segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um Mergulho no Tempo

         No Ginásio, minha professora de Inglês chamava-se Sonia Costa. Gostava do jeito dela dar aula e nunca tive dificuldades com o Inglês, assim como tinha facilidade com o Francês.

         Um dia, estava com dor de cabeça e antes de ir para o colégio tomei um comprimido de Cibalena. Fiquei branca, tonteei e desmaiei. Depois deste dia, nunca mais tomei este remédio, que hoje nem existe mais com este nome. Chegou-se a conclusão que eu era alérgica a algum componente.

         Denise era bem magrinha e tinha dois apelidos que odiava: Olivia Palito  e Perfil de Gilette. Dê, quem podia imaginar naquela época que você um dia  precisaria cuidar do que come, né?

         Quando eu era adolescente roía muito as unhas. Roia até chegar no sabugo. Acho que era uma maneira de “esconder” a timidez. Isto incomodava muito Papai que sempre me chamava a atenção quando me via com a mão na boca. Tentou de tudo para eu deixar este hábito, inclusive passando pimenta nos dedos. Demorei muitos anos para eliminar esta mania.

         Sempre gostamos e participamos das comemorações do colégio. Uma das datas que adorávamos era o desfile de Sete de Setembro. Os ensaios começavam meses antes. Primeiro, no pátio da escola e mais tarde nas ruas próximas ao colégio. A formação tinha que estar correta (a distância entre um e outro era medida estendendo os braços tanto para o companheiro da frente como de ambos os lados) e não podia errar o passo. Quando acontecia, tinha um jeitinho de acertar sem atrapalhar os demais. Eram formados pelotões e sempre “puxados” por um aluno que ia à frente. A banda marcial vinha no final de tudo. No dia do desfile, o uniforme tinha que estar impecável e era necessário chegar mais cedo ao colégio para a concentração. Lá em casa, Mamãe também levantava cedo e com a Ajudante, preparava um super café da manhã bem reforçado, pois além da concentração, o desfile normalmente demorava bastante. Então o café era composto de ovos, bife e pão. Nossa... era muito delicioso! A gente se sentia muito importante de participar. Foi num destes desfiles que me interessei por um rapaz chamado Beta. Ele trocava corneta. O pessoal da banda tocava os instrumentos  enquanto marchávamos no mesmo ritmo. Numa determinada altura entravam as cornetas. Ai era uma desconcentração geral.   Como ele morava na Vila Rubim, me levava até a esquina da minha rua. Lembro que ficávamos na frente da casa do Sr. Zanotti, brincando com folhas de fico. Uma vez, Papai veio mais cedo da Vale e passou e Jeep onde conversávamos. Denise estava perto e eu inventei que era Denise que estava interessada nele. Enfim, Denise que pagou o pato.

         À noite, quando Papai e Mamãe saiam, Beta, Polly, Carlos Danilo e Carlos Magno subiam na caixa d’água para fazer serenata. Nós não podíamos sair de casa, mas apagávamos as luzes e ficávamos escondidas atrás da porta escutando as musicas.

2 comentários:

  1. Irmã, dei ótimas gargalhadas com essa estória de Beta. Como me lembro disso!!!! Denise acabou levando a culpa... Agora o que não consigo esquecer eram os desfiles de Sete de Setembro... como a gente se sentia especial e importante, né??? Era maravilhoso... a gente ficava na maior expectativa dias antes... No dia acordávamos tão cedo, que não precisava ninguém chamar. Era o máximo!!! Beijos e obrigada por nos fazer lembrar coisas tão boas de nossas vidas!!! Te amo!

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  2. Tê, é bom demais lembrar tudo isto, principalmente quando você e Denise me ajudam nos detalhes que esqueço. Amo vocês!

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