Vovó Telina tinha um casaco de pele, preto, que ia até o joelho. Ele era lindo! Mas Silvinha, nossa prima, filha de Tia Odete, morria de medo de ver este casaco dentro do armário. Achava que era um bicho.
Em nossa família havia uma tradição na passagem do Ano. Todos colocavam um galinho de Acássia debaixo do travesseiro. Diziam que dava sorte. Foi por isto que escolhi as Acassias como fundo da minha página.
Papai possui uma coleção de miniatura de garrafas de bebida. Muitas vezes, bebemos o liquido e colocamos mate para disfarçar. Acho que ele nunca descobriu que fomos nós, caso contrário, o castigo ia ser grande.
Todo Natal, a Vale do Rio Doce, presenteava os filhos dos funcionários. Eram presentes muito bons. Teve um ano que ganhamos duas bonecas gêmeas.
No final de semana, sempre passava um senhor que vendia coquinho. Eles eram pequenos e com uma casca dura que revestia uma massinha branca. Tínhamos que quebrar a casca com uma pedra. A medida era feita com uma lata de óleo vazia e mamãe comprava duas medidas para nós. Naquela ocasião, o leite era entregue todas as manhã, e vinha em garrafas de vidro.
Telina teve alguns probleminhas quando pequena. Primeiro, ela começou com muita urticária e os médicos de Vitória não conseguiram descobrir o que era. Então meus pais a levaram para Belo Horizonte para avaliação de um especialista. Depois de uma série de exames, ficou constatado que ela tinha alergia a casca de feijão. Alguns anos depois ela ficou seriamente doente e papai e mamãe tiveram que viajar uma noite às pressas para o Rio de Janeiro. Ficaram hospedados na casa do Tio Marcos. Telina estava com Tifo. Com tudo isto, ela detestava tomar remédio, porque enjoava. Alguém ensinou uma simpatia para isto não acontecer: segurar uma chave com força na mão.
Papai, por ter sido sempre uma pessoa muito correta, tinha opiniões próprias que adotava em nossa casa e assim aprendemos desde pequena alguns lemas. Quando ele se referia a uma pessoa que ele achava “nota 10” ele dizia: “fulano é pedra 90” . Não gostava de discutir religião, futebol e política com ninguém. Tinha seus conceitos e respeitava a opinião dos outros. Outra teoria era “Carteira Profissional não se suja” (traduzindo, ele queria dizer que não se deve trocar de emprego sem motivo. Sempre nos ensinou a trabalhar sério, dar valor ao seu emprego, ter responsabilidade e assim as oportunidades de mostrar sua capacidade iria aparecer). Sobre isto, só tenho a agradecer a ele, pois foram estes ensinamentos que me fizeram a profissional que sou hoje. Outra coisa que ele sempre dizia, é que se pudesse escolher, gostaria de morrer num acidente de avião para não dar trabalho a ninguém. Ele viaja muito a serviço da Vale e tendo problema cardíaco, achava que isto poderia acontecer. De alguma maneira, Deus realizou seu desejo, pois ele descansou sem dar trabalho para ninguém. Tinha tontura quando debruçava numa varanda ou janela que fosse localizada nas alturas.
Irmã,
ResponderExcluirLembrei do coquinhyo, depois de quebrado, pouco sobrava para comer.
Quanto a papai, sinto muitas saudades, especialmente agora.E ele deve saber porque!
A historia do cxasaco, alem de Silvinha, Regina Dalva, tambem, tinha medo.E a gente era mázinha, pois assustavamos as duas.
Deus, foi misericordioso com papai, mesmo.Só pessoas privilegidas, morrem, como, ele morreu.Beijos
Irmã,a doença que tive não foi TIFO foi DIFTERIA. Nossa, que saudades daquele coquinho, cheguei a sentir o gosto quando li. Quanto aos exemplos, também aprendi muito com ele, principalmente, no lado profissional. Graças a Deus pelos principios que ele nos passou. De altura eu também tenho "nervoso". Lembra quando fomos ao Cristo no Rio? Eu não saí do pé do Cristo nem um minuto... rsrsrs. Beijos. Tê.
ResponderExcluirTê, obrigada pela ajuda. Na verdade são muitas e muitas coisas que vem na cabeça para escrever. Mas por favor, as duas vão me ajudando, heim? Denise me ajuda sempre, tem uma memoria privilegiada. Obrigada a vocês por compartilhar tudo isto comigo. Bjs
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