domingo, 29 de maio de 2011

Denise – Parte 4

Depois de moça, Denise sempre teve o quarto dela sozinha (por ser a mais velha), mas era muito bagunceira. Eu, que sempre fui muito cuidadosa com minhas coisas, meu armário era impecável, e o dela todo desarrumado. Como ela tinha roupas lindas, e volta e meia eu queria variar, ela só emprestava uma roupa com a condição de  eu arrumar seu armário. No fundo, era uma chantagista. Eu arrumava, ela emprestava a roupa e no dia seguinte ... adivinhe, estava tudo bagunçado de novo. Tinha televisão no quarto (uma TV chamada “Mascara Negra, você lembra disto, Dê?), e quando ficava em casa gostava de assistir ao programa “Um instante Maestro” com Flavio Cavalcanti e nas tardes de domingo, o programa de Silvio Santos.




                                                                  


No apartamento da Jerônimo Monteiro, Edifício Neffa, Denise continuou aprontando. Todos os finais de semana tinha festinha na FAFI (Faculdade de Filosofia), mas nem sempre podíamos ir. Estes bailes começavam em torno de 19 horas. Mas, as filhas de Milton Simões tinham que estar em casa até 23:30 hs. Parecia até historia da Cinderela (voltar antes da meia noite, senão a carruagem virava abóbora), rsrsrs. Seguíamos a risca a determinação de Papai, até porque caso não cumpríssemos o combinado, era castigo na certa. Voltávamos para casa e Papai estava esperando acordado para ver o horário. Esta é a foto da FAFI.




Numa das vezes que Papai deixou a gente ir, voltamos todos juntos, eu e Telina com os namorados, Catarina, Denise, no horário  combinado.  Eu e a Telina ainda ficamos conversando no quarto sobre o baile e Denise foi para o quarto dela. Não demorou muito, Papai levantou e foi ao quarto de Denise falar algo com ela. A luz estava apagada e ela toda enrolada no cobertor. Ele chamou, chamou e ela não respondeu. Quando ele puxou a coberta para acordá-la viu que eram travesseiros que estavam embaixo do cobertor e uma peruca em cima do travesseiro. Ela havia saído pela porta do quarto dela (que dava para o hall) e voltou para a festa. Papai ficou uma fera. Bem, para encurtar a historia, era próximo do Réveillon e já tínhamos combinado de passar no Clube Vitória. Denise ficou de castigo, Vovó Telina e Vovó Quinha ligaram para Papai para que ele liberasse ela e ele foi intransigente na decisão. Eu e Telina também desistimos de ir (com pena dela), mas ele não permitiu simplesmente porque assim o castigo seria muito fácil. Ela chorou muito, pediu, implorou, eu e Teína também, mas não teve jeito. De raiva, tomou varias doses de licor de Anis e foi dormir “de fogo”. Dê, será que contei tudo? Foi assim mesmo que aconteceu?

        Neste mesmo apartamento, quando ela queria sair para alguma festa que não estava autorizada, inventava que ia ficar trabalhando, combinava com Catarina que morava próximo, chamava o elevador, colocava a sacola com a roupa dentro e saia tranquilamente pela porta da frente com roupa de trabalho e sem chamar a atenção . Mais tarde, se arrumava na Catarina.

        Namorou algum tempo um rapaz que tinha o dobro da idade dela. Um dia, ela chegou em casa e disse para Papai que iria morar com Luiz Olavo. Foi um pé de guerra. Papai avisou, se sair para morar com ele, nunca mais vou aceitar você de volta em casa. E mesmo assim ela foi. Papai ficou sem falar com ela 1 ano. Depois, a pedido dos avós, ele reconsiderou e voltou atrás.

Trabalhou como secretaria no Banco Itaú e começou a namorar o gerente que era casado. Um belo dia, a esposa do dito cujo ligou para Papai e a confusão estava armada. Denise saiu do Banco e foi morar no Rio de Janeiro, mas precisamente no Flamengo. A Miriam resolveu ir também e elas moravam num pensionato bem simples. Ficou morando e trabalhando lá um ano.

Eu disse no inicio que sem sombra de dúvidas esta irmã foi a que mais trabalho e preocupação deu a nossos pais e pelos relatos, podem ver que não menti.

Em seguida, trabalhou na Vale do Rio Doce, no Edifício Fabio Ruschi no 2º andar, no Setor Administrativo, através de uma terceirizada, a Bertha. Preferiu conseguir o emprego por conta própria sem pedir a interferência de Papai, até porque acho que ele não arranjaria emprego para nós lá.

Foi ai que conheceu Adelino, uma pessoa muito legal com quem está casada até hoje.

2 comentários:

  1. Puxa irmã! Quanta estória dessa nossa irmã tão querida... Como me lembro desse Reveillon que Nêga estava de castigo... como choramos e pedimos, mas papai era "duro na queda", apesar de saber que no fundo, ele também estava morrendo de vontade de ceder, mas tinha que mostrar que era durão... Só hoje percebemos o quanto ele era "coração mole". Amo muito vc pelo carinho com que está contando as nossas estórias... Beijos. Te

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  2. Irmã,

    Que historias, eim! Que saudades!

    Beijos,

    Denise

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