quinta-feira, 23 de junho de 2011

E a vida continua ...

       Naquele momento, parecia que estava vivendo um pesadelo. Queria acordar mas não conseguia. Alguém me deu um copo com água e um comprimido. Me senti alheia a tudo, completamente “congelada” por dentro, sem saber o que pensar. Lembro que Denise me perguntou: “E agora, o que você pretende fazer?” E no mesmo momento eu respondi: “Vou embora para Curitiba”. Todos concordaram, talvez para me dar um alento. Na terça-feira, acordei cedo e fui para a COFAVI. Não comentei nada com ninguém. Arrumei minhas coisas, ajeitei minha mesa, avisei que tinha uma consulta médica e que não iria trabalhar à tarde e na hora do almoço fui embora. Marquei hora do salão, cortei o cabelo e arrumei as unhas. Meu cunhado Adelino providenciou minha passagem num vôo da Transbrasil.



Era a primeira vez que viajava de avião e justo naquela situação. Nem me lembro de ter curtido a viagem. Também foi Adelino quem providenciou  dois vouchers do Banco do Brasil para que eu descontasse quando precisasse. Antes de sair de Vitoria, fiz reserva num hotel em Curitiba, onde Telina e Sergio já haviam ficado. Cheguei no aeroporto, peguei um taxi, me instalei e só então a minha ficha caiu. Estava eu sozinha numa cidade enorme e que não conhecia. Pensei comigo o que tinha feito da minha vida. Largar minha família, meu trabalho, meus amigos e vir parar numa cidade tão longe. Sai do hotel e fui dar uma volta para tentar espairecer. Andava pelas ruas sem ver sequer um rosto conhecido que me dissesse “bom dia”. Ninguém prestava atenção ao meu sofrimento, que a meu ver, estava estampado em meu rosto. O frio congelava até os ossos.

Lembro que sentava num banco na Praça Zacarias, e ficava observando as pessoas passarem, imaginando quantas delas estavam felizes ou sofrendo por alguma desilusão. Então resolvi comprar o jornal e procurar um emprego. Achei um, de Recepcionista para um evento que aconteceria em Ponta Grossa, mas o recrutamento seria por uma agência instalada em Curitiba. No local, preenchi uma ficha e fui chamada para entrevista. Quem me entrevistou foi uma moça chamada Carmem. Entre varias perguntas, ela me pediu se eu tinha traje a rigor.  Expliquei para ela minha situação, porque estava ali e o que tinha acontecido comigo. Por uma graça divina ela era de Cachoeiro do Itapemirim e se prontificou a me ajudar a arranjar outro trabalho. No dia seguinte apareceu a oportunidade numa empresa que prestava serviço para o BADEP.  Era um emprego temporário mas comecei a trabalhar imediatamente. Esta empresa ficava na Emiliano Perneta bem no Centro. Gostava de trabalhar ali. Ninguém me conhecia muito menos a minha historia e assim conseguia evitar as  perguntas.

         Sabia que Tia Marília e Alceu moravam em Curitiba, mas não fui procurá-los porque não queria incomodar ninguém. Tinha que tentar resolver as coisas sozinha.

         Papai tão logo chegou de viagem, ficou sabendo do acontecido. Ficou muito preocupado e me ligava sempre na hora das refeições. Algumas vezes colocava um amigo dele que era Psicólogo para conversar comigo e “sentir” como estava meu estado de animo. Tia Dalva ligou para uma sobrinha de Tio Otto, Sonia, que era casada com Leôncio e pediu para ela ir me ver. Na verdade eu não queria conversar com ninguém, mas sabendo que todos estavam preocupados comigo, me forcei a descer e atender. Disse que tinha uma amiga da minha idade, que era também de Vitória e que iria pedir para ela vir conversar comigo, quem sabe me faria bem desabafar com alguém. No dia seguinte, me procurou a Nancy que estudou anos no Colégio Americano e foi colega de turma de Denise. Ela era Dentista e o consultório ficava a menos de uma quadra de onde eu estava. Tia Tetê, ligou para Tia Marília e contou o que tinha acontecido. Ela havia chegado naquela manhã de Bariloche. Largou tudo, foi ao hotel, passou na recepção, mandou encerrar a minha conta, subiu para falar comigo e me convenceu a eu ir passar uns dias em sua casa.





2 comentários:

  1. Ah, irmã,

    Que sofrimento, o seu! Estou chorando pelo o que você passou! Não sabia, de sua chegada em Curitiba.Deve ter sido uma "barra"!Mas Deus sabe o que, faz não é? Eu e esta fe, que me acalenta! Querida, beijos, te amo,

    Denise

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  2. Irmã, devem ter sido momentos de muito medo e muita solidão. Que bom que a sua fé te "segurou", pois Deus não fecha uma porta, sem abrir duas janelas para nós. Te amo! Tê

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