sábado, 9 de abril de 2011

Resquícios da minha infância


Responder a Papai ou Mamãe... nem pensar. Ele nunca foi de bater nas filhas, porém os castigos eram piores. Uma semana sem brincar, ajudar Mamãe nas tarefas diárias da casa, bordar um pano de prato, ler um livro, estudar mais, etc...

A televisão chegou a nossa casa quando ainda éramos criança, mas nunca trocamos as brincadeiras para ficar em frente a TV. O programa que mais lembro de ter assistido foi Bat Masterson. Lembram da musiquinha? “No velho oeste ele nasceu / e entre bravos se criou / seu nome em lenda se transformou / Bat Masterson / Bat Masterson”, além de Tia Amélia tocando piano e a Jovem Guarda.

Valorizávamos muito as brincadeiras. Tinha uma em especial que adorávamos cujo nome era “Brincadeira de Rainha” e funcionava assim: Combinávamos que no dia seguinte ia haver esta brincadeira. Cada uma pegava em casa qualquer coisinha sua, uma bugiganga, embrulhava e esperava a hora da brincadeira. Os nomes das participantes eram colocados num pedaço de papel e escolhido um. Quem fosse sorteada era considerada a rainha e ganhava todas as coisinhas. Outras vezes brincávamos de escritório (para caracterizar, dobrávamos uma folha de papel e ao bater nela com os dedos soava um barulho como se fosse a maquina de datilografia) ou de escola (uma era a professora e as demais eram alunas. A professora passava lição e enquanto os alunos faziam ela corrigia os cadernos e verificava as cadernetas. Utilizávamos os cadernos e cadernetas de anos anteriores para simular um grande material para corrigir).

Algumas noites, depois do jantar, Papai e Mamãe saiam para ir ao cinema. Sem eles em casa, não podíamos sair pra brincar na rua e nem receber ninguém em casa. Lembro uma vez que desobedecemos esta regra porque calculamos que entre sair, assistir o filme e voltar demoraria mais de 3 horas, porém, justo quando achamos que tava tudo sob controle, eles chegaram. A sessão estava lotada e eles voltaram antes do previsto. Não estávamos fazendo nada demais, apenas com as amigas dentro de casa, mas não teve desculpa, as três estão de castigo por uma semana.

 Na maioria das vezes, tínhamos que improvisar as brincadeiras dentro de casa. Pedíamos a D. Percilia não guardar a comida e brincávamos de restaurante. Duas ocupavam os lugares na mesa que eram de nossos pais (a cabeceira da mesa era o lugar de Papai). A terceira colocava o guardanapo dobrado no braço e ia até a mesa com uma caderneta para anotar os pedidos. Também brincávamos de passar trote. A gente tinha medo que descobrissem que éramos nós que ligávamos, mas ainda assim, arriscávamos. Mesmo com o fato acontecido na Praia do Canto, de Telina ter ficado presa  no guarda-roupa, ainda assim continuávamos brincando de “sufocação”.  Uma deitava e as outras duas colocavam o travesseiro no rosto e apertava bastante até a que estava sendo sufocada levantar as mãos.

Como a maioria dos irmãos, nós também brigávamos. Lembro de uma vez que tínhamos chegado do colégio e começamos a brigar. Mamãe chamou a atenção porém continuamos a discutir e ela pegou o chinelo e ameaçou de dar uma palmadas. Nesta hora, cada uma de nós tinha sua arma para se livrar das chineladas. Denise se trancava no banheiro e ninguém conseguia entrar. Eu gritava muito alto e dizia: “Me mate, pode me matar”. Imagine a altura que eu gritava pois Vovó Telina escutava da casa dela e ligava lá em casa perguntando o que Mamãe estava fazendo com a gente. Telina, tadinha, era tão bobinha, que ficava parada no mesmo lugar, imóvel esperando apanhar.

Como Papai não dirigia (acho que tinha receio por causa da deficiência que ele tinha no coração), quando fomos morar na Santa Clara, a Vale do Rio Doce deu para ele usar um Jeep verde escuro. O motorista era o Sr. Benedito. Na foto, em primeiro plano, Papai em pé, Tio Roberto e Sr. Benedito.

   



2 comentários:

  1. Maravilha Adorei! Faltou contar das garrafinhas de bebida, que depois colocavamos, mate.Lembra? Beijos, Denise

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  2. Amei, irmã! Puxa, lendo isso tudo vejo como éramos criativas, né??? Hoje em dia essas crianças não sabem brincar... só jogar video game e ficar no computador. Que coisa mais chata! Não sabem o tempo que estão perdendo. Quando ficarem mais velhas, não terão nada para escrever no blog... rsrsrsrs. Te Amo! Beijos. Tê

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