Vovô Gildo tinha uma “marca registrada” para cumprimentar a todos quando alguém aniversariava. Ele desejava felicidades e por fim sempre dizia a frase: “Vai que depois eu vou”. Era muito engraçado e digamos que parte desta teoria foi cumprida uma vez que viveu 89 anos. O café da manhã dele era inusitado, pois conseguia degustar: ovos de codorna, café com limão, batata doce, inhame, aipim, melado.
A casa da Praia da Costa foi reformada e ficou enorme. Tinham vários quartos, todos muito bem arrumados. A proporção que a família ia chegando, se instalavam a vontade. Vovó fazia tudo com muito capricho, pois sempre quis agradar a todos. Além de se preocupar com as refeições, sempre tinha pães, biscoitos e bolos para a hora do café.
Não posso deixar de registrar algo que eu adorava (e ainda adoro) e que ela fazia muito bem. Jenipapina (um licor feito com a fruta) e nada parecido com o que se acha hoje no comércio. Era realmente licoroso e também o doce da mesma fruta cristalizado. Ela cortava em gomos, preparava e passava no açúcar cristal. Hummmmmm, só falar e sinto o gostinho. Bom demais!!! Qual das minhas tias aprendeu a fazer com ela?
Depois do almoço, nos reuníamos num dos quartos com Cristina e Tutuca (filha de José Buaiz e prima de Cristina) para conversar. Num destes papos, combinamos que nunca iríamos nos perder de vista. Não importava para onde fossemos sempre estaríamos ligadas uma as outras. Naquela época, ainda achávamos que isto era possível, mas o tempo mostra que as coisas não acontecem deste jeito. Já se passaram muitossssssss anos, e nunca mais vi Tutuca. Quem sabe um dia nos encontraremos para relembrar este tempo que passou.
Cristina faz aniversário no dia 25 de dezembro e os aniversários dela sempre foram muito bem comemorados, assim como o de Mequinho e Ângela que é em Fevereiro. Como sempre caiam nas férias, os aniversários eram sempre festejados na Praia da Costa onde Tia Arlete tinha uma belíssima casa. Os doces eram muito diferentes dos tradicionais. Eram servidos uns cones com licor, inesquecíveis. Algumas vezes contratavam carrinho de picolé da Kibon e todos se serviam à vontade.
Tinha um lugar especial que gostávamos muito de brincar. Este lugar parecia até mal assombrado e muitas e muitas historias foram contadas sobre ela. O lugar chamava-se “A Casa do Navio”. Estou postando a foto para quem não se lembra mais dela. Hoje no local, existe um hotel. Mas voltando no tempo, contavam que nesta casa habitavam Piratas, que existiam tesouros escondidos, etc. Nós tínhamos uma verdadeira fascinação por aquela casa, talvez curiosidade pelas histórias. Sempre que podíamos íamos até lá, só não me recordo como entravamos na casa. Não existiam moveis e ela parecia abandonada.
A Praia era conhecida por pontos chamados assim: Vindo de Vila Velha, quando chegava na avenida da Praia da Costa, virava a esquerda. Ali era chamado de Guruça e Arrebentação. Mais adiante, tinha o ponto da Casa do Navio, Sol e Mar (que nada mais era que um prédio baixo de apartamentos) e que existe até hoje. Tinha o ponto da Sereia e outro chamado de Hotel Tapajara. Então a gente combinava onde íamos nos encontrar, sempre citando o ponto de referência.
A casa da Tia Arlete era a primeira. A casa da mãe de Tio Américo, D. Maria, ficava na mesma direção porém com frente para a rua de trás. Um pouco adiante, na orla da praia, ficava a casa de Benjamim Buaiz e algumas quadras adiante, também na orla, a casa de Vovô Gildo que era na esquina. Fazíamos sempre o trajeto entre uma casa e outra a pé, e durante o percurso, sempre achávamos pés de pitangas e goiabas.

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