Vovó Quinha morou numa outra casa na mesma Rua Nestor Gomes. Ficava mais próximo ao Atelier de Alta Costura de D. Abigail. Naquela ocasião alguns dos vestidos lindos que eram exibidos nas festas, era confecção dela. Foi nesta casa que ganhei de Papai um acordeon e um violão e comecei a aprender os dois. Pelo que lembro, era uma casa amarela. Na entrada, tinha uma escada que descia para uma sala à esquerda. Engraçado que a bem pouco tempo eu sonhei com esta casa.
Quando Vovó e Tia Tetê mudaram para o prédio da Praça Costa Pereira, cada uma ocupava um apartamento. Como os meninos chegaram nesta ocasião, eles se mudaram de Jardim América para o centro, assim ficava mais próximo para Vovó ajudar com os gêmeos (Paulo Roberto e Paulo Cesar). Tio Roberto trabalhava no Banco do Brasil, quase em frente ao Edifício Fabio Ruschi e Tia Tetê dava aula num grupo chamado de “Gomes Cardin” que ficava na Esplanada Capixaba. Tia Marília, que também trabalhava (se não me falha a memória, na Vale), morava com Vovó.
Vovó não gostava de depender de ninguém e sempre se virava para ganhar seu próprio sustento. Continuava com as marmitas, pois sua clientela era fiel. Não tinha como não gostar das delicias que ela fazia. O apartamento tinha 2 quartos e uma sala de bom tamanho. Depois que Tia Marília casou, ela passou a alugar a sala 2 vezes por semana para D. Cora dar aulas de bordado (Mamãe inclusive foi aluna dela durante muito tempo) e o quarto que era da Tia Marília, era usado por uma esteticista que fazia limpeza de pele. Com isto ela tinha o dinheirinho dela sem precisar de ninguém, mas os filhos que podiam, sempre ajudavam a ela com prazer.
Tia Marília fazia aula de declamação com D. Filinha. Ela declamava uma poesia linda que falava de um pássaro, e segundo a Maria Tereza, dizia mais ou menos assim: "No velho alpendre, à luz do sol, canta o canário de ouro...". A Tia colocava tanta emoção na voz ao declamar aquela poesia, que não tinha quem não chorasse. Era linda! Como eu gostaria de saber o nome deste poema!
Mudamos para a Avenida Jerônimo Monteiro e Papai trabalhava no Edifício Fabio Ruschi. Ia almoçar todos os dias em casa. Na maior parte dos dias ele dispensava o Sr. Benedito com o carro e seguia a pé, pois antes de ir para o escritório, passava sempre na casa da Vovó para saber como ela estava. Do nosso apartamento, andava 3 quadras, cortava pela Rua do Rosário e chegava à Praça Costa Pereira. Para ir para o trabalho, atravessava a Praça depois a Avenida Jerônimo Monteiro, passava ao lado do Cine Gloria e já estava no Prédio da Vale do Rio Doce.
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