sábado, 28 de maio de 2011

Denise – Parte 3

A preocupação maior era não saber falar inglês, mas diante da grande possibilidade de viajar, isto não era problema. Ir para casa de família alemã, conhecer novos lugares, viajar sozinha em companhia de amigos, era tudo que ela queria. Sempre foi assim. Arriscava tudo! A primeira providência foi tirar o passaporte. Mas não era só isto, faltavam os dólares e roupas adequadas.

         Como adorava comprar roupas na Doll Sport, uma loja caríssima que ficava na Rua Sete de setembro, foi nesta loja que comprou a roupa da viagem. Um mini vestido vermelho de piquê, com um casaco por cima preto e branco com botões e cinto vermelho, ambos de verniz, sapatos pretos e para completar o visual, um chapéu cinza. Para combinar com tudo isto, um jogo de malas também vermelhas. Estava deslumbrante!

Naquele ano, o dólar estava no mesmo valor do cruzeiro e ai ela começou a matutar como ia arranjar dinheiro para a viagem. Vovô Gildo e Papai deram dólares de presente para ela levar, porém ela queria mais. Então lembrou que havia ganhado um colar de pérolas cultivadas de presente de aniversario de 15 anos de Vovó Telina e ai não perdeu tempo, foi até a Caixa Econômica e empenhorou o colar. Lógico que depois não foi buscar e perdeu a jóia. Mas naquele momento, o que importava para ela era a viagem. Iria conhecer Portugal, Alemanha, Londres e França. Ficariam uns 20 dias viajando e hospedadas na casa de famílias pré determinadas na excursão.

Na época da viagem ela namorava um rapaz, Robertinho Galveas, e ele ofereceu uma casa na Praia das Monções, em Portugal, que pertencia ao tio dele. Denise aceitou feliz da vida, assim teriam oportunidade de conhecer mais alguma coisa sem gastar quase nada. Em Vitoria, na hora do embarque, Robertinho apareceu no Aeroporto com um lindo buque de rosas para ela, mas quando chegou ao Rio, teve que jogar na lata do lixo pois não tinha como levar flores na primeira viagem internacional que ela iria fazer.

O quarteto maravilha embarcou para o Rio na primeira semana de junho, pois Vitoria não tinha vôo internacional (como não tem até hoje, né?). No Galeão, estavam esperando Felipe e Sergio Rubens (ambos lindos e filhos de Tozinho,  primos de Elcinho).

Um fato muito engraçado que ela gravou na memória é que estavam todos no Aeroporto do Rio esperando a hora do embarque, inclusive os primos cujo pai tinha uma revenda de carne bovina ou um abatedouro.  Estavam com fome e alguém sugeriu que eles comecem um hambúrguer e a Miriam, muito séria, querendo economizar para a viagem disse: “é melhor não comer carne pois fiquei sabendo que a carne aqui vem meio estragada”. Coitada ela não sabia que os primos trabalhavam justamente com carne e ai foi aquela “saia justa” para tentar contornar a situação. Elsinho, que não valia nada, caiu na risada e comentou a bola fora da Miriam.

Embarcaram na companhia inglesa de aviação que havia doado as passagens, e tiveram a oportunidade de conhecer neste vôo os filhos do Chacrinha, Jorge e José Renato. Foi uma farra a noite inteira.

Chegaram a Paris ao cair da  tarde. Ela ficou encantada com tudo que viu da cidade luz. Achou linda, majestosa, cheia de segredos a serem desvendados. Disse que, apesar de achar o povo de lá antipático, pela cidade sentiu “amor a primeira vista”, pois nunca mais esqueceu Paris. Na Alemanha, contava que só comiam batata e chucrutes. Se não me falha a memória, foi no aeroporto de Frankfurt que estavam aguardando um vôo para Lisboa, quando ouviram anunciar a partida de um determinado vôo. Não entenderam nada, continuaram a papear e esqueceram do horário. Resumo final, perderam o vôo e tiveram muito trabalho para conversar e explicar que precisavam embarcar num próximo vôo.

Com os dólares que levou, conseguiu “sobreviver” os 20 dias e ainda trouxe presentes para todos. Lembro que ganhei a minha primeira calça jeans (numa cor azul clara) que eu adorava e um cordão com uma medalha em prata muito linda.

O passeio chegou ao final e era hora de voltar a realidade e voltar a trabalhar.

Um comentário:

  1. Irmã,

    Quanta coisa, me fez lembrar! Que vontade de voltar no tempo e fazer novamente esta viagem...
    Meu Deus, como tudo passa rápido! !Que droga! Isto me revolta muito! Daria, tudo para voltar, com 20 anos, e fazer tudo de novo!!!!

    Beijos, e obrigada,

    Denise

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