Ontem, quando falei de nossas férias de verão em Nova Almeida , não postei fotos, mas faço agora, pois são lembranças que valem a pena guardar. Telina, a menorzinha de todas, parecia um soldadinho de chumbo, Denise sempre elegante e eu.... sempre gordinha.
Algumas vezes íamos passar o dia na Praia de Jacareipe. Tinha lá um restaurante árabe que além de outras iguarias servia um prato chamado “Arroz Arabe” feito com macarrão cabelo de anjo frito. Um outro lugar que gostávamos de ir, só não lembro se era Carapebus ou Jacareipe, onde tinha um pedaço de rio que desembocava no mar. A água era cor de ferrugem porém bem limpa e muito quentinha (enquanto estamos imersas dentro dela, bastava tirar o pé fora da água que o vento batia gelado.
A principio, a função de Papai na Vale do Rio Doce era de Desenhista. As vezes levava trabalho para cada e ficávamos admirando ele trabalhar em sua prancheta e com a régua “T” . Ele tinha uma caixa de lápis de cor que adorávamos. Eram lápis importados, e tinham 24 cores. Os matizes de cada cor, pareciam um sonho. Sempre teve vontade e habilidade para fazer engenharia, mas com 3 filhas para criar, ficou muito difícil ter esta despesa. Chegou a fazer um pedido ao Pesidente da Republica, Getulio Vargas, mas a concessão de uma bolsa de estudos, mas infelizmente não deu certo. Mais tarde ele passou a ser o responsável pelo Setor de Compras da mesma empresa.
Papai perdeu dois amigos de maneira trágica. Um deles, foi Fábio Ruschi que morreu num desastre de avião próximo ao aeroporto de Vitoria, e o outro foi o seu Oscar, que estava no Rio de Janeiro a trabalho e foi encontrado morto 3 dias depois no quarto do hotel. Teve um enfarte. Deixou sua esposa D. Neide e os filhos Rômulo, Rémulo e Romaeda.
Meus pais gostavam de receber os amigos em casa para jogar uma canastra. Papai gostava muito de ouvir a cantora Elisete Cardoso, ficava horas tocando sua gaita de boca (ele tocava com perfeição a musica “Two Yong”. Ele torcia pro Flamengo e Mamãe torcia para o Fluminense. Ele dizia que São Jorge era seu Santo Protetor. Tinha algumas manias, como tirar o miolo do pão francês e não comer o miolo do abacaxi (eu comia todos, porque adorava). Sempre ouvimos ele comentar sobre um filme que tinha assistido com Mamãe e o enredo era mais ou menos assim: Um homem foi fazer um serviço no sub solo e quando voltou a superfície notou que não existia mais ninguém na terra. Pegava carros, podia ter qualquer casa, qualquer comida, tudo era dele e a principio se sentiu feliz. Começou a rodar por outras cidades para achar alguém porque começou a sentir falta de falar e conversar. Então, o que no inicio parecia ser ótimo, se tornou um pesadelo, porque a cada dia ele se via totalmente sozinho. Queria muito saber o nome deste filme.
Uma das vezes que eles saíram à noite para ir ao cinema assistir “Suplicio de uma Saudade”, aconteceu o que achamos ser uma tragédia. Havia vazado óleo de navio no mar e alguém que estava numa das barcaças que faziam a travessia de Vitoria para Paul, jogou um cigarro na água e o fogo se alastrou. Da janela lá de casa, víamos o morro do Pelamacaco e muito fogo e nuvens pretas nas proximidades. Achamos que ia acabar o mundo. Numa outra ocasião, uns amigos subiram na caixa d’água para fazer serenata para nós (porque sabia que nossos pais não estavam em casa). Ficamos escutando atrás da porta de correr da sala, e sem esperar a porta caiu. Os rapazes foram nos ajudar a colocá-la no lugar rapidamente antes que Papai chegasse em casa, senão, era bronca na certa.
Tínhamos em casa um lindo canário belga. Suas penas eram finas e suaves em tons de amarelo claro até chegar ao branco. Ele cantava muito. Às vezes Mamãe colocava a gaiola na janela do quarto para ele ver a paisagem.



Puxa irmã! Quantas lembranças... a cada dia vou lembrando, lembrando... é muito legal. Continue. Te amo! Tê
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