domingo, 27 de março de 2011

A Infancia na Santa Clara

A reforma da casa da Santa Clara estava pronta. Era uma casa pequena, porém agradável. Ela ficava na Rua Santo Antonio n. 86, numa rua sem saída. A casa era dividida assim: no lado esquerdo, uma sala de jantar, cozinha grande, uma lavanderia, um banheiro e um quarto. No lado direito, uma varanda, com uma porta de correr que dava na sala de visita, onde tinha uma janela do outro lado, um pequeno corredor que levava ao quarto dos meus pais, nosso quarto e o banheiro.

         Na sala de visita, havia uma parede em “L” que papai mandou pintar de “vermelho cor de Vinho”, sendo o resto da sala um creme bem claro. No quarto do casal, uma grande janela tinha a vista para o inicio da Ladeira e para uma parte da cidade. Nele, havia uma cama de casal, duas mesinhas de cabeceira e um armário embutido. No nosso quarto, 3 camas iguais e um armário com 3 portas no mesmo estilo das camas. A janela dava para o quintal da casa do Vovô Gildo. As peças do banheiro eram pretas e tinha uma banheira que ficava na parede da basculante que dava para a rua.

         A casa era a última da rua. Depois dela, existia um muro baixo com um grande portão onde entrava para o que chamávamos de “caixa d’água”. Existiam duas enormes construções de concreto, elevadas, onde podíamos chegar através de escada e andar por cima desta grande caixa de concreto. Um lance abaixo, em toda a extensão da “caixa” havia várias portas que deveria servir para manutenção.

         Papai mandou fazer um banco, pintado de branco que foi colocado rente a este muro, na nossa calçada.

         Eu era pequena quando mudamos para esta casa, mas desde cedo, sempre soubemos aproveitar a maravilha que era morar ali.

         Quem subia a Ladeira Santa Clara, passava defronte a casa de Vovô Gildo, subia mais um pouco e virava à direita sendo esta a rua que morávamos. Nossos vizinhos eram: Na esquina, Sr. Zanotti, depois a casa do Sr. Eloi e D. Dora, que tinha uma filha chamada Ieda. Brincávamos juntas e ela foi a melhor amiga de Denise. A seguir vinha a casa de seu Getulio e D. Lezir. Eles tinhas 4 filhas 9que não lembro os nomes), mas brincávamos todos junto. Depois vinha o muro da casa de Vovô, um portão para entrar no quintal e nossa casa.  Do outro lado da rua, lá no inicio, em frente a casa do Sr. Zanotti, só tinha uma casa grande que era dos pais de Rosa Áurea.  Depois da casa de Rosa Áurea, começava a cerca baixa da Companhia de Água que ia até o final da rua.

         Luiza Helena, morava na Ladeira na altura da entrada da nossa rua. Um pouco mais acima, morava Tia Dalva e Tio Otto e os filhos, Regina Dalva e Ralph.
        
         As brincadeiras eram sempre em frente da nossa casa. Primeiro, porque papai não permita que saíssemos dali e depois por ser final da rua, ninguém incomodava. Como não existia televisão, as brincadeiras eram as mais diversas. Em frente a nossa casa, tinha uma cerca de arame farpado que delimitava a propriedade da Companhia de água. Gostávamos de passar por entre estes arames e procurar nos matos baixos que tinha por ali, joaninhas coloridas, as quais eram colocadas dentro de vidros. Depois, na varanda de casa, contávamos para ver quem pegou mais. Além disso, havia os vagalumes que brilhavam e as cigarras que cantavam.

         Nós estudávamos no Colégio Americano, o mesmo que estudaram meus pais. Nosso horário era à tarde e íamos e voltávamos juntas. Cortávamos caminho, por uma rua que tinha no meio da Ladeira, passávamos em frente a igreja, descíamos uma enorme escada e chegávamos ao Colégio. Numa determinada época, nos deparamos com duas meninas trajando uniforme do Grupo Escolar (saia vermelha e blusa branca) e nós com o uniforme do Colégio que era saia cinza chumbo e camisa branca. Na descida da escadaria, quase chegando ao Colégio, estas meninas ficavam paradas esperando a gente passar e diziam: “Lá vai o bolão, reco-reco e azeitona”. A gente morria de medo de passar por ali, mas era o caminho mais curto.

         Tínhamos uma ajudante em casa que se chamava D. Percilia. Um senhora bem gorda, morena e muito carinhosa com a gente. Em dias de chuva, na volta do colégio, fazíamos questão de passar nas poças de água. Chegávamos em casa encharcadas. Mamãe mandava todas para o banho quente, Esfregava nossos pés com álcool para aquecer, e D. Percilia preparava uma xícara de leite queimado bem quente polvilhado com canela. Era uma delicia! Quando papai chegava, nós já estávamos prontas para jantar.

         Todos os domingos, papai nos acordava cedo para irmos juntos a missa das 9 horas na Igrejinha próximo de casa. Íamos e voltávamos a pé. Somente depois que voltávamos da missa é que poderíamos brincar. Adorávamos brincar de cozinhado. Mamãe às vezes nos dava um punhadinho de arroz e fazíamos num fogão improvisado de tijolos. Se não tínhamos o arroz, picávamos manga ou abacate e brincávamos do mesmo jeito.

2 comentários:

  1. Adorei!!!!Me vi pequena, e muito feliz! Já pensava, anos depois em "catar" um quarto para mim.Lembrei de Sr. Medonça, nos dando guando, um feijãozivho verde, e melancia.Revi, não sei nesta epoca a casa da passadeira de mamãe, que morava no terreno da caixa dágua.Ode estara Ieda, e os filhos de Sr. Getulio? Rosaaurea, tive noticia a alguns anos, que tinha ficado viuva! Irmã esta, uma delicia.Lembra dos moveis da sala? Como eram modernos.E quando papai comprou a televisãoi...Quanta história vem por aí.Beijos, te amo,
    Denise
    NB O banco era verde

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  2. Nossa, irmã! Quantas saudades desse tempo! É muito bom recordar... Estou ansiosa aguardando mais estórias... Tem tanta coisa ainda... Beijos.

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