Durante a semana o ritmo era quase sempre o mesmo: ir para o colégio, estudar, fazer um trabalho manual para Mamãe.
Nos sábados, sempre tínhamos as festas chamadas de “Festas Americanas”. Alguém oferecia a casa para reunir os amigos, cada rapaz levava um refrigerante e as moças levavam salgadinhos. Normalmente estas festas começavam à tarde, no sábado ou no domingo e terminavam antes do escurecer. Sempre levávamos algo fácil de fazer que não desse muito trabalho. Tinha um espetinho que fazíamos com palito, que ia uma rodela de salsicha, um cubinho de queijo e uma azeitona na ponta e que era chamado de “sacanagem”. Não podia haver nada errado durante a semana para que pudéssemos ir. Tínhamos que mostrar a Papai os trabalhos manuais que fazíamos durante a semana, as lições tinham que estar em ordem e nem pensar em responder ou desobedecer a Mamãe. Desde cedo, já resolvíamos a roupa, ajeitava os cabelos e a unha e queríamos estar impecáveis na hora de sair.
Alguns domingos pela manhã tinha regata e ficávamos na Beira Mar em frente ao Clube Saldanha da Gama assistindo a competição onde alguns amigos participavam pelo Clube Álvares Cabral. Mas nosso Alvará não era por tempo ilimitado. Tínhamos que ir embora logo após o término.
Se íamos a praia (normalmente Praia do Canto ou do Suá), tínhamos que estar em casa para a hora do almoço.
Algumas vezes era permitido assistir um filme ou no Santa Cecília ou no São Luiz. Foi num domingo que assistimos pela primeira vez a um filme com intervalo. Foi o filme “Bem Hur”. Era muito interessante quando chegávamos ao cinema todas as luzes estavam acessas e podíamos notar os meninos cada um com sua pilha de gibis trocando revistinhas uns com os outros.
Depois do cinema, podíamos ir na Confeitaria Sarlo, que ficava na Jerônimo Monteiro ou no Sagres, tomar um Milk shake, degustar uma banana split ou um sundae. Era delicioso demais. Ao terminar, sabíamos que o final de semana também tinha terminado.
Às vezes, durante a semana, precisávamos comprar alguma coisa na cidade e adorávamos ir ao Empório Capixaba, que também ficava na Jerônimo Monteiro. Dentro do Empório, tinha uma lanchonete que servia um quibe frito que era uma delicia! Outras vezes, optávamos por tomar um caldo de cana e pastel do Lira, que ficava numa rua pequena bem em frente ao correio. Nestas imediações também tinha um carrinho que servia um sanduíche chamado “Sanduíche Grego”. Quem lembra? Estas camadas de carne eram cortadas bem finas e servidas no pão francês. Muito gostoso!!!!
Numa sexta-feira, uma amiga nossa chamada Giselda, estava de aniversário e nossos pais autorizaram irmos à tarde na casa dela que ficava em Santo Antonio. Fomos , mas com a recomendação que não sairíamos no sábado. A festinha estava legal, mas de repente alguém chegou com a noticia que o presidente dos EUA tinha morrido assassinado. Era o dia 22/11/1963 e o presidente era John Kennedy. Isto marcou tanto que lembro exatamente como era meu vestido. Um tubinho com listas finas na vertical, em tons de rosa, verde e beje.
Foi nesta época também que lemos os livros “O Diário de Dani” e “Diário de Ana Maria”. O primeiro, era voltado para os rapazes na puberdade, e o assunto abordado era o comportamento sensual e o segundo, voltado para as meninas abordando o mesmo tema. Digamos que era um livro inocente, mas para nós era tudo que queriamos ler.
Para entender melhor “esta época”, não podíamos sequer ouvir e muito menos cantar a música “Teach me Tiger” porque era considerada indecente, rsrsrs.




Retificando: o filme que teve intervalo não foi Ben Hur e sim "os 10 Mandamentos".
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