sexta-feira, 22 de julho de 2011

Caminhada

         Na primeira semana que estávamos em casa, numa consulta com o pediatra, foi constatado que o Michel não havia adquirido o peso que deveria. Eu tinha muito sono e na madrugada, quando o Michel chorava, eu tirava ele do berço para dar de mamar, ele dormia e eu também e com isto achava que ele estava devidamente alimentado, mas não era isto que acontecia. Minha sogra veio a Curitiba ficar alguns dias conosco e nesta ocasião percebeu que eu não conseguia conciliar dormir e cuidar do Michel. Foi ai que combinou com o Cesar  de me levar para o interior para ficar uns 10 dias a fim de que eu me reestruturasse. Ela controlava meu descanso com as mamadas do Michel. Num período ele mamava no peito e no outro ela preparava uma mamadeira. Quando o Cesar foi me buscar alguns dias depois, ficou admirado como eu estava descansada e como o Michel havida ganhado peso.

Com dois meses e meio na casa do Vô Izaltino e Vó Helga

Recebendo um chamego de Tia Tetê

Michel com 8 meses

Nossas Férias eram sempre programadas para o final do ano, assim podíamos curtir os dias de sol em Petrópolis e Vitória.

         Sempre viajávamos de carro e nosso destino era primeiramente Nogueira, na casa do Adelino e Denise. O Cesar gostava de inventar churrascos e sempre tinha os banhos de piscina, além da diversão no Clube Promenade.

No Clube Promenade com os primos: Manoela, Serginho, Dani e Joana e com a irmã Jociane

Ano Novo em Nogueira na casa de Adelino e Denise

         Em Vitoria, ficávamos na casa de Sergio e Telina e não era diferente. Sempre tinham os deliciosos caranguejos e também as diversões na piscina.

         A primeira viagem que fizemos com o Michel, ele tinha apenas 5 meses.

Cesar, Rita e Michel em Vitória na casa de Sergio e Telina


domingo, 17 de julho de 2011

A Chegada do nosso filho

        Apesar de muito trabalho, nossa vida estava tranqüila. O Cesar jogava futebol 2 vezes por semana na empresa, e quando eu não estava trabalhando fora de hora, ficava em casa preparando algo para o jantar para quando ele chegasse. Algumas vezes, ao invés de jantar em casa, saiamos para comer algo no Edmundo ou no Moreira.

        Um ano e dois meses depois que ficamos juntos, sem planejar, fiquei grávida. Mesmo tendo sido sem planejamento, gostamos da novidade, afinal, já tínhamos o apartamento quitado, nosso carinho, e apesar de não ter nada guardado, nossa situação era estável.

Gravida do Michel



         Nosso apartamento tinha dois quartos e começamos a preparar o quarto do neném. Eu mesma fiz as cortinas, brancas com pequenos balões coloridos em tons suaves de verde, azul, rosa e amarelo. Em cada jogo de balões, fiz minúsculos lacinhos de tons suaves e apliquei na cortina. O mesmo motivo usei no protetor de berço, manta e edredon. O Cesar providenciou uma madeira que era fixada em cima do berço, forrou com espuma e recobriu com plástico branco, onde podíamos usar para trocar o bebê. Compramos o enxoval e tudo transcorria bem. Fiz a ecografia, porém, de comum acordo, não quisemos saber o sexo. Preferimos a surpresa. O Cesar já tinha passado por uma experiência anterior no primeiro casamento, pois achava que seria um menino e veio uma linda menina. Eu, intimamente sentia que era um menino, mas ele não arriscava um palpite.  Fizemos uma lista dos prováveis nomes, tanto de menina como de menino e o enxoval ficamos no neutro, branco, amarelinho e verde água. O parto, seria cesaria e ficou marcado para o dia 10/08.

        No mês de julho, deixei as duas malas arrumadas. Como estava me sentindo bem, continuei trabalhando. No dia 15/07, foi aniversario da Deise, que trabalhava comigo. Ela levou um bolo, e comemos no final da tarde. Cheguei em casa muito cansada. Tomei um banho e o Cesar disse para eu ir deitar que ele e o Julio iriam preparar algo para jantarmos. Fomos dormir cedo. As três e meia da manhã, a bolsa estourou. O Cesar ligou para o médico e ele orientou que se começassem as dores de contração era para ligar para ele novamente. Depois de arrumar tudo, voltamos a dormir, porém as quatro e meia as dores vieram. O Cesar não queria incomodar novamente o médico e tive que brigar com ele para que ele ligasse. A orientação foi para irmos imediatamente para o hospital. A principio, disse que precisava ir na empresa preparar algumas pendências, ma depois vi que não ia conseguir. A distancia era pouca mais pareceu uma eternidade. O médico chegou quando eu estava subindo na maca. Já tínhamos combinado que o Cesar estaria na sala de parto. E assim aconteceu. Ele chegou junto com o Dr. Paulo. Apesar das dores, mandamos vir um anestesista o que demorou alguns minutos para o neném chegar. Quando ouvi o choro, minha primeira pergunta para o Cesar foi se era um menino e ele muito emocionado disse que sim. Foi assim que o Michel chegou no dia 16/07 às 6:35 hs de uma manhã ensolarada. Eu ocupara o apartamento 205 do Hospital Nossa Senhora de Fátima. Minhas irmãs, que já estavam combinadas de ir no inicio de agosto, foram pegas de surpresa. O Cesar precisou se virar sozinho. Passou na empresa para avisar, comprou flores para me levar, foi buscar no aeroporto Denise que vinha do Rio e mais tarde voltou ao aeroporto para buscar Telina que vinha de Vitoria. Quando trouxeram o Michel para o quarto, ele estava totalmente enrolado, Desembrulhamos ele para saber se tudo estava no lugar. Ele nasceu antes do tempo, mas não foi considerado prematuro. Pesou 2.450 kg e mediu 45 cm. No dia seguinte, antes do almoço, fui liberada para ir para casa.



sábado, 16 de julho de 2011

Pensando no Futuro

         Não fazia muito tempo que estávamos no apartamento e este foi a Leilão, como já tínhamos sido avisados. A principio, ficamos apreensivos pois várias vezes, sonhamos em adquirir além deste, o apartamento do lado, assim faríamos um apartamento grande. Ou quem sabe o de cima, assim poderíamos ter acesso através de uma escada redonda fazendo um duplex. Mas tudo era sonho. Nossa realidade agora era outra, conseguir comprar este apartamento. A preferência de compra era nossa por estarmos morando nele. Como não tínhamos dinheiro para comprar, deixamos ir a Leilão e ficamos torcendo que ninguém arrematasse. Graças a Deus foi o que aconteceu. Então fomos até a Caixa Econômica para negociarmos. Empenhamos minhas jóias e como o Cesar tinha vendido o carro e ficado com a metade, deu para darmos a entrada e financiarmos o resto. Apesar de termos contraído uma divida, ficamos ainda com um carro e estávamos felizes por termos nossa casa.

         Alguns meses depois, apareceu a oportunidade de comprarmos mais um apartamento no mesmo condomínio. O apartamento fazia parte de um conjunto composto de 4 blocos. O meu apartamento ficava no bloco 1 e o apartamento que o Cesar comprou ficava no Bloco 3. Para não ficarmos com dois apartamentos, oferecemos para o Julio comprar o meu. Ele morava numa republica com outros rapazes no centro da Cidade e gostou da idéia de ter um apartamento só dele. Deixamos alguns moveis, e mandamos fazer tudo sob medida para o outro apartamento. Ficou muito bonito e acolhedor.  

Mamãe, apesar de gostar do Cesar, não fazia gosto que eu tomasse um rumo diferente na minha vida, afinal, depois de quase 6 anos, ela não teria mais minha companhia em tempo integral. Num sábado, resolvemos convidar Mamãe e Julio para jantar. Eu e Cesar preparamos tudo, arrumamos a mesa e fomos buscar Mamãe. De repente, Mamãe nos chamou na sala e me disse: “Minha filha, você hoje vai escolher com quem quer ficar, comigo ou com o Cesar”. Eu respondi de imediato: “Mamãe, minha escolha foi feita quando eu aceitei morar com Cesar”. Então ela disse que não queria mais morar em Curitiba e viria pra Vitória. No fundo, acho que foi uma maneira de me pressionar, mas não mudei de opinião. Providenciamos a transportadora, compramos a passagem e ela voltou para Vitoria.

Passamos um período tranqüilo. Trabalhávamos os dois no mesmo lugar, a 5 minutos de casa, à noite o Cesar ia para o Colégio, pois estava terminando o curso Técnico. Quando voltava, eu já estava com o jantar pronto. Era a hora que podíamos conversar ouvir musica e pensar no futuro.

Muitas vezes eu trabalhava até tarde quando não virava a noite toda para terminar as concorrências. No inverno, saia da empresa com gelo no carro e o frio é de matar, mas quando chegava em casa ele sempre deixava tudo em ordem para eu não me preocupar.

Jociane tinha 5 anos e meio e passava alguns finais de semana com a gente. Antes de irmos morar juntos, fizemos um passeio com Mamãe, Silvana (que cuidava da Mamãe), eu, Cesar e Jociane. Escolhemos ir a Vila Velha, próximo a Ponta Grossa. É um parque com formação rochosas muito interessantes. Passamoa um dia divertido e maravilhoso.


Vila Velha - PR




Cesar e Jociane em Vila Vilha - PR


Jociane



Piquenique em Vila Velha - PR - Mamãe e Silvana em primeiro plano e eu e a Jociane ao fundo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vida que se renova

Eu já trabalhava na empresa há quase 10 anos e o Cesar fazia um ano. Como não tínhamos idéia do que a direção da empresa acharia de relacionamento entre funcionários, preferimos não comentar que estávamos juntos. Programamos sair de férias em Dezembro. Convidei o Cesar para conhecer meus parentes. Primeiro iríamos a Petrópolis na casa de Adelino e Denise e depois iríamos para Vitória na casa de Sergio e Telina. Mamãe, que continuou a morar no apartamento do Centro Cívico, iria com a gente.

         Tivemos o jantar da empresa em um restaurante, na mesma semana que íamos viajar. Acabamos chegando juntos neste dia e todos bateram palmas quando entramos. Enfim a situação ficou resolvida da melhor maneira possível, porém nunca misturamos as estações. Assuntos particulares deixávamos para conversar depois do expediente.

         A viagem foi muito boa. O Cesar sempre gostou de dirigir e fomos os três de carro. Fomos pelo litoral de São Paulo, paramos na Serra de Caraguatatuba para tirar fotos e almoçamos na cidade. Chegamos ao anoitecer em Angra dos Reis onde dormimos e seguimos viagem no dia seguinte. Passamos o Natal e Ano Novo em Petrópolis. Todos gostaram muito do Cesar. Naquela época havia uma cerveja em Petrópolis, deliciosa, se não me engano era Boemia, mas bem diferente desta comercializada hoje. O Cesar, como bom descendente de gaucho, ia te o açougue para comprar a carne nos cortes que estamos acostumados no sul, mas lá era totalmente diferente. Ainda assim, fizemos ótimos churrascos.

Na Tamoios descendo para Caraguatatuba




Na Ilha do Boi



Em Cascavel na Casa da Vó Albina



Rita aprendendo a limpar um porco (olha a minha cara...). Ao lado Nei e Eliane. Jociane ao fundo no colo

domingo, 10 de julho de 2011

Depois da Tempestade vem a Bonança

Papai faleceu em julho de 1979 e em dezembro deste mesmo ano, passei por uma crise pessoal muito séria. Quem sabe os anos fora de casa, a separação dos meus pais, as inúmeras perdas, talvez um pouco de tudo tenha culminado neste poço sem fim que vivi. Denise esteve em Curitiba e acabou me levando para o Rio para passar uma temporada. Nesta ocasião eles moravam na Gávea. Tia Regina também morava no Rio de Arildinho meu primo, passava sempre por lá com suas amigas para a gente bater papo ou sair. Uma das saídas aconteceu algo incrível. Um amiga do Arildinho ia dar uma festa num sábado, e combinamos de ir. Adelino emprestou o carro e Arildinho foi dirigindo. Na volta da festa, estávamos em 7 no carro, 3 na frente e 4 atrás, quando sem mais nem menos, o cambio do carro quebrou e ficou na mão do Arildinho. Paramos de qualquer maneira, conseguimos com uma ferramenta engatar a primeira marcha e fomos assim até chegar em casa. Passamos um sufoco danado. O pior de tudo foi a expectativa para contar para o Adelino no dia seguinte, mas como ele é da paz, nem brigou. (Primo, você se lembra deste fato?). Agora achamos graça, mas naquele dia, foi triste.


Depois que Vovó Telina faleceu, em julho de 1980, Mamãe foi internada no interior de São Paulo onde ficou algumas semanas. Eu ia sempre visitá-la, até que um dia resolvi trazê-la para passar uma temporada comigo em Curitiba. Como ela andava muito fragilizada, aceitou. Ela ficou comigo um pouco mais que 5 anos. Este também foi o tempo que fiquei sem ir a Vitória.
O tempo foi passando, e tivemos que nos acostumar com a saudade. Mudamos do Bairro da Água Verde para o Centro Cívico e a Silvana, uma moça do interior muito boazinha foi morar lá em casa para fazer companhia para Mamãe enquanto eu trabalhava. Foi um período que li muito. Assistia a novela com Mamãe e depois ia para meu quarto ler e muitas vezes pensar na vida.
A empresa que trabalhava, tinha um ginásio com cancha muito boa, então organizamos um time de Volei e começamos a brincar alguns dias à noite e também nos sábados à tarde.
 Disputando um campeonato com time de Joinville - SC



Quis o destino que no dia 09 de julho de 1984, fosse admitido na empresa um rapaz para trabalhar na área financeira.  Era meu aniversário e normalmente eu levava sempre um bolo para distribuir com os funcionários, porém aquele ano eu resolvi que não levaria. Pela manhã, o pessoal cobrou, então fiquei sem graça de não levar mas não dava tempo de encomendar nada. Na hora do almoço fui para casa, preparei um creme de morango e distribui em tacinhas para todos.   Bem, voltando a falar do rapaz, mal sabia eu que ele seria a pessoa destinada a ser meu companheiro.
Ele entrou também para o time de Volei e com isto tivemos possibilidade de nos conhecer melhor. O casamento dele tinha acabado e desta união tiveram chamada Jociane. Quando conheci o Cesar ela tinha 4 anos.
Em final de Setembro de 1985, resolvemos construir uma vida juntos. Ele havia deixado a casa para a esposa e eu resolvi deixar o apartamento montado para Mamãe. Partimos literalmente do “zero”. Na hora do almoço ele saia a procura de um apartamento para alugar, até que encontrou um que estava indo para leilão, mas a amiga da proprietária disse que ela alugaria enquanto não fosse tomado dela. Era um apartamento pequeno, porém num bairro bom e próximo do nosso trabalho. Passamos o final de semana limpando tudo, porém não tínhamos nada para colocar dentro dele. Compramos um fogão de 2ª mão, o Julio, meu cunhado emprestou dois colchonetes de solteiro, Para guardar as roupas utilizávamos uma grande caixa de papelão, na sala, um tapete, algumas almofadas num canto, uma caixa de papelão virada que servia de mesa para nosso jantar.  Para gelar uma água, era numa caixa de isopor. Não tinha som nem televisão, mas não achávamos nada ruim. Aos poucos fomos comprando o que era mais urgente. A primeira aquisição foi uma pequena geladeira e uma mesinha de fórmica com 4 banquetas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pai começa o começo?

Recebi esta mensagem hoje de uma prima querida e achei linda e propicia para postar no Blog. É importante não esquecer que somente com fé poderemos transpor as dificuldades.
         “Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: - "pai, começa o começo!". O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava
descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas "tangerinas" são outras. Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.
Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:"

"Pai, começa o começo!". Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação para você.”


A Vida é a arte do encontro ...

 ... embora haja tanto desencontro pela vida, assim diz uma música do Vinicius de Moraes. É a mais pura verdade. Tendo um meio irmão, não o procurei. Já me perguntei inúmeras vezes por que, e não achei nenhuma resposta plausível. Por que eu morava longe? Não era justificava, pois várias vezes estive em Vitoria. Medo de não ser aceita? Também não justificava, pois eu não havia nem mesmo tentado. E assim o tempo foi passando. Mesmo podendo contar somente com sua mãe, o Junior foi à luta atrás dos seus ideais. Mostrou-se excelente aluno, conseguindo uma das melhores notas do curso, passando com louvor.

Com uns 18 anos


Provavelmente se não fosse por ele, até hoje não teríamos nos conhecido. Como isto aconteceu e por quê? Vou relatar os fatos.

Um dia qualquer do mês de julho, mais precisamente numa segunda-feira, em torno de 19 horas, recebi uma ligação. A pessoa se identificou com seu primeiro nome e eu achei que era meu primo Nilton, filho de Tio Marcos e Tia Marli que morava no Rio. Fui alegre com ele, e disse o quanto era bom saber noticias dele. No final da rápida conversa, foi pedido meu MSN e como não sabia de cor, pedi que ele me passasse o dele que no dia seguinte eu o incluiria. No endereço constava a abreviatura de Vitória e foi neste momento, que minha ficha caiu, entendi tratar-se do meu irmão. Mas naquele momento, nenhum dos dois disse nada. No dia seguinte inclui o endereço na minha lista de contatos e a partir daí, passamos a nos falar virtualmente quase todos os dias, mesmo que fosse apenas “um bom dia”. Foram semanas de conhecimento de ambas as partes. Aqui vale uma observação: A foto dele que aparecia no MSN era de um Avatar. A principio fiquei muito assustada, pensando se era ele fantasiado. Observava a foto tentando identificar algum traço que pudesse saber como ele era na realidade. Morria de curiosidade. Finalmente nos conhecemos por foto.

Esta era a figura que ele tinha no MSN - Achava que era ele fantasiado


Nesta foto ele me conheceu


Nesta foto eu o conheci


Agora o porque ele me procurou naquele dia ... não sei. Talvez curiosidade ou quem sabe necessidade de ter alguma referência do seu passado. Pode ser que um dia ele me conte. De qualquer maneira, foi muito bom conhecê-lo. Descobrimos que em algumas coisas somos muito parecidos. No período que tivemos oportunidade de estarmos mais em contato, percebemos que ficamos bravos, choramos, rimos e brincamos, com a mesma facilidade que aqueles irmãos que conviveram a vida inteira juntos.

Três meses depois resolvi ir a Vitória para finalmente conhecê-lo. Passei 7 dias na cidade e levei-o para um “tour” pelo passado. Visitamos os bairros onde moramos, colégio onde estudamos igreja que freqüentamos. Apresentei meus amigos, e revimos alguns parentes. Foi gratificante conhecê-lo um pouco mais. Uns meses depois ele veio a Curitiba conhecer minha família e onde eu morava.

Quando nos conhecemos pessoalmente - No Convento da Penha


Na Praia de Santa Luzia


No Bar Atlantica do Osmar - Daiquiri feito especialmente para mim (lembrando os velhos tempos)


Junior em Curitiba no Outback



Com amigos - D. Lina, Valdete e Vilma



Catarina



Em Maio 2010, voltei a Vitória com a finalidade de festejarmos juntos seu aniversário de 31 anos.

Aniversário do Junior em Vitória



Em rápidas pinceladas, este é meu irmão Junior. Como todo irmão que se preza, às vezes discordamos e nos desentendemos ... divergências de opinião? Talvez, mas isto é normal, porém no fundo, sabemos da importância que um tem para o outro mesmo estando tão distantes. Ele sabe, mas voltarei a frisar aqui, que, independente de nossas divergências, estarei sempre por perto, caso precise do carinho e atenção de sua irmã.

Não sei se ele algum dia lerá estas memórias, mas caso sinta em algum momento necessidade ou curiosidade de saber mais sobre o passado de sua família, poderá encontrar alguns fatos que narrei aqui, e com certeza entenderá a importância que ele teve e tem na minha vida.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Saudade do que não vivenciei

        Você já teve saudades de algo que não viveu? Já pensou na possibilidade de voltar no tempo e viver uma etapa que por algum motivo pulou? Pois é, em meus devaneios eu já tive muita vontade de voltar no tempo e usufruir da companhia de uma pessoinha que veio ao mundo para realizar sonhos e trazer felicidade àqueles que o cercavam. Pelo menos esta sempre foi sua intenção, porém, agora depois de adulto, as vezes sinto que ele se perde um pouco no meio do caminho.  

Com 7  meses


        Junior, meu irmão, chegou com uma diferença de 29 anos de mim. Foi a alegria e realização para Papai, que concretizou o seu sonho mais doce. Não presenciei, mas a julgar como ele era com os netos, imagino que devia ficar horas e horas debruçado no berço, só para olhar aquele menino tão esperado. Quem sabe nestes momentos, ele elevava o pensamento a Deus e agradecia este sonho realizado. Quantas idéias não passavam pela sua cabeça. Provavelmente, varias vezes deixou seu pensamento livre imaginando o que seu filho seria no futuro. Independente da profissão que escolhesse o importante era ser digno e honesto como ele era, e se hoje aqui estivesse, constataria que tudo aquilo que imaginou e sonhou para seu filho, se realizou. Ele se tornou um homem digno, honesto e de bom coração.

         Infelizmente ele viveu muito pouco para desfrutar da companhia do Junior. Sessenta e dois dias depois que ele nasceu, Papai veio a falecer. Meu irmão era bebê, mas com certeza já sentia a presença do Pai, o carinho e o chamego que tinha para com ele. Quando segurava suas mãos pequenas, com certeza queria transmitir sua força, sua proteção e todo seu amor.

         Papai se foi e deixou para Marilza, mãe do Junior, toda a responsabilidade de criá-lo. Não deve ter sido nada fácil para ela, mesmo podendo contar com sua mãe, avó do meu irmão para ajudá-la.

         O tempo foi passando e o Junior tornou-se uma criança linda, mas em seus olhos tristes, podia-se notar que faltava algo. Provavelmente a presença do Pai. Posso imaginar como deve ter sido triste para ele querer saber como era a fisionomia do seu pai e depender apenas da descrição das pessoas. Conhecê-lo apenas através de fotos, mas não saber o som da sua voz nem o calor de suas mãos. Não poder ouvi-lo cantar cantigas de ninar para ele dormir mais rápido e ter lindos sonhos. Hoje entendo como tudo isto deve ter sido difícil.

Com 3 a 4 anos




Com 5 a 6 anos



Com sua Avó


Com uns 13 anos


Com sua Mãe


Meu irmão não teve escolha, mas eu tive a escolha de procurá-lo e não o fiz quando deveria. Não teria o mesmo peso que o Pai, mas poderia tê-lo visto crescer contando todas estas historias que estou contando agora. Por isto a saudade do que não vivenciei.

         Hoje é um dia muito especial para mim, por isto deixei para esta data a postagem deste capitulo que é tão importante em minha vida.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A estrela mais brilhante

         Talvez, algumas pessoas ao lerem minhas memórias, achem que só lembro-me de coisas boas ... e é verdade, pois são estas lembranças que me fazem bem.

         Meu Pai, por exemplo, estava longe de ser perfeito, tinha muitos defeitos, assim como todos nós temos, mas sempre nos passou bons exemplos. Então, quando me lembro dele, só me vem a mente como ele era bom, emotivo, carinhoso, preocupado com o bem estar de todos nós. Talvez tenha demorado tanto a refazer sua vida, por pensar demais nas pessoas que estavam mais próximas dele (como Mamãe, suas filhas, seus genros e seus netos). O amor é gratificante quando é recíproco, do contrario, desgasta a convivência. O tempo às vezes faz destas coisas, um grande amor que se transforma em amizade. E entendo que foi isto que aconteceu com meus pais. O grande amor deu lugar a amizade.

         No lado profissional, foi um exemplo de dignidade para nós. O que conseguiu na vida, foi através de seu trabalho e sua dedicação.

Há algum tempo, uma estrela me acompanha. Ela aparece ao alvorecer e se localiza bem defronte a minha janela. Brilha muito e me parece ser maior que as outras. Será a Estrela Dalva? Talvez ... mas independente de que nome ela tenha ela passou a ser “minha estrela”. Todos os dias, quando o céu  de Curitiba permite visualizá-la, faço minhas orações olhando para ela, e quando tenho dúvidas e incertezas e me pergunto como resolver, ela pisca como a me dar a resposta. Quem sabe é meu pai em forma de estrela me ajudando a entender este mundo que às vezes é difícil e cruel. Mas prefiro não me deixar abater pela tristeza e sempre vou à procura de soluções. Não vale a pena complicarmos as coisas simples. Sempre analiso as dificuldades e procuro entender os motivos de estar acontecendo. Quando é possível, gosto de ajudar os outros.  Tenho certeza que se ele estivesse aqui, teria muito orgulho desta sua filha que aqui está.


Sabe Papai, ouvi há muito pouco tempo algo num filme que gostei demais e que dizia assim:

“Cada minuto que passa é uma chance para mudar tudo para sempre. Eu vou te encontrar de novo.”

Para mim, você deixou saudades, mas espero encontrá-lo um dia. Por enquanto, vejo você ao amanhecer, da janela do meu quarto, através da estrela mais brilhante que existe no céu sem nuvens.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mais tristezas


Foi um período muito difícil e parecia longe de acabar. A sensação é como estar em queda livre sem saber onde você vai cair. As perdas de um modo geral são sempre tristes. Imagine então o que é perder seu Pai.

Exatamente um ano depois de termos perdido Paulo Cesar, sofremos mais um grande baque. No dia 15 de julho de 1979, foi a vez de Papai.

Era madrugada em Curitiba quando o telefone tocou. Acordei sobressaltada, ouvindo vozes ao telefone. Olhei o relógio e ele marcava 4:20 hs da manhã (por coincidência, a mesma hora que eu nasci). Apesar da madrugada gelada, pulei rápido da cama quando ouvi o Alceu falando baixo ao telefone. Tinha um pressentindo que algo muito ruim tinha acontecido, mas não me passou pela cabeça que seria meu Pai. Quando recebi a noticia, foi como se tivesse levado um soco na boca do estomago. Eu e Tia Marília nos abraçamos a chorar, querendo que aquilo não fosse verdade. Quem ligou foi o Sergio e disse apenas que Papai  dormiu e não acordou. Foi levado para o hospital, Carlos Eduardo que é cardiologista e meu primo atendeu e não conseguiram reanimá-lo. Alguém passou um café, sentamos na copa e ficamos pensando o que íamos fazer assim que o dia clareasse.

A segunda-feira amanheceu nublada e triste, exatamente como estávamos nos sentindo. Antes das 7 horas eu já estava na empresa. Organizei algumas coisas que não podia deixar de resolver, avisei algumas pessoas, passei em casa e fomos para o Aeroporto. Primeira dificuldade encontrada foram os vôos lotados para Vitória. Naquela ocasião havia poucas opções de vôos para Vitoria. Tentamos de tudo, explicamos a situação na esperança de conseguirmos alguma coisa, porém só conseguimos lugar no vôo até o Rio de Janeiro, infelizmente os vôos do Rio para Vitória estavam realmente lotados.

Como Papai faleceu às 4:10 hs da manhã, o enterro seria no final da tarde, então queríamos chegar até o horário previsto. Alceu viu que não tinha solução e resolveu fretar um avião da Crasa Táxi Aéreo. Conseguimos embarcar antes do almoço e levamos 3 horas e meia para chegar, com apenas uma parada para reabastecimento no aeroporto do Rio de Janeiro. Quando o avião sobrevoou o hospital Santa Rita, onde ele estava sendo velado, alguém já de sobreaviso foi nos buscar no aeroporto. Sem dúvida, foi a viagem mais longa que já fiz. Avião pequeno, não dava para se mexer muito e a tensão fazia com que as costas doessem demais. Num determinado ponto, o desespero de ficar na mesma posição era tanto, que acabei deitando no chão para tentar conter a dor nas costas. Chegamos já passava das 15 horas.

Saímos de Curitiba com muito frio, por isto estávamos vestindo casacos pesados, botas e calças de lã. Chegamos em Vitória o céu estava azul e muito quente. Não reparei quem estava presente e não lembro de ter visto ninguém. Fiquei ali ao lado dele enquanto um filme passava pela minha cabeça. Parecia que estava vivendo um pesadelo, e queria muito acordar. Outras vezes, minha mente formulava perguntas que eu não teria respostas. “Pai, quando poderia imaginar que em Curitiba seria a última vez que o veria?” – “Seria por isto aquela dor tão grande no peito ao me despedir de você?” Alguém chegou ao meu lado e me ofereceu um suco de laranja que agradeci e não aceitei. Um pouco antes da despedida final, lembro que retirei uma pétala das rosas amarelas que o cobriam, escrevi meu nome e coloquei junto ao seu peito. Seu semblante era sereno, exatamente como se estivesse dormindo.

Aguardei até a missa de sétimo dia e voltei para Curitiba.

Papai, é assim que sempre vou ter você comigo.





Esta mensagem foi escrita com muito carinho por um grande amigo dele.      


         Fiquei um longo tempo sem voltar a Vitória, mesmo tendo consciência que a maior parte da minha família estava lá. No fundo, sabia que não mais teriam flores no quarto, nem moqueca de pitus e nem mesmo o café da manhã com todos reunidos. Ele sabia que eu adorava tudo isto.

         Porém, no inicio de 1980, Vovó Telina ficou doente. Numa manhã de uma sexta-feira de Maio, resolvi voltar a Vitória para vê-la. Ela estava no hospital (não lembro o nome mas era bem próximo da Catedral). Ela sempre teve uma voz baixa e calma e naquele momento parecia ainda mais fraca. Fiquei 3 dias em Vitória e uma das noites fiz questão de ficar com ela. Ela segurava minha mão, dizia o quanto estava feliz de me ver bem e que sempre rezava para eu ser feliz. Rezava para eu encontrar uma pessoa que me merecesse. Pediu que eu sempre cuidasse de Mamãe pois ela era muito frágil. Falamos de tantas coisas, que nem vi o final de semana acabar. No domingo me despedi dela. No dia 08 de Julho ela faleceu. As inúmeras cartinhas que ela me escreveu depois que vim para Curitiba estão todas guardadas e quando preciso ouvir palavras doces, volto a ler estas cartas.

domingo, 3 de julho de 2011

Dias de Tormenta

Em Dezembro de 1977, começou para a família Simões, um longo período de tormenta. A primeira delas foi o falecimento do Tio Marcos. Ele estava doente há algum tempo, tinha emagrecido muito e não resistiu. Uma pessoa doce, carinhosa demais com os irmãos, esposa, filho e sobrinhos. Era um grande sonhador e talvez por isto as coisas sempre foram difíceis para ele. Papai, Tia Tetê e Tia Marilia estavam sempre prontos a ajudá-lo quando necessário. Tem uma música antiga que me faz lembrar dele quando a escuto.



Apenas 7 meses depois, mais precisamente em 18 julho de 1978, passamos por mais uma tristeza. Meu primo Paulo Cesar, filho de Tia Tetê e Tio Roberto, faleceu subitamente. Ele era irmão gêmeo de Paulo Roberto. Era muito jovem, tinha apenas 18 anos e uma vida inteira pela frente. Quando soubemos do acontecido, viajamos imediatamente para Vitoria. Por vontade de Deus, quatro dias depois do falecimento de Paulo Cesar, Hervê, o melhor amigo dele também faleceu num acidente. Quis o destino que eles seguissem o mesmo caminho quase que na mesma hora. A nós, restava a saudade e aceitar os desígnios de  Deus.



Meus tios ficaram muito abalados com estas perdas e aceitaram o convite de Tia Marília para passar alguns dias em Curitiba. Procurávamos distraí-los dentro do possível, mas a dor era latente. Vieram meus tios, Paulo Roberto e mais dois amigos.

Resolvi então convidá-los para um final de semana em Foz do Iguaçu, onde a empresa que trabalhava estava executando serviços nas obras da Hidrelétrica de Itaipu. Um grande amigo nos recebeu e acompanhou nas visitas e passeios. Tia Tetê preferiu ficar em Curitiba e eu fui com o Tio Beto e os meninos.