Quando Denise passou para o primeiro ano do Ginásio, avisou a Papai que queria estudar no Colégio do Carmo, porque queria ser freira. Não entendemos nada, porque esta realmente não parecia ser a vocação dela, mas, Papai atendeu o desejo dela e matriculou-a. A seguir, duas fotos do Colégio do Carmo.
As irmãs deste Colégio usavam aquela túnica escura e aquele chapéu bem grande branco, engomado. Detestava a Irmã Rosa, professora de trabalhos manuais. Estudou neste colégio apenas um ano, não gostou e pediu para voltar o Colégio Americano onde cursou até o final do Clássico.
Mais tarde, ficamos sabendo o que tinha acontecido. Ela havia feito uma promessa que seria freira se conseguisse alcançar uma graça. Conversou com Vovô Simões, e ele sugeriu que ela estudasse no Colégio de Freiras para saber se era isto mesmo que ela queria. Em um ano, teve certeza que não tinha vocação para esta vida.
A melhor estudante das três sempre foi Telina. Aplicada, disciplinada, digamos assim... CDF mesmo. Nunca ficou em recuperação (que eu me lembre). Denise foi uma aluna aplicada, porém um pouco menos que Telina. Pegou ainda a fase de estudar Latim que não era nada fácil. Apenas uma vez ficou para segunda época. Por último, fiquei eu, que nunca fui aplicada, pois estudava sempre o mínimo. Deixava para estudar de última hora, não dava conta e não me lembro de ter passado de ano nem uma vez direto, sempre de segunda época. Era nesta fase que eu ficava apavorada com medo de não conseguir a nota para passar de ano. No dia marcado para divulgação do resultado, combinava com as outras amigas que também tinham ficado e íamos ao colégio. Eram divulgados por série, nome do aluno e na frente a palavra mágica: APROVADO ou REPROVADO. Até saber o resultado, o medo era tanto que eu pensava comigo mesma que nunca mais ficaria para segunda época, mas no ano seguinte, era a mesma coisa.
Na rua Santa Cecília, que ficava no meio do caminho para o colégio, morava uma amiga nossa que se chamava Thelma. Ela não estudava com a gente, mas tinha a mesma idade. Quando voltava do colégio, sempre batíamos um papo rápido para não se atrasar para chegar em casa. Num destes bate papos, surgiu a idéia de eu matar aula para ir ao cinema. Nesta época ainda estudava à tarde. Então, pensei e calculei tudo com antecedência para não levantar suspeitas. Um dia levei dentro da pasta um vestido, no outro levei uma sandália, assim, no dia combinado já estaria tudo na casa dela. As cadernetas do colégio eram escritas pela Diretoria com caneta tinteiro. Descobri que água sanitária apagava a tinta sem deixar vestígios (ou quase). Então molhava a ponta do palito e apagava a data do nascimento, colocando assim a data que me faria ter a idade de 16 anos para entrar no cinema. Chegou o grande dia! Parecia que estava estampado na minha cara que eu ia matar aula, que ia fazer algo que não estava certo, mas não desisti. Minhas irmãs sabiam, mas não falaram nada. Elas foram para o colégio e eu fiquei na Thelma. Me arrumei, lembro até hoje como era o vestido: um tubinho verde claro, com uns detalhes em alto relevo branco, como sandália branca. A Thelma me maquiou um pouco mais para eu parecer ter mais idade. O filme escolhido foi “Dr. Jivago” e o mesmo estava passando no cine São Luiz. O maior obstáculo era que Tio Odete morava no edifício quase em frente ao cinema. Imagine se ela me encontrasse? Aliás, o medo de ser descoberta estava por toda parte, pois naquela época em Vitoria, todo mundo se conhecia. Mas, D. Fani, a Diretora do colégio que era prima da mamãe, ligou lá em casa para saber o que tinha acontecido comigo por eu não ter ido ao colégio.
Adivinhem o que aconteceu? Pela segunda vez, apanhei de cinta de Papai. Eu como sempre muito escandalosa, gritava, dizia que ele ia me matar, mas ele batia e dizia que eu nunca mais ia fazer isto, e foi verdade, nunca mais fiz. Esta foi a segunda surra, porque a primeira, alguns anos antes, eu tirei “zero” em comportamento e tive que usar o mesmo artifício da água sanitária, alterando a nota do comportamento por uma um pouco melhor. Mas... D. Fani também ligou lá em casa e disse minha nota pelo telefone. Quando Papai pediu as cadernetas e viu a nota diferente, sabia o que eu tinha feito. Minhas irmãs choravam e pediam para Papai não me bater, mas não tinha jeito. Ele dizia: “Se vocês defenderem sua irmã, vão apanhar também”. Mas ele sofria muito por ter que fazer isto, pois depois que ele batia, ele chorava escondido. Mas hoje entendo que ele tinha razão de agir assim. Quando íamos fazer algo errado, pensávamos sempre como seria o resultado final, e desistíamos.


Irmã, esta de você matar aula eu não lembrava mais!!!!Seu blog esta cada vez melhor! Fico "doida" para ler, mas leio sempre de manhã, para começar bem o dia. Beijos!
ResponderExcluirPoxa!!! Essa eu lembrava... Foi só começar a ler e me veio tudo à memória. Realmente o blog está maravilhoso!! Não páre... adoro!!!! Beijos!
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