segunda-feira, 28 de março de 2011

A Infância na Santa Clara (Parte 2)

         Apesar de termos nossas obrigações desde cedo, tais como manter o quarto e as roupas arrumadas, fazer os deveres de casa e ir ao colégio, no final da tarde, antes do jantar e depois deste, nos era permitido brincar em frente de casa.

         Criatividade era algo que as crianças daquela época tinham de sobra. Sempre alguém tinha uma idéia de uma brincadeira e outra e com isto o tempo passava rapidinho.

         Uma delas era a brincadeira de “Passa Anel”, e era assim que funcionava.

         Primeiro era escolhido o passador do anel, depois sentávamos todos na calçada, menos o passador. Ficávamos com as mãos unidas, palma com palma. O passador então iniciava a brincadeira passando sua mão, também fechada com o anel entre elas, entre a mão de cada criança, deixando cair o anel aleatoriamente na mão de uma delas, sem que ninguém perceba. Após passar por todas, escolhe uma e pergunta: “Com quem você acha que está o anel?”  Se acertar, será o novo passador, se errar, deverá pagar uma prenda (castigo) que os jogadores escolherem. O passador repete a pergunta até alguém acertar.

            Uma outra brincadeira, era chamada de “Estátua”. Era escolhido um mestre que controlava a brincadeira. Faziamos uma roda e o mestre começava a cantar uma cantiga.  Enquanto nós faziamos a roda andar. A cantiga poderia ser: “Atirei o pau no gato, to, to, mas o gato, to, to, não morreu, reu, reu, D. Chica, ca, ca, admirou, se, se, o berro, o berro que o gato deu”. Quando achava melhor e em qualquer tempo, o mestre parava de cantar e dizia: “Estátua”. Os jogadores ficavam em posição de estátua, sem se mexer e o mestre tentava fazer caretas e brincadeiras para ver quem se mexe ou ri primeiro. Só não valia fazer cócegas. Quem se mexia ou ria primeiro, pagava uma prenda e ia para o lugar do mestre.

            As brincadeiras de roda também eram muito boas. Faziamos uma roda, todas de mãos dadas, e assim iamos cantando as cantigas de roda que conheciamos tais como:

Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão
Aqui na minha mão
Não cai, não
Não cai, não
Não cai, não
Cai na rua do sabão

Capelinha de Melão
I
Capelinha de melão é de São João
É de cravo, é de rosa, é de manjericão
II
São João está dormindo, não acorda, não
Acordai, acordai, acordai, João

O pião entrou na roda
O pião entrou na roda, o pião
O pião entrou na roda, o pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Sapateia o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
E ajoelha o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião
E abana o dia inteiro, pião
E abana o dia inteiro, pião
Roda, pião; bambeia, pião
Roda, pião; bambeia, pião

Pezinho
Ai, bota aqui
Ai, bota ali
O seu pezinho.
O seu pezinho bem juntinho
Igual ao meu.
E depois não vá dizer
Que você me esqueceu.

Pirulito que bate, bate
Pirulito que bate, bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu.

         E tinha aquela que declamávamos.
“Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão, mamãzinha quando dorme, põe a mão no coração”

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