terça-feira, 22 de março de 2011

Férias de Guarapari

Vovô Gildo tinha uma casa em Guarapari e era comum irmos passar uma temporada lá. Passávamos por Muquiçaba, atravessávamos a ponte e chegávamos no lugarejo.

A casa era simples, mas a gente se divertia muito.

Na frente do terreno tinha uma casa, onde normalmente ficava meus avós e Tia Dalva e nos fundos uma edícula de 2 andares. Embaixo, tinha uma sala grande com mesa de madeira onde fazíamos as refeições.

No lado direito de quem olhava a casa de frente, ficava a escada que levava ao andar superior. Uma varanda em toda a extensão, um banheiro do lado direito (o engraçado é que a pia do banheiro ficava do lado de fora, rsrsrsrs) e 4 ou 5 quartos, não lembro bem, que acomodava cada família. Então cada filha de Vovô tinha um quarto grande onde a mobília dava para acomodar o casal e os filhos. As janelas davam para a Rua detrás.

A varanda era de ripas de madeira e do lado esquerdo, tinha uma rede onde a gente gostava de se balançar. E balançar para quando se é criança, é balançar alto. E foi numa destas “balançadas” que havia uma gilete numa das ripas e eu cortei a sola do pé. A maior tristeza era ficar sem ir a praia e ter que tomar injeção.

Falar em ir para Guarapari, era maravilhoso. A rua da nossa casa não tinha calçamento, e quando passava carro levantava um poeirão.

Na esquina ao lado dela, morava Tia Anunciata e Tio Joãozinho. Eles eram parentes de papai, e tinham uma menina que pegaram para criar chamada Eliza. Dizem que ela era filha de pescadores que morreram afogados enquanto pescavam. Teria sido encontrada nas pedras. Ela tinha uma doença grave. Cresceu pouco e ficava só deitada na cama. Mas sempre que íamos lá, parávamos perto do bercinho dela.

Tio Joãozinho tinha um armazém onde vendia de tudo. Desde arroz e feijão, até material de construção. Sempre que precisávamos de alguma coisa, íamos lá. Os filhos dele que me lembro o nome era João Paulo e Reginaldo.

Saindo da casa de Vovô, virávamos à direita para ir à praia. No meio da rua tinha uma árvore grande com uma fruta que não lembro o nome (mas acredito que Tia Heny lembre). A fruta era pequena, por fora e por dentro era um vermelho bem escuro, quase bordô. Quanto mais escuro melhor e tinha um caroço. Virávamos a esquerda e chegávamos à praça de onde descíamos para as praias dos Namorados, das Castanheiras e do Meio.

Se quiséssemos ir para a Praia das Virtudes, tínhamos que continuar a esquerda e atravessar uma pedra para chegar nela.

Além destas, tinha a Praia da Areia Preta, com suas areias monazíticas. Estas areias eram indicadas para os casos de reumatismo articular e muscular, de artrite deformante e qualquer enfermidades muscular além de insônia e inapetência.

Só o fato de estar em Guarapari já ajudava qualquer tratamento, uma vez que a radioatividade atuava no solo e no ar, beneficiando a todos que chegavam à cidade.

Depois da praia, voltamos morrendo de fome. Lembro muito bem de um caso que aconteceu lá. Vovó tinha feito um Vatapá (era delicioso) com um arroz branco quentinho. Normalmente, nem tomávamos banho depois da praia, simplesmente almoçávamos, brecávamos e depois ia para a praia novamente. Esta era nossa “rotina”. Bem, neste dia, eu almocei muito bem. A sobremesa era melado. Mamãe me serviu um pouquinho, eu comi, mas achei que era pouco. Então disse: Eu quero mais. Papai falou que eu não ia conseguir comer porque melado é muito doce, mas eu insisti, que queria mais. Então ele mandou que eu mesma servisse a quantidade que eu ia comer. A bobinha aqui, pegou um prato fundo e encheu até a marca do fundo do prato. Comi duas colheradas, e vi que não ia agüentar. Todos na mesa me olhavam e ninguém falava nada. Eu vi que minha situação estava difícil, então peguei farinha de mandioca e coloquei junto fazendo um pirão. Dei mais uma garfada, olhei para papai e disse que não ia conseguir comer. Ele se levantou e disse: “eu te avisei, agora você vai ter que comer de qualquer jeito para aprender”. Vovó e mamãe tentaram interferir, mas não adiantou. Me levou para fora (e o prato também). Colocava as colheradas na minha boca até terminar tudo. Não preciso nem dizer o que aconteceu, né? Passei mal e ele também. Acho que foi por isto que nunca mais esqueci aquele Vatapá delicioso.

O Carnaval em Guarapari também era uma festa. Mamãe comprava fantasia e lembro bem de eu e Denise fantasiadas de Havaiana. A saia de ráfia,  o colar e uma flor do cabelo bem colorida. Tenho uma foto que estou na rua em frente a casa e pareço mais uma índia. Telina era muito pequena (obvio que nós também, né?).

Meus pais nos levavam ao Siribeira, e por todo lugar que você passavamos, tinham blocos espalhados pelas ruas.

Amanhã vou tentar postar algumas fotos daquela época para ilustrar melhor.

2 comentários:

  1. Irmã,

    Estou "doida" para ver as fotos! Lembrei das ferias em Guarapari, e foi ótimo! Que tempo bom!
    Beijos,
    Denise

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  2. Que saudades daquele tempo... como a gente era feliz e nem sabia, né??? Nenhuma preocupação... só comer, brincar e dormir... Lembrei perfeitamente da casa de Guarapari. Pude vê-la claramente... Beijos. Tê

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