segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Alegria do Natal continua...

Acordar e correr para a árvore de Natal era tudo que queria. Ao lado de cada sapatinho, os pacotes embrulhados para presente. Papai Noel realmente era maravilhoso! Que trabalho, embrulhar os presentes de todas as crianças. Mas ... também tinha presentes para Papai e Mamãe ... então ele lembrava também dos adultos. Sempre ouvia dizer que só ganhava presente aquele que fosse um bom filho e um bom aluno. Então, se ganhava era porque tinha feito tudo certinho.

Sempre tive a sorte de ganhar o que pedia, assim como minhas irmãs e sempre nas minhas orações, agradecia por minha cartinha ter sido lida e atendida.

Depois do café, saímos à rua, assim como nossas amigas, para mostrar e ver o que cada uma ganhou. Na varanda de casa, já começávamos a montar as casinhas, e organizar as comidas, que eram feitas de folhas picadas.

Teve um ano que eu e Denise pedimos uma boneca e um carrinho para levá-las a passear e fomos atendidas. Os carrinhos eram de plástico trabalhado na cor rosa e branco e as bonecas, lindas, porém não grande, mas de cabelo comprido que dava para pentear. A de Denise era de cabelo louro e a minha de cabelo preto. Chorei muito porque eu queria a loura, mas depois acabei me acostumando. Afinal, não escrevi este detalhe na minha carta. Telina ganhou um lindo bebê de borracha.

A gente não enjoava de brincar de casinha, e quando chegava a hora de entrar, todos os brinquedos eram guardados no lugar. Nunca deixávamos nada espalhado, porque se isto acontecesse, o castigo era ficar sem brincar por uma semana.

Num determinado ano, tudo aconteceu da mesma maneira que nos anos anteriores, porém a curiosidade era grande de conhecer Papai Noel. Queria saber como o velinho podia entregar tantos presentes na mesma noite, como ele sabia certinho o que cada criança havia pedido. Ele nunca se enganava. Como era possível? Denise havia pedido um rádio portátil e um disco do Frank Sinatra e eu, um relógio. Então, naquela noite, fizemos tudo como sempre. Passamos a meia noite na casa do Tio Otto, na volta para casa, colocamos os sapatos embaixo da árvore, nossos pais foram até nosso quarto, beijou na testa cada, desejando uma boa noite. Como sempre, pedíamos a bênção e nos acomodávamos para dormir, ou melhor, neste dia, fingimos que dormíamos. Eu e Denise já tínhamos combinado de ver o Papai Noel colocar os presentes. Passado algum tempo, ouvimos um ligeiro barulho na casa. Denise como a mais curiosa, levantou primeiro e foi olhar pelo buraco da fechadura, depois fui eu, poupamos apenas Telina, que era menor. E o que vimos? Papai e Mamãe arrumando os presentes junto aos nossos sapatinhos. Voltamos para a cama muito triste porque entendemos que não existia nenhum Papai Noel.  A descoberta nos fazia pensar quantos sacrifícios tinham sido feitos para Papai atender todos os nossos pedidos. Conseguimos esconder de Telina esta realidade ainda alguns poucos anos. No dia seguinte, fomos abrir os pacotes e Denise ganhou o disco que tinha pedido, porém não queria abrir o outro pacote que tinha o formato de uma caixinha. Insistimos com ela para abrir, dizendo que se não fosso o radio que ela queria, é porque não tinha sido possível atender ao pedido. Mas a surpresa foi que era o radio sim, lindo, coberto com uma capa marron de couro. E eu ganhei o relógio que pedi.

Um comentário:

  1. Bom, se eu não parar de chorar, vai ser uma lástima! Como papai dava "duro" para, nos dar aqueles presentes.Para mamãe, era sempre, ou uma joia, ou um jogo de sapato e bolsa.Ai! Que saudades, do meu pai!!!!!!!!Como chorei, quando vi o radinho que eu tanto queria!!!!Era carissimo, pois radio portatil, era uma "nota".E ele me deu!

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