Apesar de termos nossas obrigações desde cedo, tais como manter o quarto e as roupas arrumadas, fazer os deveres de casa e ir ao colégio, no final da tarde, antes do jantar e depois deste, nos era permitido brincar em frente de casa.
Criatividade era algo que as crianças daquela época tinham de sobra. Sempre alguém tinha uma idéia de uma brincadeira e outra e com isto o tempo passava rapidinho.
Uma delas era a brincadeira de “Passa Anel”, e era assim que funcionava.
Primeiro era escolhido o passador do anel, depois sentávamos todos na calçada, menos o passador. Ficávamos com as mãos unidas, palma com palma. O passador então iniciava a brincadeira passando sua mão, também fechada com o anel entre elas, entre a mão de cada criança, deixando cair o anel aleatoriamente na mão de uma delas, sem que ninguém perceba. Após passar por todas, escolhe uma e pergunta: “Com quem você acha que está o anel?” Se acertar, será o novo passador, se errar, deverá pagar uma prenda (castigo) que os jogadores escolherem. O passador repete a pergunta até alguém acertar.
Uma outra brincadeira, era chamada de “Estátua”. Era escolhido um mestre que controlava a brincadeira. Faziamos uma roda e o mestre começava a cantar uma cantiga. Enquanto nós faziamos a roda andar. A cantiga poderia ser: “Atirei o pau no gato, to, to, mas o gato, to, to, não morreu, reu, reu, D. Chica, ca, ca, admirou, se, se, o berro, o berro que o gato deu”. Quando achava melhor e em qualquer tempo, o mestre parava de cantar e dizia: “Estátua”. Os jogadores ficavam em posição de estátua, sem se mexer e o mestre tentava fazer caretas e brincadeiras para ver quem se mexe ou ri primeiro. Só não valia fazer cócegas. Quem se mexia ou ria primeiro, pagava uma prenda e ia para o lugar do mestre.
As brincadeiras de roda também eram muito boas. Faziamos uma roda, todas de mãos dadas, e assim iamos cantando as cantigas de roda que conheciamos tais como:
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Aqui na minha mão
Não cai, não
Não cai, não
Não cai, não
Cai na rua do sabão
Cai, cai, balão
Aqui na minha mão
Não cai, não
Não cai, não
Não cai, não
Cai na rua do sabão
Capelinha de Melão
I
Capelinha de melão é de São João
É de cravo, é de rosa, é de manjericão
Capelinha de melão é de São João
É de cravo, é de rosa, é de manjericão
II
São João está dormindo, não acorda, não
Acordai, acordai, acordai, João
São João está dormindo, não acorda, não
Acordai, acordai, acordai, João
O pião entrou na roda
O pião entrou na roda, o pião
O pião entrou na roda, o pião
O pião entrou na roda, o pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E abana o dia inteiro, pião
E abana o dia inteiro, pião
E abana o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Pezinho
Ai, bota aqui
Ai, bota ali
O seu pezinho.
O seu pezinho bem juntinho
Igual ao meu.
Ai, bota ali
O seu pezinho.
O seu pezinho bem juntinho
Igual ao meu.
E depois não vá dizer
Que você me esqueceu.
Que você me esqueceu.
Pirulito que bate, bate
Pirulito que bate, bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu.
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu.
E tinha aquela que declamávamos.
“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão, mamãzinha quando dorme, põe a mão no coração”
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