Estudar nunca foi meu forte, mas gostava muito de ir para o colégio. Encontrar os amigos, conversar, participar das aulas de educação física, enfim, tudo no colégio me agradava.... a não ser estudar. Mas, apesar de nunca ter sido uma aluna exemplar, nunca reprovei. É bem verdade que também nunca passei de ano sem ficar em recuperação. Já era praxe. Distraia-me nas explicações da aula, deixava para estudar em cima dos dias de prova e sempre dei trabalho aos meus pais. Por conta disto, muitos e muitos castigos.
Minhas irmãs, iam muito bem no colégio. Telina sempre uma das primeiras da classe e Denise também não ficava atrás. As matérias que ela mais gostava eram Português e História. Eu detestava Geografia. Papai sabendo da minha aversão pela matéria tentava muitas vezes me ajudar. Pegava uma laranja e enfiava uma agulha de tricô para demonstrar assim o Globo Terrestre e o eixo imaginário. Outras vezes, me mandava decorar os estados e as capitais. Eu chorava dizendo que estava cansada e ele dizia que só deixaria eu ir dormir depois de responder as perguntas. Era um suplicio!
Quando chegava o final do mês, a gente já ia se preparando psicologicamente porque depois do jantar, papai sentava na sala, chamava as três e dizia: “Tragam as cadernetas”. Eu que quase sempre estava mal de nota, tinha um frio na barriga. Deixava que Denise e Telina entregassem as delas e deixava a minha por último. Algumas notas vermelhas e as que estavam azul estavam no limite para o vermelho. Cada nota baixa era uma palmada na mão. Quando já estava no ginásio e passamos a estudar pela manhã, depois que almoçava e descansava, ao invés de pegar o caderno para estudar, preferia ler fotonovelas. Escondia a revista debaixo do travesseiro e o caderno em cima. Quando não tinha ninguém por perto ficava lendo a revista e estudar mesmo que era bom... nada.
Em fase escolar tem coisas que não dá para esquecer mesmo. Num determinado ano do ginásio, um professor de Português nos mandou decorar algumas estrofes de um poema de Luiz Vaz de Camões, chamado “Os Lusíadas”. Nunca mais esqueci a primeira estrofe. Como era difícil decorar esta chatice. “As armas e os barões assinalados / Que da ocidental praia Lusitana / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Taprobana / Em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana / E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram”. Para que decorar isto, né? Achava uma grande perda de tempo.
Apesar de ser meio devagar para estudar, me dava muito bem com meus professores. Quando chamada na frente de todos para responder alguma pergunta que eu não soubesse a resposta, disfarçava a meu nervosismo dizendo: “Pera ai professora, já estou lembrando, só mais um minutinho. Poxa estudei tudo isto ontem, sabia tudo de cor. Não sei por que esqueci agora. Mas já vou lembrar.” Algumas vezes a professora passava a pergunta para outro aluno e esquecia de mim. Quando ela perguntava para outro algo que eu sabia, levantava logo a mão e dizia: “Ah professora esta eu lembrei rapido e posso responder”. Nem sempre me dava bem, mas as vezes tinha sorte.
Gostava mais de conversar do que prestar atenção na aula. Talvez por isto, sempre era escolhida como “Oficial de Classe”. No ginásio, cada materia tinha um professor. No intervalo entre uma aula e outra, enquanto o professor não chegasse, os Oficiais de Classe ficavam na frente, em pé voltados para a classe, administrando o barulho e a bagunça. Estes oficiais eram escolhidos pela propria turma. Normalmente uma menina e um menino. Existia também o oficial de disciplina, que coordenava todos os andares e salas do ginásio. O nome dele é Rubimaya. O Porteiro, que controlava a entrada dos atrasados se chamava Pavão. Dr. Alberto Stange Junior era o Diretor e D. Herta era a professora de Canto.
Era comum ensaiarmos o Hino do Colégio. Normalmente este ensaio era dentro do salão nobre. Também não esqueci a primeira estrofe do hino: “Tem Vitória um luzeiro brilhante / Que de Deus pela fé se acendeu / Esta escola a luzir deslumbrante / Neste solo, onde forte nasceu / Anteviu Loren Reno, gigante / Na visão que o futuro lhe deu / Esta forja, bendita, possante / Num alcândor de gloria apogeu / Refrão: Salve, Salve o Colégio Americano! / Pela glória do Brasil!"

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