domingo, 19 de junho de 2011

Meu Caminho

Eu e Marco Aurélio começamos a namorar em 1968. Ele foi meu primeiro namorado. Morava com os pais e irmãos num sobrado onde embaixo tinha um comércio de gêneros alimentícios que detinham a representação. Nosso apartamento era em frente ao sobrado dele. Por ser muito fácil controlar (que horas foi dormir, que horas acordou), isto gerou muitos desentendimentos.

Telina já namorava o Sérgio e a Vilma, minha grande amiga, namorava o Elsinho, irmão de Marco Aurélio. Mesmo namorando firme, nosso horário continuava sendo controlado por Papai. Tinha os dias certos para namorar, os horários a serem cumpridos e quando saíamos para dançar na FAFI (que ficava na mesma rua onde morávamos), também tínhamos hora para voltar. Da janela do apartamento, dava para avistar a FAFI. Quando o relógio marcava 23 horas, tínhamos que estar em casa, então sempre saiamos um pouquinho antes para caminharmos devagar até chegar em casa. Mas ao longo, a gente já avista Papai fumando na janela. As luzes todos apagadas e só dava para perceber o cigarro aceso. Não tínhamos  tempo nem para um beijo mais demorado na porta do prédio, pois ele esperava chegarmos no prédio e ia até o elevador verificar se já tínhamos chamado o mesmo para subir.

O namoro começou tranqüilo e como todo casal normal, algumas vezes brigávamos por ciúme de ambas as partes. Nos sábados, quando não saiamos e ficávamos namorando na escada, com Telina e Sergio nas cadeiras (ou visse versa), depois que o relógio despertava às 21:30 hs (hora para os namorados irem embora), Marco Aurélio e Sergio, muitas vezes, saiam para aproveitar um pouco mais a noite. Quando ficava sabendo, era briga na certa, assim como também brigávamos quando eu pegava carona para ir ou vir do trabalho. Em festas ou no Carnaval, qualquer deslize era motivo para desconfiança e ciumeira. Mas tínhamos também a época de tréguas. Gostávamos de sair em turma e mesmo depois que Telina casou e Vilma e Elsinho terminaram, saíam conosco a Valeria (irmã de Marco Aurélio), Tereza e Luiza (irmãs do Sergio), Vilma, Catarina, etc...

Como Marco Aurélio trabalhava no sábado até a hora do almoço, algumas vezes íamos para a Praia e mais tarde nos encontrávamos lá. À noite, apreciávamos ir ao Bar Atlântica, do Osmar na Praia da Costa. Minha pedida era sempre a mesma: um Daiquiri, quibe frio e pastelzinho de camarão. Naquela ocasião, tomava apenas um aperitivo e nunca tomava cerveja. Jamais ficar alterada por causa da bebida.

Fomos padrinhos do casamento de Telina e Sergio em Vitoria e de Denise e Adelino em São Paulo. Ficamos noivos, quando morávamos na Rua 13 de Maio. Lembro ainda o vestido que usava (um vestido de crepe cor perola com detalhes pequenos em azul). Na verdade, as famílias, minha e dele, já se conheciam da Ladeira Santa Clara, quando foram vizinhos. Sempre achei que os pais dele não faziam muito gosto no namoro, talvez por eu ser um ano mais velha que ele, ou talvez por eu sempre ter trabalhado e de certa maneira, não dependia de ninguém para comprar minhas coisas. Ainda assim, fizemos tudo conforme mandava o figurino. Foi uma reunião muito intima somente com a presença das duas famílias. D. Nair preparou tudo que foi servido e naquela noite, fui dormir achando que era a pessoa mais feliz do mundo. Comecei a comprar meu enxoval, todo ele adquirido na “A Madeireira”, jogos de lençol, jogos de banho, toalha de bandeja, jogos americanos, toalha de mesa, cobertor, etc... A loja era maravilhosa e tinha produtos de alta qualidade (tanto é verdade, que ainda hoje possuo jogos de lençol, comprados naquela ocasião). Adquirimos um terreno nas imediações do Morro de Santa Luzia e onde pensávamos que construir um dia.

2 comentários:

  1. Irmã,

    Era um tempo muito bom! Mas acho que Deus cuidou muito bem de você.Te protejou muito, senão você não teria esta fámilia linda que voce tem..Isto sõ bençãos!
    Por falar em casamento, amanhã faço 37 anos de casada!E vamos nós, apesar dos pesares, sou feliz!

    Beijos, te amo,
    Denise

    ResponderExcluir
  2. Minha irmã, concordo plenamente com você. Deus sempre mostra o caminho a seguir, mas nem as pessoas tem o dom de enxergar. Eu tive esta sorte! Nossa, 37 anos de casada e escrevendo estas historias, parece que foi ontem. Você merece ser feliz sempre. Obrigada pelo carinho! Amo muito vocês. Bjs

    ResponderExcluir