quinta-feira, 31 de março de 2011

Apresentação das Familias Zorzanelli x Simões

A família Zorzanelli era muito grande e assim distribuída:

Vovô Gildo, Vovó Telina, Tia Dalva e Tio Otto (filhos Regina Dalva e Ralph), Dulce e Milton, meus pais (filhas Denise, Rita de Cássia e Telina Maria), Tia Arlete e Tio Américo (filhos José Roberto, Américo Filho, Cristina, Ângela, Alexandre e Carlos Augusto), Tia Odete e Tio Silvino (Filhos Carlos Eduardo, Rosangela, Silvia Maria e Silvino Junior), Tia Heny e Tio Raul (Filhos Raul Filho, Luciana, Monica, Zorzinha e Francesca) e Tio Arildo e Tia Regina (Filhos Claudio, Arildo Filho, Ricardo e Luciano).

Na foto abaixo, uma parte da família reunida. Esta foto foi tirada nas Bodas de Ouro dos meus avós. Da esquerda para a direita: Tia Regina, Tio Raul, Tia Heny, Tio Otto, Tia Dalva, Vovó Telina, Vovô Gildo, Tia Odete, Tio Silvino, Mamãe e Papái. Faltou Tio Arildo (que deveria estar viajando) e a Família de Tia Arlete.




         A Família Simões era menor e composta de:

        Milton e Dulce, meus pais, Tia Tetê e Tio Roberto (Filhos Paulo Cesar e Paulo Roberto), Tio Marcos e Tia Marli (Filho Newton Neto) e Tia Marilia e Alceu (Filhos Maria Tereza, Guilherme e Maria Alice).

        A foto abaixo mostra alguns membros da Congregação dos Vicentinos, que Vovô Simões fazia parte. Ele aparece no lado esquerdo.





                                                Vovó Quinha



                                             Tio Marcos.




                                            Papai e Mamãe



                                                        
                                    Tia Tetê.




                                Tia Marília



         Uma pena não ter mais fotos dos meus avós paternos para mostrar, mas meus primos Paulo Roberto e Maria Tereza ficaram de me ajudar.

terça-feira, 29 de março de 2011

A Vida em Familia

Quando meus pais viajavam por alguns dias para passear, sempre ficávamos na casa de Vovó Telina por ser mais perto de nossa casa.

         Até a hora da despedida, tudo parecia estar bem, mas só eu sabia como estava dentro do meu coração. Adorava ficar na casa dos meus avós, apesar de Vovô ser muito sério e algumas vezes bravo. Vovó, pelo contrário, não sabia o que fazer para agradar e tornar menos triste os dias sem nossos pais.

         Todas as noites, de onde estivessem, ligavam para saber de nós e queriam falar um pouquinho com cada uma. Nesta hora, eu tentava arranjar qualquer coisa para fazer para não falar com papai no telefone, porque sabia que ia chorar.  Quando o telefone tocava, já imaginando que era ele, ia para o banheiro e me trancava, ou dizia que ia pegar algo no quarto e não voltava até eles terem desligado. Vovó percebia o que acontecia comigo e não insistia, explicando que estava tudo bem.

         A família de ambos os lados me achavam mais parecida com papai, desde o tom de pele, os olhos e o cabelo fininho, do que as minhas irmãs.

         Na casa de Vovó, tinha um amplo hall na entrada com três saídas: uma entrava na sala de visitas, a outra dava para a sala de jantar e a outra era a subida das escadas que levavam aos andares superiores.

         Bem na parede defronte a escadaria, existia um móvel onde em cima ficava um rádio. À noite, depois do jantar, Vovô ficava em frente aquele radio para escutar a “Hora do Brasil” e o “Repórter Esso”. Neste horário, ninguém podia conversar, nem fazer barulho, porque atrapalhava ele ouvir as noticias.

         Enquanto isto, Vovó fazia torradinhas com manteiga e nós ficávamos na copa, algumas vezes com Tio Arildo, apostando que conseguia comer torrada sem fazer barulho.

         Algumas vezes, outros primos também iam para lá e a gente brincava mais. Gostávamos de fazer guerra de travesseiros e muitas vezes uns ficavam no 3º andar e outro na varanda do 2º. Quando acontecia do travesseiro cair na cabeça de Vovô ele ficava muito bravo.

         O quarto de casal era enorme. Tinha uma cama grande de Jacarandá, duas mesinhas de cabeceira e uma penteadeira com espelho. A gente gostava de dormir no chão, umas do lado de Vovó e outras no lado de Vovô. A cama era alta e passávamos por baixo dela para implicar com os outros que estavam do outro lado, quando reclamava, Vovô mandava todo mundo ficar quieto.

         Ao lado do quarto deles, tinha um outro que outrora foi o quarto de Tia Heny, mas até onde lembro, neste quarto ficava Vovó Maria, aquela que fez meu parto. Uma lembrança que ficou, foi num determinado dia em que estávamos lá, havia movimento de muita gente circulando e chorando pela casa Ao passar ao lado daquela porta, vimos ela deitada e provavelmente já tinha falecido.
         Durante muito tempo, fiquei impressionada com este fato. À noite, no silêncio total da casa, onde nem mesmo havia carros passando nas ruas, escutava claramente os uivos dos cachorros das redondezas e tinha muito medo. Queria que a noite acabasse logo, para que o medo fosse embora junto com ela.

         Na Páscoa, Vovó comprava chocolate para todos da família. Comprava também algumas caixas extras de bombons para agradar uma ou outra amiga que chegasse nesta época para uma visita. Adorávamos os bombons de licor. Quando tinha uma caixa aberta, a gente desembrulhava cada um, furava, tomava o licor e embalava de novo e voltava com ele para a caixa. Coisas de criança.

         Um dos pratos típicos da Semana Santa, era a “Torta Capixaba”, feita a base de palmito e diversos frutos do mar. Depois de tudo cozido e misturado, eram colocadas em panelas de barro, batia-se as claras em neve, depois misturava as gemas jogava em cima e decorava com rodelas de cebola e no meio azeitonas. As duas avós sabiam fazer com perfeição e embora os ingredientes fossem basicamente os mesmos, uma ficava diferente da outra. Era servido com arroz branco e acompanhado de vinho tinto. Para as crianças, suco de uva. Para agradar a todos, Papai combinava a quinta-feira na casa de uma Avó e na Sexta-Feira na casa da outra.

         Vovó tinha duas ajudantes que se chamavam Osvaldina e Geny. Elas eram muito boazinhas. Quando brincávamos no quintal ou na varanda, Vovó pedia que ela levasse um lanchinho para a gente no meio da tarde.

         Os almoços de domingo, onde toda a família se reunia, sempre foi um show a parte. As crianças brincavam do lado de fora, depois eram chamados para almoçar na copa e podiam voltar a brincar. Os adultos se reuniam na varanda onde haviam cadeiras de ferro batido pintadas de branco com almofada estofada e uma mesa de centro. Eram servidos diversos petiscos, grande parte deles feitos por Vovó, além de Whisky e refrigerante. A mesa era farta, com vários pratos.


segunda-feira, 28 de março de 2011

A Infância na Santa Clara (Parte 2)

         Apesar de termos nossas obrigações desde cedo, tais como manter o quarto e as roupas arrumadas, fazer os deveres de casa e ir ao colégio, no final da tarde, antes do jantar e depois deste, nos era permitido brincar em frente de casa.

         Criatividade era algo que as crianças daquela época tinham de sobra. Sempre alguém tinha uma idéia de uma brincadeira e outra e com isto o tempo passava rapidinho.

         Uma delas era a brincadeira de “Passa Anel”, e era assim que funcionava.

         Primeiro era escolhido o passador do anel, depois sentávamos todos na calçada, menos o passador. Ficávamos com as mãos unidas, palma com palma. O passador então iniciava a brincadeira passando sua mão, também fechada com o anel entre elas, entre a mão de cada criança, deixando cair o anel aleatoriamente na mão de uma delas, sem que ninguém perceba. Após passar por todas, escolhe uma e pergunta: “Com quem você acha que está o anel?”  Se acertar, será o novo passador, se errar, deverá pagar uma prenda (castigo) que os jogadores escolherem. O passador repete a pergunta até alguém acertar.

            Uma outra brincadeira, era chamada de “Estátua”. Era escolhido um mestre que controlava a brincadeira. Faziamos uma roda e o mestre começava a cantar uma cantiga.  Enquanto nós faziamos a roda andar. A cantiga poderia ser: “Atirei o pau no gato, to, to, mas o gato, to, to, não morreu, reu, reu, D. Chica, ca, ca, admirou, se, se, o berro, o berro que o gato deu”. Quando achava melhor e em qualquer tempo, o mestre parava de cantar e dizia: “Estátua”. Os jogadores ficavam em posição de estátua, sem se mexer e o mestre tentava fazer caretas e brincadeiras para ver quem se mexe ou ri primeiro. Só não valia fazer cócegas. Quem se mexia ou ria primeiro, pagava uma prenda e ia para o lugar do mestre.

            As brincadeiras de roda também eram muito boas. Faziamos uma roda, todas de mãos dadas, e assim iamos cantando as cantigas de roda que conheciamos tais como:

Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Aqui na minha mão
Não cai, não
Não cai, não
Não cai, não
Cai na rua do sabão

Capelinha de Melão
I
Capelinha de melão é de São João
É de cravo, é de rosa, é de manjericão
II
São João está dormindo, não acorda, não
Acordai, acordai, acordai, João

O pião entrou na roda
O pião entrou na roda, o pião
O pião entrou na roda, o pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E abana o dia inteiro, pião
E abana o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião

Pezinho
Ai, bota aqui
Ai, bota ali
O seu pezinho.
O seu pezinho bem juntinho
Igual ao meu.
E depois não vá dizer
Que você me esqueceu.

Pirulito que bate, bate
Pirulito que bate, bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu.

         E tinha aquela que declamávamos.
“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão, mamãzinha quando dorme, põe a mão no coração”

Fotos relacionadas aos fatos descritos ontem

Infelizmente ontem não consegui anexar algumas fotos, sobre o que escrevi, mas hoje estou fazendo isto.

Esta é a casa que moramos na Rua Santo Antonio, na Ladeira Santa Clara.




         Duas fotos do Colégio Americano, onde meus pais estudaram e nós três também até terminarmos o 2º grau.

         Na primeira foto, uma visão mais geral do que era o Colégio que ficava localizado na Rua Loren Reno e na segunda foto, a rua lateral (onde na primeira aparece o carro vermelho). A construção menor que se vê, naquela ocasião funcionava o Jardim de Infância.







         E por último, a foto do interior da capela onde íamos a missa todos os domingos pela manhã. Nenhuma desculpa era aceitável por papai, a menos que fosse comprovada que estávamos doente, caso contrário, este era o primeiro compromisso que tínhamos no dia.


domingo, 27 de março de 2011

A Infancia na Santa Clara

A reforma da casa da Santa Clara estava pronta. Era uma casa pequena, porém agradável. Ela ficava na Rua Santo Antonio n. 86, numa rua sem saída. A casa era dividida assim: no lado esquerdo, uma sala de jantar, cozinha grande, uma lavanderia, um banheiro e um quarto. No lado direito, uma varanda, com uma porta de correr que dava na sala de visita, onde tinha uma janela do outro lado, um pequeno corredor que levava ao quarto dos meus pais, nosso quarto e o banheiro.

         Na sala de visita, havia uma parede em “L” que papai mandou pintar de “vermelho cor de Vinho”, sendo o resto da sala um creme bem claro. No quarto do casal, uma grande janela tinha a vista para o inicio da Ladeira e para uma parte da cidade. Nele, havia uma cama de casal, duas mesinhas de cabeceira e um armário embutido. No nosso quarto, 3 camas iguais e um armário com 3 portas no mesmo estilo das camas. A janela dava para o quintal da casa do Vovô Gildo. As peças do banheiro eram pretas e tinha uma banheira que ficava na parede da basculante que dava para a rua.

         A casa era a última da rua. Depois dela, existia um muro baixo com um grande portão onde entrava para o que chamávamos de “caixa d’água”. Existiam duas enormes construções de concreto, elevadas, onde podíamos chegar através de escada e andar por cima desta grande caixa de concreto. Um lance abaixo, em toda a extensão da “caixa” havia várias portas que deveria servir para manutenção.

         Papai mandou fazer um banco, pintado de branco que foi colocado rente a este muro, na nossa calçada.

         Eu era pequena quando mudamos para esta casa, mas desde cedo, sempre soubemos aproveitar a maravilha que era morar ali.

         Quem subia a Ladeira Santa Clara, passava defronte a casa de Vovô Gildo, subia mais um pouco e virava à direita sendo esta a rua que morávamos. Nossos vizinhos eram: Na esquina, Sr. Zanotti, depois a casa do Sr. Eloi e D. Dora, que tinha uma filha chamada Ieda. Brincávamos juntas e ela foi a melhor amiga de Denise. A seguir vinha a casa de seu Getulio e D. Lezir. Eles tinhas 4 filhas 9que não lembro os nomes), mas brincávamos todos junto. Depois vinha o muro da casa de Vovô, um portão para entrar no quintal e nossa casa.  Do outro lado da rua, lá no inicio, em frente a casa do Sr. Zanotti, só tinha uma casa grande que era dos pais de Rosa Áurea.  Depois da casa de Rosa Áurea, começava a cerca baixa da Companhia de Água que ia até o final da rua.

         Luiza Helena, morava na Ladeira na altura da entrada da nossa rua. Um pouco mais acima, morava Tia Dalva e Tio Otto e os filhos, Regina Dalva e Ralph.
        
         As brincadeiras eram sempre em frente da nossa casa. Primeiro, porque papai não permita que saíssemos dali e depois por ser final da rua, ninguém incomodava. Como não existia televisão, as brincadeiras eram as mais diversas. Em frente a nossa casa, tinha uma cerca de arame farpado que delimitava a propriedade da Companhia de água. Gostávamos de passar por entre estes arames e procurar nos matos baixos que tinha por ali, joaninhas coloridas, as quais eram colocadas dentro de vidros. Depois, na varanda de casa, contávamos para ver quem pegou mais. Além disso, havia os vagalumes que brilhavam e as cigarras que cantavam.

         Nós estudávamos no Colégio Americano, o mesmo que estudaram meus pais. Nosso horário era à tarde e íamos e voltávamos juntas. Cortávamos caminho, por uma rua que tinha no meio da Ladeira, passávamos em frente a igreja, descíamos uma enorme escada e chegávamos ao Colégio. Numa determinada época, nos deparamos com duas meninas trajando uniforme do Grupo Escolar (saia vermelha e blusa branca) e nós com o uniforme do Colégio que era saia cinza chumbo e camisa branca. Na descida da escadaria, quase chegando ao Colégio, estas meninas ficavam paradas esperando a gente passar e diziam: “Lá vai o bolão, reco-reco e azeitona”. A gente morria de medo de passar por ali, mas era o caminho mais curto.

         Tínhamos uma ajudante em casa que se chamava D. Percilia. Um senhora bem gorda, morena e muito carinhosa com a gente. Em dias de chuva, na volta do colégio, fazíamos questão de passar nas poças de água. Chegávamos em casa encharcadas. Mamãe mandava todas para o banho quente, Esfregava nossos pés com álcool para aquecer, e D. Percilia preparava uma xícara de leite queimado bem quente polvilhado com canela. Era uma delicia! Quando papai chegava, nós já estávamos prontas para jantar.

         Todos os domingos, papai nos acordava cedo para irmos juntos a missa das 9 horas na Igrejinha próximo de casa. Íamos e voltávamos a pé. Somente depois que voltávamos da missa é que poderíamos brincar. Adorávamos brincar de cozinhado. Mamãe às vezes nos dava um punhadinho de arroz e fazíamos num fogão improvisado de tijolos. Se não tínhamos o arroz, picávamos manga ou abacate e brincávamos do mesmo jeito.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Recordar também é Viver ...

         Quem não gosta de recordar fatos interessantes e épocas felizes que marcaram sua vida? Acredito que de um modo geral todos nós gostamos.
         Então vou mostrar algumas fotos de lugares e pessoas que fizeram parte de minha vida e que já citei nos relatos anteriores.
         Vou começar pela casa onde nasci. Casa dos meus avós por parte de mãe, que ficava na Ladeira Santa Clara.  A foto da esquerda foi tirada anos atrás. Na casa original não tinha a construção com telhado, abaixo das duas janelas do último andar.  Na foto da direita, mais recente, apesar de ter modificações, mostra outros detalhes, como a garagem que ficava de fora da casa. Um portão de ferro batido trabalhado levava ao primeiro patamar. Ai existia um jardim enorme. Voltando a escada, chegava-se à parte do quintal que rodeava toda a casa. Este quintal era todo cimentado, tendo apenas alguns lugares onde existiam flores ou árvores pequenas. Na subida da escada, no lado esquerdo tinha um pé de manga que chamávamos de “peito de moça”, uma manga pequena e muito saborosa.
         Como pode-se ver pela foto, a casa tinha 3 andares, sendo: No primeiro piso, uma varanda grande em quase toda a extensão da frente, uma sala de visita, uma sala enorme de jantar, uma copa, uma cozinha muito grande, um banheiro, um hall também de um tamanho considerável onde tinha a escada que subia para o segundo andar. Nesse andar tinha um grande hall onde tinha acesso para o quarto de meus avós. Dele saia para a varanda que aparece na seta. Um quarto de vestir, ao lado uma varanda que dava para a lateral do quintal, um quartinho pequeno onde Vovó costurava, um banheiro enorme com banheira. Subindo mais um lance de escada íamos para o terceiro andar onde tinha um quarto que foi do Tio Arildo, uma biblioteca grande com  uma parede inteira coberta de armário com portas de vidro e madeira onde se identificava facilmente as coleções e livros, um banheiro, uma pequena área que servia como lavanderia e um pequeno quarto onde Vovó guardava em caixas seus inúmeros chapéus.
         Da sala de costura, tinha uma escada que dava acesso a parte de trás da casa e cozinha. No lado de fora da sala de visitas, existia um caramanchão, com um banco e as buganvílias de cor vermelha escura, fazia a sombra para um descanso. Deste lugar, olhando para a frente, um grande pé de Acássia ornamentava o quintal. À direita do pé de Acássia, subindo uma escada, chegava-se a lavanderia, quarto e banheiro das Ajudantes. Ao lado, um grande pé de manga espada. Mais a esquerda, na divisa com a rua de cima, um pé de abacate e embaixo dele um grande galinheiro todo cercado de tela larga, onde eram criadas galinhas e lembro bem de um peru.
         Um pouco abaixo, na direção do quarto de costura porém na parte de cima do terreno, uma enorme mesa de madeira com bancos um de cada lado.
         O Vitrô arredondado que se vê do lado da primeira foto, era de vidros coloridos e decorados (como se vê em algumas igrejas antigas).



         Está era a casa de Jucutuquara, que papai construiu. Quem aparece na foto é Telina.



         Outra casa que moramos, foi numa pequena rua, bem próximo à Graciano Neves e a Convertidora.



         Esta foto saiu muito escura, mas esta casa foi a que moramos na Rua Fortunato Ramos, na Praia do Canto (Foto da esquerda). Uma casa de dois andares (foi nesta casa que Telina ficou presa no guarda-roupa, rsrsrs). Ela ficava ao lado da Igreja Santa Rita de Cássia (Foto da direita);





E para terminar, uma foto de dois anos atrás, da casa de Vovô Gildo em Guarapari. Naquele tempo, ela era bem diferente, mas enfim, era neste mesmo lugar.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Férias em Guarapari (Continuação)

À noite, era a vez dos adultos curtirem os bailes do Siribeira.

         Tem uma historia na família, que tia Dalva contava e a gente dava muita risada. Tia Heny contou no blog e vou repetir aqui, exatamente do jeito que ela escreveu:
 “Quando Dalva estava esperando Regina estávamos todos da família lá, inclusive eu que já estava noiva. Raul tinha um jeep. No primeiro dia do carnaval os cunhados, Milton e Silvino, combinaram se um fosse sozinho, os outros iriam, mas só se Otto fosse também. Ninguém acreditava que ele fosse, mas acabaram indo. Madrinha obrigou Raul a levar ela no jeep até o Siribeira quando parou o carro, ela com cinco meses de gravidez saltou rapidinho e pela janela pediu a alguém para chamar Otto. Ele veio todo sem graça, pois os amigos diziam: a rádio patrulha chegou! Ele só no "Dalvinha calma" mas ela não quis saber de nada. Disse que se ele não fosse embora, ela que estava de quimono ia levantar a saia e mostrar a todo mundo que estava sem calcinha. Do jeito que ele era ciumento, pediu só para pagar a conta para poder ir embora. Precisava ver, no dia seguinte a cara de Odete e Dulce, mas como sempre tudo acabou em gozação com Otto” (copiado na integra  do blog da Tia Heny).
         Vovó Quinha também ia para Guarapari, mas as condições eram outras. Em Vitoria, durante todo ano, ela cozinhava e fornecia marmitas. Quando chegava o período de férias, ela alugava um imóvel em Guarapari e passava toda a temporada lá, ganhando um dinheirinho. Alugava quartos e também fornecia marmitas para àqueles que não queriam cozinhar. Ela sabia preparar pratos deliciosos e variava bastante o cardápio. Ela sempre alugava na avenida principal e a última vez que me lembro, ela tinha se estabelecido na rua em frente à saída das escunas perto da ponte que ligava a Muquiçaba (passando a ponte, na entrada da cidade, virava à esquerda). Ela trabalhava duro, mas nunca a vi reclamar. Sempre contratava alguma mocinha para ajudá-la nestas ocasiões. Muitas vezes também ficamos nas férias com ela.
         As praias que mais freqüentávamos eram:

Praia dos Namorados
Reza a uma lenda que um casal se apaixonou enfeitiçados pela magia do lugar. Na época que freqüentávamos esta praia, tinha um trampolim onde os adultos adoravam pular. Era uma praia mansa e calma, ideal para a gente brincar sem medo.

Praia do Meio
Esta praia tinha umas pedras baixas e separadas umas das outras e que vinham até a areia. Quando a maré enchia, a água do mar ficava nestas cavas das pedras e formavam pequenas piscinas naturais. Era delicioso tomar banho ali.

Praia das Castanheiras
Ela era cheia de enormes castanheiras, mas para as crianças não era aconselhável porque tinha ondas fortes.

Praia das Virtudes
Diz que esta praia recebeu este nome por ser preferida das freiras. Realmente era uma praia que ficava mais escondida. Para chegar nela, tinha que passar por uma pedra. Uma praia pequena e tranqüila. Aproveitamos muito ali.

Sempre ouvíamos falar do Radium Hotel. Ele era famoso, chique e grandioso. Ficava localizado em frente à Praia da Areia Preta.
Foi inaugurado em 1953 e mais tarde foi transformado em um dos maiores hotéis cassinos da Região Sudeste. Recebia constantemente celebridades, mas para nós, isto naquela época não era importante. Um tempo depois que foram proibidos os jogos de azar, o hotel entrou em colapso perdendo os clientes famosos e acabou indo a falência. Mais tarde, foi tombado pelo Patrimônio Histórico. Com certeza, nossos pais e tios freqüentaram o Hotel naqueles tempos áureos.
Estou postando algumas fotos retiradas da Internet, sendo: A 1ª do Siribeira, a 2ª Praia da Areia Preta, a 3ª Praia da Areia Preta, a 4ª Ponte que liga Muquiçaba a Guarapari (todas da década de 60), 5ª Radium Hotel, 6ª Praia das Virtudes (mais recentes) e 7ª Praia dos Namorados (Década de 60).








terça-feira, 22 de março de 2011

Férias de Guarapari

Vovô Gildo tinha uma casa em Guarapari e era comum irmos passar uma temporada lá. Passávamos por Muquiçaba, atravessávamos a ponte e chegávamos no lugarejo.

A casa era simples, mas a gente se divertia muito.

Na frente do terreno tinha uma casa, onde normalmente ficava meus avós e Tia Dalva e nos fundos uma edícula de 2 andares. Embaixo, tinha uma sala grande com mesa de madeira onde fazíamos as refeições.

No lado direito de quem olhava a casa de frente, ficava a escada que levava ao andar superior. Uma varanda em toda a extensão, um banheiro do lado direito (o engraçado é que a pia do banheiro ficava do lado de fora, rsrsrsrs) e 4 ou 5 quartos, não lembro bem, que acomodava cada família. Então cada filha de Vovô tinha um quarto grande onde a mobília dava para acomodar o casal e os filhos. As janelas davam para a Rua detrás.

A varanda era de ripas de madeira e do lado esquerdo, tinha uma rede onde a gente gostava de se balançar. E balançar para quando se é criança, é balançar alto. E foi numa destas “balançadas” que havia uma gilete numa das ripas e eu cortei a sola do pé. A maior tristeza era ficar sem ir a praia e ter que tomar injeção.

Falar em ir para Guarapari, era maravilhoso. A rua da nossa casa não tinha calçamento, e quando passava carro levantava um poeirão.

Na esquina ao lado dela, morava Tia Anunciata e Tio Joãozinho. Eles eram parentes de papai, e tinham uma menina que pegaram para criar chamada Eliza. Dizem que ela era filha de pescadores que morreram afogados enquanto pescavam. Teria sido encontrada nas pedras. Ela tinha uma doença grave. Cresceu pouco e ficava só deitada na cama. Mas sempre que íamos lá, parávamos perto do bercinho dela.

Tio Joãozinho tinha um armazém onde vendia de tudo. Desde arroz e feijão, até material de construção. Sempre que precisávamos de alguma coisa, íamos lá. Os filhos dele que me lembro o nome era João Paulo e Reginaldo.

Saindo da casa de Vovô, virávamos à direita para ir à praia. No meio da rua tinha uma árvore grande com uma fruta que não lembro o nome (mas acredito que Tia Heny lembre). A fruta era pequena, por fora e por dentro era um vermelho bem escuro, quase bordô. Quanto mais escuro melhor e tinha um caroço. Virávamos a esquerda e chegávamos à praça de onde descíamos para as praias dos Namorados, das Castanheiras e do Meio.

Se quiséssemos ir para a Praia das Virtudes, tínhamos que continuar a esquerda e atravessar uma pedra para chegar nela.

Além destas, tinha a Praia da Areia Preta, com suas areias monazíticas. Estas areias eram indicadas para os casos de reumatismo articular e muscular, de artrite deformante e qualquer enfermidades muscular além de insônia e inapetência.

Só o fato de estar em Guarapari já ajudava qualquer tratamento, uma vez que a radioatividade atuava no solo e no ar, beneficiando a todos que chegavam à cidade.

Depois da praia, voltamos morrendo de fome. Lembro muito bem de um caso que aconteceu lá. Vovó tinha feito um Vatapá (era delicioso) com um arroz branco quentinho. Normalmente, nem tomávamos banho depois da praia, simplesmente almoçávamos, brecávamos e depois ia para a praia novamente. Esta era nossa “rotina”. Bem, neste dia, eu almocei muito bem. A sobremesa era melado. Mamãe me serviu um pouquinho, eu comi, mas achei que era pouco. Então disse: Eu quero mais. Papai falou que eu não ia conseguir comer porque melado é muito doce, mas eu insisti, que queria mais. Então ele mandou que eu mesma servisse a quantidade que eu ia comer. A bobinha aqui, pegou um prato fundo e encheu até a marca do fundo do prato. Comi duas colheradas, e vi que não ia agüentar. Todos na mesa me olhavam e ninguém falava nada. Eu vi que minha situação estava difícil, então peguei farinha de mandioca e coloquei junto fazendo um pirão. Dei mais uma garfada, olhei para papai e disse que não ia conseguir comer. Ele se levantou e disse: “eu te avisei, agora você vai ter que comer de qualquer jeito para aprender”. Vovó e mamãe tentaram interferir, mas não adiantou. Me levou para fora (e o prato também). Colocava as colheradas na minha boca até terminar tudo. Não preciso nem dizer o que aconteceu, né? Passei mal e ele também. Acho que foi por isto que nunca mais esqueci aquele Vatapá delicioso.

O Carnaval em Guarapari também era uma festa. Mamãe comprava fantasia e lembro bem de eu e Denise fantasiadas de Havaiana. A saia de ráfia,  o colar e uma flor do cabelo bem colorida. Tenho uma foto que estou na rua em frente a casa e pareço mais uma índia. Telina era muito pequena (obvio que nós também, né?).

Meus pais nos levavam ao Siribeira, e por todo lugar que você passavamos, tinham blocos espalhados pelas ruas.

Amanhã vou tentar postar algumas fotos daquela época para ilustrar melhor.

domingo, 20 de março de 2011

Minha Infancia (segunda Parte)

Enquanto a casa era reformada, moramos em dois lugares: primeiro numa pequena rua próximo à Graciano Neves (que conhecíamos como a rua perto da Convertidora). Moramos neste endereço 1 ano.

Mudamos depois para a Praia do Canto, na Rua Fortunato Ramos, ao lado da Igreja Santa Rita de Cássia. Era uma casa grande, de esquina, dois andares, com quintal, onde tinha do lado direito, um pé de Fruta Pão e um lago pequeno onde papai criava pato.

         Nesta casa, tem algumas lembranças que foram inesquecíveis, como por exemplo:

Chegava do colégio no final da tarde, trocava o uniforme, e antes de sair na rua para brincar com as amigas, “assava” um pão francês espetado num garfo na chama do gás (ficava uma delicia!).

O aquecedor era a gás e ficava dentro do banheiro. Um dia ao tomar banho para ir para o colégio, percebi que o aquecedor não estava aceso. Então adicionei álcool direto da garrafa. O fogo que estava baixo em contato com o álcool, fez um barulho e eu achei que ia explodir tudo. Sai correndo para a rua gritando que a casa ia explodir. Quando dei por mim, não tinha acontecido nada e eu estava totalmente sem roupa no meio da rua. Neste dia, não consegui ir para o Colégio de tanta vergonha.

Um domingo de manhã, papai e mamãe tinham ido à missa na Igreja Santa Rita de Cássia, e nós três ficamos em casa, brincando. A brincadeira que nos divertia, era trancar uma de nós dentro do guarda-roupa para ver quem agüentava mais tempo lá dentro. Já tínhamos feito isto varias vezes, e chegou a vez de Telina entrar no armário. Quando ela bateu para que abríssemos, a chave emperrou e não conseguimos abrir. Ela dizia que estava ficando sem ar. Não tivemos alternativa a não ser entrar correndo dentro da Igreja e dizer para nossos pais que Telina estava morrendo. A gente era um tanto quanto dramática.

No dia de Páscoa, papai escondia os chocolates no jardim e nós saímos a procura. Era muito divertido.

sábado, 19 de março de 2011

Minha Infancia (Primeira Parte)

         Papai era Simões (descendente de Português) e mamãe Zorzanelli (descendente de Italiano).

         Meu pai tinha 2 irmãs (Tia Tetê e Tia Marília) e 1 irmão (Tio Marcos). Meus avós eram: Vovô Simões e Vovó Quinha.

         Minha mãe tinha uma família maior: Eram 4 irmãs (Tia Dalva, Tia Arlethe, Tia Odete e Tia Heny e 1 irmão (Tio Arildo). Meus avós eram: Vovô Gildo e Vovó Telina.

         Pelas histórias contadas ao longo dos anos, quase nasci mineira. Meus pais e minha irmã mais velha, Denise, moravam em Governador Valadares, onde meu pai trabalhava na Vale do Rio Doce.

         Próximo ao meu nascimento, chegaram a conclusão que o melhor seria mamãe vir ganhar o bebê em Vitoria, pois assim estaria ao lado dos pais e irmãs, porém a dificuldade estava em embarcar uma grávida com mais de 8 meses. Afinal, conseguiram embarcar mamãe e eu vim nascer em Vitória-ES, mais  precisamente na casa dos meus avós maternos, que ficava na Ladeira Santa Clara nº 174. Quem fez o parto foi Vovó Maria, mãe de Vovô Gildo.

         Meu pai, por força do trabalho, não pode estar junto neste momento, mas meu avô paterno enviou um telegrama para ele, onde dizia: “Rita Cassia chegou. Tudo muito bem. Abrs Newton”.  

         Voltamos para Governador Valadares onde moramos mais 2 anos. Papai construiu uma casa em Jucutuquara, na Av. Maruipe e foi numa casa branca com um arco na varanda que Telina, minha irmã mais nova nasceu. Apesar de pequena, lembro da Tia Marília e da Tia Jandira.

         Papai resolveu vender a casa de Maruipe e reformar uma casa que ele tinha comprado da Tia Hilda, que ficava na Rua Santo Antonio, n. 86 na Ladeira Santa Clara. Esta rua ficava nos fundos da casa onde nasci e que pertencia a  Vovô Gildo e Vovô Telina.

sexta-feira, 18 de março de 2011

18/03/2011 - Realização de um velho sonho

Faz tempo que acalento um sonho ... escrever minhas recordações, mas apesar de ter esta vontade, não sabia nem por onde começar.

Eis que um dia, recebi a noticia que uma tia querida tinha criado um Blog onde contava suas historias para os netos. Ai pensei ... poxa, talvez este seja o caminho, parece mais simples do que escrever um livro, rsrsrs (que pretensão a minha). Todos os dias, esperava ansiosa para ler o que ela havia postado. A cada referência a fatos que vivenciei,  pensava em como nossa vida era simples e feliz.

Então tia Heny, não se zangue por eu estar aproveitando sua idéia e até citando alguns trechos no meu relato, é que realmente gostei muito da sua maneira de contar histórias.

Era uma vez ...

Não vivo do passado, mas me sinto muito bem ao recordá-lo, talvez por ter sido uma época muito feliz!

         Além dos meus pais, minha família era composta de mais duas irmãs. Eu sou a do meio.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Inaugurando uma nova forma de expressar sentimento...

Olá amigos. Olá família. Olá pessoas que navegam nesse mar de informações.

Começo agora a postar nesse blog que criei para partilhar com vocês um pouco de como penso e um pouco de como vejo o mundo.

Não liguem se algum dia notarem muita alegria ou talvez uma leve tristeza em minhas palavras. Este blog, pra mim, será uma espécie de livro de memórias, diário digital ou algo similar.

Sintam-se a vontade e espero que de certa forma, eu possa contribuir para o pensar e agir de cada um de vocês.

E é com um pensamento de Paulo Coelho que dou início a uma série de textos que escreverei ao longo do tempo.

Desde já meu muito obrigado por acessar o blog.

"Todos os dias Deus nos dá um momento em que é possivel mudar tudo o que nos deixa infelizes. O instante mágico é o momento em que um "sim" ou um "não" pode mudar toda nossa existência" (Paulo Coelho)