Você já teve saudades de algo que não viveu? Já pensou na possibilidade de voltar no tempo e viver uma etapa que por algum motivo pulou? Pois é, em meus devaneios eu já tive muita vontade de voltar no tempo e usufruir da companhia de uma pessoinha que veio ao mundo para realizar sonhos e trazer felicidade àqueles que o cercavam. Pelo menos esta sempre foi sua intenção, porém, agora depois de adulto, as vezes sinto que ele se perde um pouco no meio do caminho.
Com 7 meses
Junior, meu irmão, chegou com uma diferença de 29 anos de mim. Foi a alegria e realização para Papai, que concretizou o seu sonho mais doce. Não presenciei, mas a julgar como ele era com os netos, imagino que devia ficar horas e horas debruçado no berço, só para olhar aquele menino tão esperado. Quem sabe nestes momentos, ele elevava o pensamento a Deus e agradecia este sonho realizado. Quantas idéias não passavam pela sua cabeça. Provavelmente, varias vezes deixou seu pensamento livre imaginando o que seu filho seria no futuro. Independente da profissão que escolhesse o importante era ser digno e honesto como ele era, e se hoje aqui estivesse, constataria que tudo aquilo que imaginou e sonhou para seu filho, se realizou. Ele se tornou um homem digno, honesto e de bom coração.
Infelizmente ele viveu muito pouco para desfrutar da companhia do Junior. Sessenta e dois dias depois que ele nasceu, Papai veio a falecer. Meu irmão era bebê, mas com certeza já sentia a presença do Pai, o carinho e o chamego que tinha para com ele. Quando segurava suas mãos pequenas, com certeza queria transmitir sua força, sua proteção e todo seu amor.
Papai se foi e deixou para Marilza, mãe do Junior, toda a responsabilidade de criá-lo. Não deve ter sido nada fácil para ela, mesmo podendo contar com sua mãe, avó do meu irmão para ajudá-la.
O tempo foi passando e o Junior tornou-se uma criança linda, mas em seus olhos tristes, podia-se notar que faltava algo. Provavelmente a presença do Pai. Posso imaginar como deve ter sido triste para ele querer saber como era a fisionomia do seu pai e depender apenas da descrição das pessoas. Conhecê-lo apenas através de fotos, mas não saber o som da sua voz nem o calor de suas mãos. Não poder ouvi-lo cantar cantigas de ninar para ele dormir mais rápido e ter lindos sonhos. Hoje entendo como tudo isto deve ter sido difícil.
Com 3 a 4 anos
Com 5 a 6 anos
Com sua Avó
Com uns 13 anos
Com sua Mãe
Meu irmão não teve escolha, mas eu tive a escolha de procurá-lo e não o fiz quando deveria. Não teria o mesmo peso que o Pai, mas poderia tê-lo visto crescer contando todas estas historias que estou contando agora. Por isto a saudade do que não vivenciei.
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