quarta-feira, 15 de junho de 2011

Meu primeiro emprego

         Quando estava fazendo o 3º ano do Curso Técnico de Secretariado, era obrigatório fazer estágio e fui indicada pelo Colégio Americano para estagiar na Companhia Ferro e Aço de Vitória – COFAVI. Meu estágio durou 6 meses. Estudava pela manhã e à tarde ia para o trabalho. Como me sai bem no estágio, me sugeriram que eu participasse dos testes de aptidão.

Comentei em casa com meus pais e as palavras do meu Pai foram as mesmas já ditas para Denise: “Você é quem sabe. Acho que deveria cursar uma faculdade e eu posso custear suas despesas, porém se decidir trabalhar fora suas despesas pessoais deverão ser arcadas por você”. Eu optei por trabalhar. O Sr. Paulo Fundão, grande amigo de Papai, naquela ocasião era Relações Publicas da empresa, mas Papai já foi adiantando que não usaria de sua amizade para pedir nada. Fiz todos os testes (Português – Matemática – Conhecimentos Geais e exame psicotécnico), juntamente com outros candidatos. Estava apreensiva mas também confiante. Alguns dias depois saiu o resultado e a vaga era minha. Comecei no dia 18/03/1969, como ajudante da Secretária do Diretor Industrial. Celi era extremamente competente assim como era muito exigente com aqueles que trabalhavam com ela. Ela participava das reuniões de diretoria e tinha que elaborar a ata com os assuntos tratados na mesma. Quando sai da reunião, passava o rascunho para que eu datilografasse, em 8 vias (sendo a primeira em papel sulfite e as 7 cópias em papel seda com carbono). A máquina era uma IBM elétrica, com esfera e corretivo. Às vezes errava uma letra e apagava com o corretivo na primeira folha, mas as demais não tinha como. Celi fazia eu datilografar tudo novamente e quantas vezes fosse necessário para não ter nenhum erro. Mas foi graças a ela que aprendi a fazer um trabalho bom e de qualidade.

Saía de casa muito cedo (no inverno ainda escuro), pois morava na Jerônimo Monteiro na altura da Esplanada e o ponto do ônibus para Jardim América onde ficava a Usina era em frente ao Cine Santa Cecília próximo ao Parque Moscoso. Não tinha ônibus que me levasse até este ponto, então ia a pé. Entrava às 7 horas da manhã e o expediente terminava às 17 horas. Chegava em casa já estava anoitecendo. Desde cedo, procurei sempre me espelhar nas atitudes de Papai com relação ao trabalho, cumprir o horário rigorosamente, valorizar seu dinheiro, mostrar interesse, etc...  

         Como adquiri um pouco de pratica no estágio, comecei a ser requisitada para substituir as secretarias que saiam de férias ou de licença maternidade. Com o tempo, fui mostrando meu trabalho. Gostava quando substituía a Secretária do Setor Jurídico que funcionava no prédio ao lado do Fabio Ruschi. Nestas ocasiões, eu ficava bem próxima de casa. A empresa tinha um sistema de promoção, que consistia no seguinte: de 3 em 3 anos era feita uma avaliação do funcionário, considerando vários itens como assiduidade, responsabilidade, interesse, iniciativa, etc). Se sua avaliação fosse boa, você seria promovida por merecimento, caso contrário, você demoraria 5 anos para ser promovida por antiguidade. Eu sempre dei sorte pois todas as minhas promoções foram por merecimento. Continuei desempenhando satisfatoriamente minhas funções de “Regra 3 (substituta), até que criaram um Setor chamado de “Assessoria da Diretoria Industrial” e quem assumiu esta função foi o Engº Carlos Alberto que por sua vez me convidou a ser sua secretária. Fui trabalhar definitivamente na sala da secretária da Diretoria Industrial, onde eu atendia este Engenheiro e a Lindalva, uma grande amiga, atendia o Diretor.

         Gostava de trabalhar ali e me dava bem com o pessoal. Fazia parte do time de Vôlei da Associação dos Funcionários.

         Somente os funcionários que tinham carro registrado na portaria podiam  entrar. O percurso era de mais ou menos 1 Km para chegar ao escritório administrativo. Paralela a esta rua, ficava a usina de Laminação que ocupava toda a extensão. Eu não tinha carro e namorava um rapaz que me proibia de pegar carona. Então o meu percurso era feito sempre a pé ida e volta. Os amigos sempre paravam para oferecer carona, mas a resposta era sempre a mesma: “Não obrigada, eu gosto de caminhar”. Mas no fundo, todos sabiam que Marco Aurélio não permitia caronas. Algumas vezes ele me levava até a portaria ou me pegava na saída e assim todos ficavam sabendo que realmente eu não iria mudar meu pensamento.

         Participamos de muitos casamentos do pessoal que trabalhava ali. Saudades de quem deixei para trás, como Lindalva, Marinete, Reboli, Martinha, Zuleica, Aparecida, Linir e tantas outras.

         Trabalhei nesta empresa por sete anos e meio, e fiquei triste quando precisei sair. 


Tomada da Usina - Escritório Adminsitrativo e Refeitorio na parte inferior



Eu e minha amiga Lindalva na lateral do Esc. Administrativo

Recepcionando pessoal da Alemanha


Rita num minuto de folga - Secretaria do Controle da Qualidade


Com a blusa verde da minha irmã que eu adorava (lembra dele Dê?)


Rita com a camiseta vermelha - Treino de Volei

3 comentários:

  1. Irma,

    Dá uma saudade, não é? Como foi bom nos espelharmos, em papai! Acho, que trabalhavamosmelhor, você até hoje, por isto.É uma atitude honesta, e vale para toda a vida.
    Bom, claro que reconheci a minha blusa! Mas ficava linda em você!Saudades, e mais saudades....Mas, " o tempo bom, não volta, mais...".Devemos procurar fazer deste tempo, agora, tão bom quanto aquele."E a gente vai levando, a gente vai levando..."
    Beijos,

    Denise

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  2. Irmã, lembro tanto vc trabalhando na COFAVI. Sempre, na Fundição, faziam uns brindes que, quando vc ganhava, eu achava maravilhosos, lembra? Quanta coisa boa aprendemos com papai, não é? Ensinamentos que, nós três, levamos pela nossa vida inteira e só nos fez melhores a cada dia. Beijos com amor. Tê.

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  3. Minhas queridas irmãs, obrigada pelas palavras carinhosas. É graças ao incentivo de vocês que estou quase terminando este Blog. O tempo passou e está passando, mas as recordações, muitas delas escritas aqui, ficarão para sempre em nossas memórias. Adoro vocês, viu? Beijo com carinho.

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