangos. A festa era toda montada em volta do lado. Eram convidadas as famílias da redondeza, assim como os rapazes que trabalhavam lá. Não podia faltar as comidas típicas para o evento, tais como os bolos de milho e de aipim, paçocas , pé de moleque, e também um bom cachorro quente. O quentão era servido em copos plásticos e era feito de cachaça. Na serra, o frio era intenso e o melhor lugar para ficar era perto da enorme fogueira, onde eram colocadas para assar as batatas doce e o milho verde.

Acho que foi numa festa de São João lá no Suido que Telina e Sergio começaram a namorar. Me recordo que esta  música marcou esta data, estou certa?


Depois foi a Vilma que começou a namorar Elsinho e no ano seguinte eu já participei da festa como namorada de Marco Aurélio.

Denise gostava mesmo era de se divertir. Os peões típicos da região, chegavam perto das moças, ambos batiam palma e saiam dançando forro “pé de serra” com os sanfoneiros tocando sem parar noite a dentro.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fase I - Av. Jerônimo Monteiro – Ed. Neffa

No primeiro semestre de 1967, mudamos para um apartamento na Avenida Jerônimo Monteiro. Era um apartamento de 7 andares, sendo que os dois últimos era um por andar. Ocupávamos o 6º andar. Ele era muito grande e espaçoso. Ao chegar no nosso andar, o elevador dava num hall grande, onde tinham 3 portas. Uma delas era a entrada da copa, a outra a entrada da sala e a outra entrada num quarto enorme. Então o apartamento era assim dividido: Uma copa, depois a cozinha, com uma janela que dava para a frente da rua e por ultimo uma despensa grande. Depois tinha uma enorme sala onde poderiam ter vários ambientes, mas a opção de meus pais foi fazer uma sala de jantar e uma sala de visitas. Nesta sala não havia divisórias entre um ambiente e outro e tinham 2 janelas que davam para a frente da Jerônimo Monteiro. Saindo da sala, havia uma porta onde se tinha acesso a um largo corredor (o que não parecia um corredor, pois era largo, claro e ensolarado, no lado direito tinha uma enorme janela que dava para a lateral do prédio.  Então, neste corredor, tinha primeiro um lavabo, depois um banheiro enormeeeee, ambos a esquerda, e a seguir, logo a direita, o quarto que eu e Telina dividíamos. O quarto dos nossos pais ficava ao lado do nosso, porém de frente para o corredor e do lado esquerdo, um outro corredor mais estreito, com armários embutidos dos dois lados, que dava para o terceiro quarto (este que tinha a porta para o Hall) e que era ocupado por Denise. As janelas dos 3 quartos davam para os fundos do prédio.

As dependências (quarto e banheiro) da Ajudante ficavam no terraço.

Lembro de ter festejado meus 17 anos neste apartamento. Usava um vestido de linho grosso, azul turquesa com flores coloridas bem pequenas. Usava um sapato preto de salto bem alto (minha paixão desde adolescente).

         Foi nesta ocasião que D. Nair foi trabalhar lá em casa.  Uma senhora muito sofrida que tinha 3 filhos (Wanderlei, Luiz e Adilson). Me parece que ela tinha vindo de Minas e não tinha casa, então Papai permitiu que ela trouxesse os 3 filhos para morar no quarto que tinha no terraço. Ela sempre foi uma pessoa maravilhosa com todos lá de casa. Mamãe não andava bem de saúde, e Papai resolveu levá-la ao Rio, onde acabou ficando internada por um tempo. Nós, na rotina do Colégio e estágio, deixávamos a casa por conta de D. Nair. Porém, alguém precisava definir as coisas em casa e eu acabei assumindo esta tarefa. Definia com ela o que seria feito nas refeições, o que Papai gostava, como deveria ser posta a mesa. Com ela, aperfeiçoei meus dotes culinários (acho que herdei isto de minhas duas avós), pois Mamãe nunca gostou de cozinhar.

         Denise já trabalhava fora, eu ia para o Colégio Americano pela manhã e à tarde tinha conseguido um Estágio na Cofavi que ficava em Jardim America. Telina ainda só estudava.

         Quando sobrava tempo, estava sempre na cozinha inventando algum prato diferente com D. Nair. Nesta época, aprendi a fazer massa folhada e seus truques, bala de côco, pãozinho japonês, e muitas outras delicias. Para suprir um pouco a falta de Mamãe em casa, em todas as refeições tinha uma novidade.

         Eu, sempre no regime, sentava na mesa e “enganava” que comia um pouco, mas na verdade ia dormir mais cedo para não pensar em comida e na fome que sentia. D. Nair, ficava com pena de me ver com fome, então antes de subir para o quarto, preparava torradas com manteiga e levava lá no quarto um pratinho com as torradas recém saídas do forno (escondido de Papai, porque na concepção dele, eu deveria ter me alimentado na hora do jantar). Era uma tentação.     

            A Vale tinha uma Cooperativa de alimentos (tipo um supermercado, quase em frente do apartamento). Eu e D. Nair fazíamos a lista dos produtos a serem comprados, eu avisava Papai e ele mandava o Sr. Benedito com o carro para ele fazer as compras.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fragmentos de uma vida

          Vovó Quinha morou numa outra casa na mesma Rua Nestor Gomes. Ficava mais próximo ao Atelier de Alta Costura de D. Abigail. Naquela ocasião alguns dos vestidos lindos que eram exibidos nas festas, era confecção dela. Foi nesta casa que ganhei de Papai um acordeon e um violão e comecei a aprender os dois. Pelo que lembro, era uma casa amarela. Na entrada, tinha uma escada que descia para uma sala à esquerda. Engraçado que a bem pouco tempo eu sonhei com esta casa.

                Quando Vovó e Tia Tetê mudaram para o prédio da Praça Costa Pereira, cada uma ocupava um apartamento. Como os meninos chegaram nesta ocasião, eles se mudaram de Jardim América para o centro, assim ficava mais próximo para Vovó ajudar com os gêmeos (Paulo Roberto e Paulo Cesar). Tio Roberto trabalhava no Banco do Brasil, quase em frente ao Edifício Fabio Ruschi e Tia Tetê dava aula num grupo chamado de “Gomes Cardin” que ficava na Esplanada Capixaba. Tia Marília, que também trabalhava (se não me falha a memória, na Vale),  morava com Vovó.

         Vovó não gostava de depender de ninguém e sempre se virava para ganhar seu próprio sustento. Continuava com as marmitas, pois sua clientela era fiel. Não tinha como não gostar das delicias que ela fazia. O apartamento tinha 2 quartos e uma sala de bom tamanho. Depois que Tia Marília casou, ela passou a alugar a sala 2 vezes por semana para D. Cora dar aulas de bordado (Mamãe inclusive foi aluna dela durante muito tempo) e o quarto que era da Tia Marília, era usado por uma esteticista que fazia limpeza de pele. Com isto ela tinha o dinheirinho dela sem precisar de ninguém, mas os filhos que podiam, sempre ajudavam a ela com prazer.

         Tia Marília fazia aula de declamação com D. Filinha. Ela declamava uma poesia linda que falava de um pássaro, e segundo a Maria Tereza, dizia mais ou menos assim: "No velho alpendre, à luz do sol, canta o canário de ouro...". A Tia colocava tanta emoção na voz ao declamar aquela poesia, que não tinha quem não chorasse. Era linda! Como eu gostaria de saber o nome deste poema!

         Mudamos para a Avenida Jerônimo Monteiro e Papai trabalhava no Edifício Fabio Ruschi. Ia almoçar todos os dias em casa. Na maior parte dos dias ele dispensava o Sr. Benedito com o carro e seguia a pé, pois antes de ir para o escritório, passava sempre na casa da Vovó para saber como ela estava. Do nosso apartamento, andava 3 quadras, cortava pela Rua do Rosário e chegava à Praça Costa Pereira. Para ir para o trabalho, atravessava a Praça depois a Avenida Jerônimo Monteiro, passava ao lado do Cine Gloria e já estava no Prédio da Vale do Rio Doce.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Como eram nossos Finais de Semana ...

Durante a semana o ritmo era quase sempre o mesmo: ir para o colégio, estudar, fazer um trabalho manual para Mamãe.

Nos sábados, sempre tínhamos as festas chamadas de “Festas Americanas”. Alguém oferecia a casa para reunir os amigos, cada rapaz levava um refrigerante e as moças levavam salgadinhos. Normalmente estas festas começavam à tarde, no sábado ou no domingo e terminavam antes do escurecer. Sempre levávamos algo fácil de fazer que não desse muito trabalho. Tinha um espetinho que fazíamos com palito, que ia uma rodela de salsicha, um cubinho de queijo e uma azeitona na ponta e que era chamado de “sacanagem”. Não podia haver nada errado durante a semana para que pudéssemos ir. Tínhamos que mostrar a Papai os trabalhos manuais que fazíamos durante a semana, as lições tinham que estar em ordem e nem pensar em responder ou desobedecer a Mamãe. Desde cedo, já resolvíamos a roupa, ajeitava os cabelos e a unha e queríamos estar impecáveis na hora de sair. 

   

Alguns domingos pela manhã tinha regata e ficávamos na Beira Mar em frente ao Clube Saldanha da Gama assistindo a competição onde alguns amigos participavam pelo Clube Álvares Cabral. Mas nosso Alvará não era por tempo ilimitado. Tínhamos que ir embora logo após o término.



Se íamos a praia (normalmente Praia do Canto ou do Suá), tínhamos que estar em casa para a hora do almoço.

Algumas vezes era permitido assistir um filme ou no Santa Cecília ou no São Luiz. Foi num domingo que assistimos pela primeira vez a um filme com intervalo. Foi o filme “Bem Hur”. Era muito interessante quando chegávamos ao cinema todas as luzes estavam acessas e podíamos notar os meninos cada um com sua pilha de gibis trocando revistinhas uns com os outros.

Depois do cinema, podíamos ir na Confeitaria Sarlo, que ficava na Jerônimo Monteiro ou no Sagres, tomar um Milk shake,  degustar uma banana split ou um sundae. Era delicioso demais. Ao terminar, sabíamos que o final de semana também tinha terminado.

Às vezes, durante a semana, precisávamos comprar alguma coisa na cidade e adorávamos ir ao Empório Capixaba, que também ficava na Jerônimo Monteiro. Dentro do Empório, tinha uma lanchonete que servia um quibe frito que era uma delicia! Outras vezes, optávamos por tomar um caldo de cana e pastel do Lira, que ficava numa rua pequena bem em frente ao correio. Nestas imediações também tinha um carrinho que servia um sanduíche chamado “Sanduíche Grego”. Quem lembra? Estas camadas de carne eram cortadas bem finas e servidas no pão francês. Muito gostoso!!!!





Numa sexta-feira, uma amiga nossa chamada Giselda, estava de aniversário e nossos pais autorizaram irmos à tarde na casa dela que ficava em Santo Antonio. Fomos, mas com a recomendação que não sairíamos no sábado. A festinha estava legal, mas de repente alguém chegou com a noticia que o presidente dos EUA tinha morrido assassinado. Era o dia 22/11/1963 e o presidente era John Kennedy. Isto marcou tanto que lembro exatamente como era meu vestido. Um tubinho com listas finas na vertical, em tons de rosa, verde e beje.

Foi nesta época também que lemos os livros “O Diário de Dani” e “Diário de Ana Maria”. O primeiro, era voltado para os rapazes na puberdade, e o assunto abordado era o comportamento sensual e o segundo, voltado para as meninas abordando o mesmo tema. Digamos que era um livro inocente, mas para nós era tudo que queriamos ler. 

Para entender melhor “esta época”, não podíamos sequer ouvir e muito menos cantar a música “Teach me Tiger” porque era considerada indecente, rsrsrs.