domingo, 10 de abril de 2011

Começando a entender a realidade

Como tudo que é bom dura pouco, esta fase da minha vida estava chegando ao fim. Porém, naquela época nossa compreensão para os fatos era outra.

         Uma manhã, depois que estávamos liberadas para brincar um pouquinho, estranhamos que nossas amigas da casa que ficava depois do muro da casa de Vovó Telina não tivessem aparecido na rua. Esperamos e nem sinal delas. Fomos até a porta da casa e batemos, porém ninguém atendeu. Mais tarde, ficamos sabendo que D. Lezir tinha ido embora e seu Getulio com vergonha dos vizinhos, pegou os filhos e deixou a casa. Nunca mais ficamos sabendo delas. Este foi um dos primeiros sintomas que a vida estava mudando e para nós, da pior maneira possível.

         Papai quando podia, levava Mamãe para uma viagem curta. Eles gostavam de ir para a estação de Águas de São Lourenço em Minas Gerais. Nós ficamos na Vovó Telina por ser mais perto de nossa casa. Tio Arildo era solteiro, e o último andar da casa da Vovó era dele. Na biblioteca, na enorme estante que cobria toda a parede, muitos e muitos livros, inclusive algumas coleções (me lembro de Machado de Assis e Tesouro da Juventude). Tio Arildo possuía uma coleção enorme de selos e nós brincávamos com eles quando ele não estava por perto. Um sofá e acima dele dois retratos: um de Tia Heny e outro de Tio Arildo. A janela dava para o quintal onde tinha o pé de Acássia. Existia um quartinho em frente ao banheiro, onde tinha um armário e em cima dele Vovó guardava em caixas os diversos chapéus que ela tinha. Adorávamos experimentar cada um. À noite, antes de irmos dormir, Vovó preparava uma gemada de vinho, colocava num copo e deixava na subida da escada que levava ao terceiro andar para Tio Arildo tomar quando chegasse da rua.

         De tempos em tempos, Vovó recebia em sua casa a imagem de uma Santinha. Ela ficava num lugar especial: a sala de visitas, muito bem decorada por sinal. O sofá era de veludo rosa antigo, as cortinas da porta enorme que dava para a varanda também eram rosa. Numa parede, um espelho maravilhoso de cristal com tons de rosa num formato octogonal. Era feito tipo um altar para a Santa, colocada flores e a gente rezava em frente a ela. Neste mesmo canto, em todos os natais, era ali que ficava o Presépio. As peças eram muito bonitas e grandes.

         A máquina de costura de Vovó parecia até de brinquedo. Era pequena, verde clara, me parece que era alemã. Não tinha pedal e ela funcionava com uma pequena alavanca que Vovó acionava com a perna esquerda. Denise lembrou que algumas vezes ela cantava baixinho uma canção que dizia: “o destino puxou a fieira desta linda história de amor, hoje eu vivi a chorar, a chorar”. Cantava lembrando do irmão dela, Tio José, que morreu assassinado.

Vovô Gildo gostava de tomar um bom café da manhã. Normalmente ele comia inhame, batata doce com melado e café com limão. Gostava de ouvir suas musicas e tinha 2 cantores que tinha o disco de 78 rotações: Luiz Gonzaga e Enrico Caruso (Tenor Italiano).

Vovô tinha m cachorro chamado Rex e acho que era da raça Cole. Ele morreu atropelado.

Também tivemos uma cachorrinha. Ela era bem gordinha, branca e preta e parecia uma bolinha. Seu nome era Susi.

Com 10 anos fiz minha primeira comunhão, na Igreja São Gonçalo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário