terça-feira, 7 de junho de 2011

Meus Pais

         Meu pai foi um exemplo de vida para mim. Sempre foi a figura chave em nossa família. Minha mãe veio de uma educação que o papel da esposa era ouvir, respeitar a opinião do marido e não se posicionar ou discordar. Com isto, Papai é quem decidia tudo, tanto é que, quando aprontávamos, Mamãe dizia: “Vou contar ao seu pai quando ele chegar”.

         Minha mãe era de uma família de posses e meu pai um trabalhador. Quando ficaram noivos, deu de presente para Mamãe um cordão de ouro com um pingente em formato de cruz, todo em Rubi com o contorno em ouro e no meio um brilhante. Era lindo, mas deve ter custado muito caro, porém ele queria sempre surpreender! Casaram muito novos, como era praxe naquela época. Mamãe com 20 e Papai com 22 anos. Mamãe conta que o bolo de casamento deles era muito bonito, tinha 3 andares e foi Papai quem idealizou. O bolo tinha até iluminação. Ele nunca permitiu que faltasse nada em nossa casa, pois achava que, tendo tirado Mamãe da vida confortável que ela tinha na casa dos pais, não seria justo arrastá-la para uma vida de dificuldades. Trabalhava duro para sustentar a esposa e as três filhas. Eu, posso imaginar que economizava em muitas coisas para ele, para que não faltasse nada para o nosso bem estar. Graças a Deus, nossa mesa sempre foi farta e isto, nós herdamos dele. Podemos não ter dinheiro para viajar mais ou comprar tantas roupas novas, mas jamais deixamos de ter fartura em nossa mesa.  Lembro-me que desde pequena sempre tivemos ajudante em casa e era o motorista que fazia as compras no mercado da Vale, mediante a lista previamente preparada.





                                               Com amigos da Vale 



                                                               Com amigos da Vale



         Papai gostava de chegar em casa e encontrar tudo arrumado. Mamãe acostumou a deixar em cima da cama a roupa que ele vestiria depois do banho. Todos se arrumavam para o jantar. Em relação às filhas, não permitia desobediência, nota baixa na escola, chegar fora do horário estipulado e rir à mesa sem motivo (quando escondíamos a salada no guardanapo, uma olhava para  a outra e começava a rir).

         Lembro-me dele dar gargalhadas e chegar a sair lagrimas dos olhos com as piadas do Tio Otto. Ria muito!

         Gostava de tomar Campari, Conhaque e Whisky. Sempre fumou muito e dentre as marcas preferidas estavam Hollywood e Malboro, sendo que mais tarde, preferia os cigarros mais finos e longos inclusive o Bensson Mentolado (a carteira era verde claro com as letras pretas). Adorava Pudim de Leite condensado, além das comidas típicas mineira. Com freqüência, gostava de ir ao restaurante Mar e Terra, próximo a Ilha do Príncipe, comer galinha ao molho pardo. Acompanhava as noticias gerais da época e a política, mas nunca o vi discutir este assunto. Papai torcia para o Flamengo e Mamãe simpatizava com o  Fluminense.

         Nossa infância transcorreu normal, como já descrito em outros capítulos. Papai sempre muito exigente com as filhas, pois achava que educação e respeito era primordial. Então fomos educadas neste padrão: tomar benção aos pais, chamar os mais velhos de “senhor” e “senhora”, quando os adultos estavam conversando, jamais se meter nos assuntos, ir à missa todos os domingos, e por ai em diante.

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