Quando ainda pequena, meus pais perceberam que sempre que me era oferecido algo, apanhava com a mão esquerda. Papai tentou durante um tempo fazer eu utilizar a mão direita assim como minhas irmãs. Mas como não obteve sucesso, acabou se conformando. Para mim este fato nunca foi relevante.
Em casa, Papai era sempre sisudo e muito rígido com as filhas, porém extremamente carinhoso. Sempre que chegava do trabalho e quando saia, nos beijava na testa e sempre pedíamos a benção. Podíamos brincar na rua até próximo ao horário dele chegar do trabalho. Na hora das refeições, todos tinham que estar à mesa. Saladas e verduras faziam parte do cardápio diário e ele exigia que todas comessem. Nem sempre gostávamos do que era servido, mas como não tínhamos opção, colocávamos no prato. Muitas vezes, aproveitávamos qualquer distração dele para escondermos estas verduras no guardanapo de pano dobrado ao lado do prato.
Ele não gostava de comida requentada, portanto, o que era servido no almoço, não poderia ir para a mesa no jantar. Também não era chato para comer. Com certeza D. Percilia aproveitava o que sobrava de uma refeição, transformando em outros pratos. Arroz e feijão tinha todos os dias nas duas refeições (menos no domingo) e à noite, às vezes, ele trocava a carne por ovos pochê com petit pois. Adorava Caldo de Mocotó, Rabada e Caranguejo, assim como sua preferência gastronômica era pela comida mineira (tutu de feijão, ovos e lingüiça frita, couve, torresmo, etc...).
Os caranguejos eram limpos, raspados e escovados antes de colocar na água. O caldo que cozinhou o caranguejo era tomado no copo. Na barriga do caranguejo, era colocado um vinagrete sem cebola, farinha de mandioca e muita pimenta (isto eu herdei dele – menos a pimenta. Adoro comer caranguejo assim). Normalmente era servido no sábado e degustávamos, no quintal da casa de Vovó Telina, a sombra das árvores onde Papai havia mandado construir uma enorme mesa de madeira com banco dos lados.
Sempre tinha que ter sobremesa ou fruta e por último um cafezinho. A mesa era bem arrumada com toalha e guardanapos de pano. As comidas eram dispostas em travessas e jamais eram colocadas panelas na mesa. Ninguém podia levantar da mesa antes dele. À noite, após a refeição, ele ia até a janela da sala fumar um cigarro, enquanto mamãe colocava um disco na eletrola (ela era numa madeira meio clara, com pés palito, com uma tampa onde dentro era colocado o disco para tocar). Neste horário, podíamos voltar a brincar mais um pouquinho na rua e muitas vezes observávamos ele e mamãe dançarem ao som de um disco que nunca esqueci cujo titulo era “Two for Two”. Gostavam também de escutar Fascinação, Hino ao Amor e Tenderly, entre outras.
Irmã,
ResponderExcluirCovardia!!!Lembrei de tudo! Que saudades daquele tempo.Será que alguem sabe disso? Como, as coisas são feitas erradas, atualmente! Come o q1uiser, a onde quiser, não se tem respeito!!!!Acho, e tento agir como fomos criadas, mas sou derrotada com freguencia!!!Beijos,
Denise