Em 1978, ainda morava na casa de Tia Marília, e meu Pai veio a Curitiba. Foi uma alegria maravilhosa.
Ele não ficou muitos dias, mas pudemos sair todos juntos para jantar. Aproveitamos cada momento de convivência. Ele conheceu onde eu trabalhava. Senti que estava orgulhoso de mim. Lembro que queria comprar algo para ele se lembrar desta viagem, então optei por comprar uma roupa nova que ele demonstrou de imediato que gostou viajando com ela. Complementou o traje com seu casaco de Antílope marron, que por sinal era lindo.
Curti muito a presença dele aqui e me senti muito triste com sua partida. Sabe aquela dor no peito quando você deixa partir alguém que ama muito? Foi assim que senti, uma dor profunda, pois sabia que iríamos passar muitos meses novamente sem se encontrar. Tentei me fazer de forte, mas não contive as lágrimas ao despedir dele no aeroporto. Meu semblante dizia tudo.
Papai no Aeroporto no dia da partida
(Eu, Guilherme e Papai - fumando para variar)
Tia Marilia, Maria Alice, Eu e Papai
Um tempo depois, fiquei sabendo que ele e Mamãe haviam se separado. Era algo já esperado há algum tempo. Quem sabe, a intenção dele quando veio até aqui foi para me comunicar o fato? Mas a verdade é que se esta era a intenção, ele não teve coragem de me falar. Achei que este fato iria acontecer logo depois que meu noivado acabou, mas entendo que ele prorrogou a decisão em função de Mamãe ter ficado sozinha.
Alguns meses depois ele se casou novamente. Com esta união, ele realizou um dos seus grandes sonhos, ter um menino. Ele sempre comentava que se um dia tivesse um filho, iria ensiná-lo todas as malandragens permitidas a uma criança. Jogar bola na rua, quebrar vidraças, pular muro. Acho que ele sonhava ser um grande companheiro para este menino, porém eram apenas sonhos. Mas a vida é cheia de surpresas e quando ele menos esperava, eis que Deus o presenteou com o filho esperado. O Junior finalmente veio ao mundo para sua mais completa felicidade.