quinta-feira, 16 de junho de 2011

Viagens e Passeios

Belo Horizonte e Ouro Preto

         Trabalhando, ficava mais fácil viajar. Então, sempre que podíamos combinávamos para fazer algo diferente, num feriado prolongado ou num final de semana. Uma das viagens que marcou, foi a que fizemos para Belo Horizonte.

         Era mês de abril, feriado da Semana Santa e resolvemos conhecer as tradições de Ouro Preto, cidade histórica. Darinha tinha um fusca branco e foi dirigindo, levando de carona eu, Vilma e Valdete. Tínhamos 4 dias de folga, pois naquela época a 5ª. Feira também era feriado.

A viagem foi tranqüila e demos muitas risadas. Optamos por ficar hospedada num hotel em Belo Horizonte e na 6ª. Feira fomos passear em Ouro Preto para ver a procissão. A distância entre as duas cidades era pouco mais de 70 Km. As ruas de Ouro Preto estavam totalmente enfeitadas de serragens coloridas, fazendo mosaicos por todo o percurso onde passaria a procissão. Lindo de ver! Uma cidade antiga com muitas ladeiras, muitas histórias importantes o que a tornava mais interessante ainda.

         Em BH, visitamos os pontos turísticos como a Igreja da Pampulha, o Estádio do Mineirão e um Museu. No mais, andamos pelas ruas da cidade, passamos por floriculturas e fotografamos tudo que víamos. Conhecemos Fernando, que se prontificou a nos mostrar a cidade. Paramos num barzinho muito simpático onde tinha uma roda d’água, ideal para compor as fotos que estávamos tirando. Para mim uma surpresa, foi nesta ocasião que vi pela primeira vez um pé de Jabuticaba. Foi uma felicidade geral tirar a fruta do pé e saborear.  





Olha o pé de Jabuticaba 













quarta-feira, 15 de junho de 2011

Meu primeiro emprego

         Quando estava fazendo o 3º ano do Curso Técnico de Secretariado, era obrigatório fazer estágio e fui indicada pelo Colégio Americano para estagiar na Companhia Ferro e Aço de Vitória – COFAVI. Meu estágio durou 6 meses. Estudava pela manhã e à tarde ia para o trabalho. Como me sai bem no estágio, me sugeriram que eu participasse dos testes de aptidão.

Comentei em casa com meus pais e as palavras do meu Pai foram as mesmas já ditas para Denise: “Você é quem sabe. Acho que deveria cursar uma faculdade e eu posso custear suas despesas, porém se decidir trabalhar fora suas despesas pessoais deverão ser arcadas por você”. Eu optei por trabalhar. O Sr. Paulo Fundão, grande amigo de Papai, naquela ocasião era Relações Publicas da empresa, mas Papai já foi adiantando que não usaria de sua amizade para pedir nada. Fiz todos os testes (Português – Matemática – Conhecimentos Geais e exame psicotécnico), juntamente com outros candidatos. Estava apreensiva mas também confiante. Alguns dias depois saiu o resultado e a vaga era minha. Comecei no dia 18/03/1969, como ajudante da Secretária do Diretor Industrial. Celi era extremamente competente assim como era muito exigente com aqueles que trabalhavam com ela. Ela participava das reuniões de diretoria e tinha que elaborar a ata com os assuntos tratados na mesma. Quando sai da reunião, passava o rascunho para que eu datilografasse, em 8 vias (sendo a primeira em papel sulfite e as 7 cópias em papel seda com carbono). A máquina era uma IBM elétrica, com esfera e corretivo. Às vezes errava uma letra e apagava com o corretivo na primeira folha, mas as demais não tinha como. Celi fazia eu datilografar tudo novamente e quantas vezes fosse necessário para não ter nenhum erro. Mas foi graças a ela que aprendi a fazer um trabalho bom e de qualidade.

Saía de casa muito cedo (no inverno ainda escuro), pois morava na Jerônimo Monteiro na altura da Esplanada e o ponto do ônibus para Jardim América onde ficava a Usina era em frente ao Cine Santa Cecília próximo ao Parque Moscoso. Não tinha ônibus que me levasse até este ponto, então ia a pé. Entrava às 7 horas da manhã e o expediente terminava às 17 horas. Chegava em casa já estava anoitecendo. Desde cedo, procurei sempre me espelhar nas atitudes de Papai com relação ao trabalho, cumprir o horário rigorosamente, valorizar seu dinheiro, mostrar interesse, etc...  

         Como adquiri um pouco de pratica no estágio, comecei a ser requisitada para substituir as secretarias que saiam de férias ou de licença maternidade. Com o tempo, fui mostrando meu trabalho. Gostava quando substituía a Secretária do Setor Jurídico que funcionava no prédio ao lado do Fabio Ruschi. Nestas ocasiões, eu ficava bem próxima de casa. A empresa tinha um sistema de promoção, que consistia no seguinte: de 3 em 3 anos era feita uma avaliação do funcionário, considerando vários itens como assiduidade, responsabilidade, interesse, iniciativa, etc). Se sua avaliação fosse boa, você seria promovida por merecimento, caso contrário, você demoraria 5 anos para ser promovida por antiguidade. Eu sempre dei sorte pois todas as minhas promoções foram por merecimento. Continuei desempenhando satisfatoriamente minhas funções de “Regra 3 (substituta), até que criaram um Setor chamado de “Assessoria da Diretoria Industrial” e quem assumiu esta função foi o Engº Carlos Alberto que por sua vez me convidou a ser sua secretária. Fui trabalhar definitivamente na sala da secretária da Diretoria Industrial, onde eu atendia este Engenheiro e a Lindalva, uma grande amiga, atendia o Diretor.

         Gostava de trabalhar ali e me dava bem com o pessoal. Fazia parte do time de Vôlei da Associação dos Funcionários.

         Somente os funcionários que tinham carro registrado na portaria podiam  entrar. O percurso era de mais ou menos 1 Km para chegar ao escritório administrativo. Paralela a esta rua, ficava a usina de Laminação que ocupava toda a extensão. Eu não tinha carro e namorava um rapaz que me proibia de pegar carona. Então o meu percurso era feito sempre a pé ida e volta. Os amigos sempre paravam para oferecer carona, mas a resposta era sempre a mesma: “Não obrigada, eu gosto de caminhar”. Mas no fundo, todos sabiam que Marco Aurélio não permitia caronas. Algumas vezes ele me levava até a portaria ou me pegava na saída e assim todos ficavam sabendo que realmente eu não iria mudar meu pensamento.

         Participamos de muitos casamentos do pessoal que trabalhava ali. Saudades de quem deixei para trás, como Lindalva, Marinete, Reboli, Martinha, Zuleica, Aparecida, Linir e tantas outras.

         Trabalhei nesta empresa por sete anos e meio, e fiquei triste quando precisei sair. 


Tomada da Usina - Escritório Adminsitrativo e Refeitorio na parte inferior



Eu e minha amiga Lindalva na lateral do Esc. Administrativo

Recepcionando pessoal da Alemanha


Rita num minuto de folga - Secretaria do Controle da Qualidade


Com a blusa verde da minha irmã que eu adorava (lembra dele Dê?)


Rita com a camiseta vermelha - Treino de Volei

terça-feira, 14 de junho de 2011

A História de uma Rua


Naquela época, morar na Sete de Setembro era um luxo. Para se ter uma idéia, numa das minhas pesquisas pela Internet, me deparei com um texto, escrito por Edson Tadeu Campostrini Cruz e Arion Carlos Ribeiro de Oliveira, que retrata bem o que era o centro de Vitoria naquela época. Abaixo, o relato na íntegra. Quem teve a oportunidade de conhecer a Rua Sete naquela ocasião, vai relembrar exatamente como ela era.  Em cima do texto copiado, fiz algumas observações particulares, apenas para ilustrar melhor aquela época.

“Escrever a história da Rua Sete de Setembro é escrever parte da história da cidade de Vitória, uma história que passa pelos seus costumes, suas modas, manifestações artísticas, amores proibidos, paixões inconfessáveis, escândalos, crimes passionais, lutas políticas, boemia, irreverência, e samba, muito samba... Sendo antes de tudo, mais um estado de espírito que apenas uma rua, cada um trás dentro de si a sua Rua Sete, com direito a contar a sua própria estória, e acreditar nela. Uma história de grandes encontros e, também, muitos desencontros...
A antiga Rua da Várzea tem seu nome atual tirado de um grito de liberdade, pois foi rebatizada com a denominação de Rua Sete de Setembro em 1922, quando das comemorações do centenário da Independência do Brasil.
Talvez graças ao peso de seu nome, passou a ser o local de todas as possibilidades, infinitas manifestações, lugar onde tudo, ou quase tudo é permitido, onde diferenças são ignoradas e antagonismos inexistem, local onde a independência e a liberdade, lembrados pelo seu nome, e a irreverência pudessem imperar.
Partindo da Prainha no Largo da Conceição, antiga Praça da Independência, hoje Praça Costa Pereira, e se alongando até a Fonte Grande, formou por muito tempo com as ruas que a circundam, a “Graciano Neves” e a “Treze de Maio”, o grande palco das alegrias e mazelas da sociedade capixaba.
Vou à rua sete já significou a preferência de uma cidade. No início a Praça Costa Pereira tinha dois terços da sua área banhados pelo mar, e para evitar as freqüentes tentativas de invasão de corsários e piratas foi construído no local, ainda no século XVIII, o Forte São Diogo.
Depois de aterrada, iniciou-se a ocupação de seu entorno. Data desta época a construção do Teatro Melpômene, destruído anos depois por um incêndio. Mais tarde surgiram, o Café Avenida, a Sorveteria Pingüim, e o Hotel Império, ainda existente.
A praça, local de grande movimentação social, abrigava o famoso “footing”, no qual homens e mulheres flertavam ao circularem em sentidos opostos. Foi ponto de encontro de famílias tradicionais e abastadas de Vitória que moravam no centro.
Dentre suas lojas mais famosas destacou-se a Madame Prado, primeira grande Maison da cidade, onde as granfinas compravam seus vestidos, chapéus, luvas, tecidos finos, acessórios e presentes, incluindo louças e porcelanas importadas. A porta dessa loja foi símbolo de requinte, mas também palco de uma tragédia que marcou época com uma história de amor, vingança e morte.
A Praça Costa Pereira foi perdendo gradativamente seu glamour a partir da década de 50. (Quando conheci a Praça Costa Pereira, já não existiam os bondes. Minha avó morava no sexto andar do Edificio Antenor Guimarães. Me lembro muito bem do Edificio do Palacio do Café, onde no terraço funcionava um excelente restaurante, assim como também me lembro do Clube Alvares Cabral, onde pulamos tantos carnavais e o que não pudemos ir, pulamos na varanda do apartamento até o dia clarear).
A atual Rua Graciano Neves foi inicialmente conhecida como Rua do Reguinho, pois era cortada em toda a sua extensão por uma vala formada pelas águas da Fonte Grande. (Era nesta rua que moravam num prédio de esquina o Sr. Leoncio e D. Acedalia Rezende, pais do Tio Otto. Mais tarde Tia Dalva e Tio Otto também mudaram para esta rua).
Após a canalização das águas tornou-se uma rua essencialmente residencial. Lá moravam famílias importantes da cidade. No local onde hoje se encontra o edifício Antares ficava a “Chefatura de Polícia”, utilizada como prisão política durante o movimento integralista e para onde eram levados políticos e simpatizantes de esquerda durante o governo militar.
A Rua do Piolho, atual Rua Treze de Maio, onde se viam figuras exóticas como o senhor Leovigildo, dono de modestíssima quitanda e que gostava de se trajar com figurinos do século passado, além do Sr. Manoel Rodrigues das Neves, conhecido por “Perna-fina”, tocador de viola e ensaiador de peças teatrais. (Nesta Rua, 13 de Maio, moramos antes de mudarmos para a Sete de Setembro).
Com a urbanização da região chegou o bonde, que subia a Rua Sete em direção à convertidora.
Dada a sua importância, a Prefeitura Municipal de Vitória tinha na Rua Sete a sua sede. Na rua também ficava a antiga empresa de energia elétrica CCBFE.
Debruçadas na janela as “de Jesus”, a tudo assistiam. Irmãs que ainda hoje moram na Graciano Neves, contam que havia nas proximidades uma “cancha” de basquete onde as pessoas se divertiam com esse esporte. As “de Jesus” eram famosas por serem muito prendadas. Professoras de piano eram também conhecidas por fazerem um delicioso bolo formigueiro.
Por muitos anos vários tipos populares freqüentaram a região, entre eles: Otinho, o eterno poeta da Rua; a Rainha das Flores, em seu vestido branco enfeitado com flores levando sempre uma sombrinha também florida e muito “pó de arroz” no rosto; Meio Fio, famoso por caminhar apenas na beira das calçadas, sempre trajando paletó e gravata, levando uma piteira pendendo da boca e na mão uma bengala; e Feijoada, um mulato de lábios muito grossos. São dessa época a Padaria Nacional, o Café Estrela e o armazém de secos e molhados dos Gianordolis.
A partir da década de 60 a Rua Sete passou a ser artéria de importância comercial. Havia a Casa Simões, a Loja São Sebastião, a Casa Esperança, bazares que vendiam “de um tudo”, artigos de armarinho, cama e mesa, sombrinhas e tudo o mais que se precisasse.
Mudando substancialmente de cara, e com a sofisticação de suas lojas, passa a ser então o ponto de encontro das mulheres elegantes da cidade que compravam suas roupas em butiques da moda. Doll Sport, Click, Abigail, Heládia, Milady, Paris Modas, Gina eram as mais famosas. (Quantas roupas bonitas compramos nas boutiques desta rua. Denise era uma freguesa constante da Doll Sport).
Chique era ter sua casa decorada com cristais, prataria, ou qualquer outra peça vendida no Porão de Palha, ou na D’Arc Presentes, que ficavam na Galeria Jeanne d’Arc, assim mesmo, em francês, como que para conferir maior glamour. Na mesma galeria os homens elegantes encomendavam seus ternos na Alfaiataria Fraga, ponto de encontro dos poderosos, de ricos empresários a políticos influentes. (Nesta Galeria Tia Heny teve uma loja chiquerrima de decoração. Naquela ocasião, comprei muitos presentes para alguns casamentos que compareci. Na volta do trabalho, era bm passar por lá, ver as novidades e adquirir algo).
Na Galeria Valverde, onde funcionava na época a loja de discos Jairo Maia, do famoso radialista, encontramos ainda hoje A Fada, especializada em lingeries, meias finas, perfumes importados e cosméticos. (Ah! quem não lembra da Loja de discos  Jairo Maia? Ficava bem no meio da galeria. No final dela, com frente para a 13 de Maio tiha aquela boutique  onde comprei meu vestido do casamento de Telina. Lembro que ganhei uma camisa linda de voal azul clara de Papai comprada nesta loja).
As dondocas se embelezavam no Salão Shangri-La, o fino do fino, e vestiam seus filhos na Infantil Modas, logo ali, na Treze de Maio, com direito a eternizar um momento qualquer no Foto Léa. (Lembro de uma loja muito bonita que só vendia enxoval e se chamava "A Madeireira". Comprei todo meu enxoval nesta loja. Ela ficava quase em frente ao Britz Bar. Eram peças de excelente qualidade, tanto que ainda hoje tenho peças adquiridas nesta loja).
Comia-se no Garrucha 44, restaurante durante o dia que, dizem alguns, se transformava em “casa de encontros” com o cair da noite...
Encomendavam-se sapatos sob medida na A Jato, e a barba só podia ser feita na Barbearia do Gaúcho, apenas com hora marcada, é claro. (Lembram desta sapataria? Cheguei a encomendar sapatos ali).
A rua passa a ser também freqüentada pelos jovens descolados da época, onde, para um público mais seleto, havia a Lanchonete Sete, decorada com famoso painel da artista capixaba Marian Rabelo.
Morar na Rua Sete nesta época era considerado sinal de status. Um apartamento no Edifício Gaivota, ou no Edifício Antares, com sua Galeria Shopping 7, inaugurada com grande alarde por ter a primeira escada rolante da cidade, passa a ser o sonho de consumo de muitos. (Esta galeria ficava entre a Sete de Setembro e a Graciano Neves)
         Já no final dessa época foi construído seu último grande empreendimento, uma nova galeria, obviamente, a Galeria Boulevard, que resistiu ainda por alguns anos, até que o tempo levasse embora a marca de uma época.
         Impossível falar da região da Rua Sete sem lembrarmos o saudoso Britz Bar, onde diferenças sociais ou políticas nunca foi impedimento para a alegria e a descontração do ambiente. (Poxa, quem não lembra do Britz? Era tão bons encontrar os amigos ali).
Com sua cerveja sempre quente, durante muitos anos o bar reuniu diversos setores da sociedade capixaba: Intelectuais, artistas, boêmios, ricos e pobres, pessoas elegantes e mendigos, senhoras da alta sociedade e prostitutas, homens, mulheres, gays, todos conviviam e compartilhavam do mesmo espaço. (No Britz, tinha um prato que eles serviam que era incrivel. Se não me falha a memória, seu nome era "Bife a Cavalo" e era composto de: Bife alto, rodelas grossas de palmito, farofa na manteiga, batata frita e arroz. Simplesmente maravilhoso e inesquecivel! Muitas vezes levavamos este prato para comer em casa).
Ponto de encontro de jornalistas que trabalhavam em “O Diário” e no “Jornal da Cidade”, o Britz seria a síntese do espírito que reinava na região, a maior tradução do clima de irreverência e democracia pelo qual a rua ficou conhecida.
Eram muito concorridos os carnavais do Britz. Sendo famoso o Bloco Unidos de Carapeba, formado por freqüentadores do bar que se vestiam de mulher. (Este bloco era incrivel, muitos anos acompanhamos de perto pois os amigos e namorados também se vestiam de mulher e participavam do evento).
O Britz foi fechado...
“...É provável que a época deste tipo de estabelecimento tenha chegado ao fim... Para cada período houve um pouso, lar doce bar para os abandonados da sorte... ninho sem estranhos e sem estradas, onde se amontoam as conversas diárias, um café e um cigarro.” (Fernando Tatagiba)


Nesta esquina funcionava o Britz Bar - Que saudades!!!


... mas resistindo aos caprichos do tempo ainda encontramos o Bimbo e o Bar do Gegê, onde se pode beber uma gelada com torresmo e bolinho de carne, e de quebra, se você tiver sorte de chegar na hora certa, ouvir uma roda de samba, puxada por ninguém menos que Edson Papo-furado.
O comércio de luxo deslocou-se para a região norte da cidade.
A Rua Sete foi perdendo seu glamour e entrando num período de decadência, suas referências de requinte se foram.
De local sofisticado as ruas da região passaram a ser as ruas dos armarinhos, das lojas de produtos orientais, lojas de material de carnaval com fantasias a colorir suas portas e de onde, dependuradas em suas vitrines, máscaras teimam a sorrir para quem passa.
Insistindo em sua tradição de local de todas as tendências, lojas de produtos naturais ficam lado a lado com as de suplementos alimentares. Onde mais isso poderia acontecer?
Restaurantes de comida a quilo espalham-se por toda a região. Lojas de folheados falseiam o brilho do passado. Uma Pastelaria Chinesa, um Caldo de Cana, óticas, relojoarias, farmácias, pequenos comércios de trabalhos manuais e bordados disputam fregueses.
No outrora requintado calçadão, ambulantes oferecem filmes piratas, frutas e legumes. Em meio a tudo isso, apesar do tempo passado, ainda se faz sentir o cheiro de pão fresco da Padaria Expressa.”

Esta é a paisagem da Rua Sete de Setembro de hoje



  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Onde estava a Felicidade

        Hoje relembrei quando nos finais de tarde, ao voltar do trabalho, encontrava Papai no calçadão da 7 de Setembro, com o pacotinho de pão. Tinha acabado de passar na Panificadora  (ela fica na Graciano Neves, ao lado do IBEU – Curso de Inglês). Gostava do pão quentinho e levava para casa o pão Tatu (uma delicia!). No trajeto, sempre parava com um ou outro conhecido até chegar em casa na 13 de Maio.

         Muitas vezes, quando saia da Vale, passava pelo Copolilo (era uma distribuidora de revistas e jornal, que ficava na Jerônimo Monteiro), e encontrava os amigos para um bate papo informal.
        
         Um dia, Papai nos deu um grande susto. Tinha saído num sábado, e demorou a chegar. Já estávamos preocupadas. D. Nair havia preparado para o lanche “pãozinho japonês”, uma massa de pão aberta com uma camada de côco ralado, enrolado como rocambole e depois cortado em fatias grossas. Passava gema e levava ao forno para assar. Lá em casa, durante a semana sempre tinha jantar, nos finais de semana, se servia lanche. Naquele dia, acabamos não lanchando porque estávamos preocupadas. Mais tarde, a campainha tocou e nos assustamos. Quando abrimos a porta era Papai, que estava engessado, com o braço e a clavícula quebrada. Disse que sofreu um acidente com o amigo que estava dirigindo.

         Nesta época, Papai viajava bastante nos finais de semana. Denise já casada e morando na Praia da Costa e Telina morando em Foz do Chopim no Paraná. Para não deixar Mamãe muito sozinha, acabava ficando mais em casa. Nos fins de semana, saia à tarde com o namorado e à noite ele ia assistir filme comigo e assim fazíamos um pouco de companhia para Mamãe.

         Papai comprou um apartamento muito bonito na Rua Sete de Setembro. Ficava no Edifício Gaivota, no 2°andar de frente. Era um apartamento grande, com 3 quartos (1 suite), um banheiro social, uma sala grande, uma copa, uma cozinha, lavanderia ampla e dependências completas para a ajudante. Antes de mudar, ele mandou fazer os armários para todas as peças. A Sala era em “L” e próxima a janela, ficava a sala de visitas, com sofá, mesa de centro e mesinha lateral. No outro lado, ficava a sala de jantar, com mesa oval de jacarandá, com cadeiras com palinha e um aparador. Num outro canto, uma mesa pequena e duas cadeiras de jaarandá. O primeiro quarto, foi feito para sala de TV, um sofá cama, um armário embutido de cerejeira e um mesinha com a TV. No segundo quarto, ficou o meu, com 2 camas de solteiro branca, uma mesinha no centro e um armário embutido branco. O banheiro social ficava em frente a este quarto. E o terceiro, que era dos meus pais, logo na entrada do lado esquerdo, foi feito um armário grande embutido em jacarandá, na seqüencia, o banheiro, paralelo ao armário, a cama com as mesinhas laterais e tinha ainda um espaço grande que dava para a janela, neste espaço foi colocada uma “cadeira do Papai”. Na copa, tinha uma mesa de fórmica e 6 cadeiras. Na cozinha, fogão, geladeira, armários embutidos e um armário que fazia jogo com a mesa de fórmica. Foram feitos também armários na lavanderia e nas dependências da Ajudante.



Sala de Visita com a Dani


Sala de Visita



Sala de Jantar com a Manoela



Meu Quarto



Meu Quarto - Valdete, Mamãe, Telina, Vovó Telina, Denise, Vilma, Serginho e Manoela



Copa  -  Papai, Mamãe, Dani, Serginho e a Ajudante

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Marcas do Tempo

        Gostávamos de vê-lo trabalhando com a prancheta, a régua “T” e a grande caixa de lápis de cor importada. Ela abria em camadas e tinha uma gama enorme de cores em dégradé. 

Papai desenhando


         Mamãe confeccionava nossas roupas e a dela e sempre estávamos impecáveis para sair.

         Ele viaja muito pela Vale, principalmente para o Rio de Janeiro, onde sempre se hospedava no Hotel Glória, no Centro. Tinhas grandes amigos lá como Reis e Caruso.



Hotel Gloria no Rio de Janeiro




         Papai gostava de ouvir música, e à noite, depois do jantar, quando ia à janela da sala fumar um cigarro, sempre tinha um disco tocando. Outras vezes, sentava no sofá e tocava sua gaita de boca. Algumas vezes ele e mamãe dançavam.

         Ele nunca aprendeu a dirigir carro, talvez por receio do problema cardíaco que ele tinha de nascença e assim teve o Sr. Benedito que sempre o atendia muito bem. Com isto, nunca tivemos carro. Mas uma época, ele resolveu comprar um. Escolheu um Landau (usado) na cor dourada com a capota branca. Contratou um motorista todo uniformizado e nosso primeiro passeio foi na Praia da Costa na casa dos nossos avós.

         Tivemos a oportunidade de comemorar com nossos pais suas Bodas de Prata. Preparamos a cerimônia na igreja e depois uma pequena recepção para os parentes e amigos mais íntimos.          

         Mamãe sempre foi muito magra e durante muitos anos tomou um remédio chamado Sanguenol. Adorava ler e tinha a coleção completa de Machado de Assis. Eram livros grossos, capa dura azul marinho e letras douradas. Era alérgica a banana prata. Tinha verdadeiro pavor de gato. Para justificar este medo, contava uma historia que uma vizinha viajou e deixou o gato dentro de casa e quanto voltou da viagem o gato atacou sua dona.    

         Depois que nasci e viemos morar definitivamente em Vitória, moramos em Maruipe, Rua Fortunato Ramos, nº 387 - Praia do Canto, Rua Graciano Neves (perto da Conventidora), nº 2, Rua Santo Antonio, nº 86 - Santa Clara, Rua Jerônimo Monteiro, nº 871, Rua 13 de Maio, nº 17 e Rua Sete de Setembro, nº 270. Um fato curioso, é que a maioria dos lugares que moramos o número do imóvel sempre tinha 7. Coincidência ou não, é um numero que simpatizo e até hoje tem sempre feito parte de minha vida.



Casa de Maruipe





Casa da Rua Fortunato Ramos na Praia do Canto




Casa da Graciano Neves (perto da Convertidora)




Casa da Santa Clara



Avenida Jeronimo Monteiro



Rua 13 de Maio

 

As últimas da Rua Sete de Setembro

 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Meus Pais

         Meu pai foi um exemplo de vida para mim. Sempre foi a figura chave em nossa família. Minha mãe veio de uma educação que o papel da esposa era ouvir, respeitar a opinião do marido e não se posicionar ou discordar. Com isto, Papai é quem decidia tudo, tanto é que, quando aprontávamos, Mamãe dizia: “Vou contar ao seu pai quando ele chegar”.

         Minha mãe era de uma família de posses e meu pai um trabalhador. Quando ficaram noivos, deu de presente para Mamãe um cordão de ouro com um pingente em formato de cruz, todo em Rubi com o contorno em ouro e no meio um brilhante. Era lindo, mas deve ter custado muito caro, porém ele queria sempre surpreender! Casaram muito novos, como era praxe naquela época. Mamãe com 20 e Papai com 22 anos. Mamãe conta que o bolo de casamento deles era muito bonito, tinha 3 andares e foi Papai quem idealizou. O bolo tinha até iluminação. Ele nunca permitiu que faltasse nada em nossa casa, pois achava que, tendo tirado Mamãe da vida confortável que ela tinha na casa dos pais, não seria justo arrastá-la para uma vida de dificuldades. Trabalhava duro para sustentar a esposa e as três filhas. Eu, posso imaginar que economizava em muitas coisas para ele, para que não faltasse nada para o nosso bem estar. Graças a Deus, nossa mesa sempre foi farta e isto, nós herdamos dele. Podemos não ter dinheiro para viajar mais ou comprar tantas roupas novas, mas jamais deixamos de ter fartura em nossa mesa.  Lembro-me que desde pequena sempre tivemos ajudante em casa e era o motorista que fazia as compras no mercado da Vale, mediante a lista previamente preparada.





                                               Com amigos da Vale 



                                                               Com amigos da Vale



         Papai gostava de chegar em casa e encontrar tudo arrumado. Mamãe acostumou a deixar em cima da cama a roupa que ele vestiria depois do banho. Todos se arrumavam para o jantar. Em relação às filhas, não permitia desobediência, nota baixa na escola, chegar fora do horário estipulado e rir à mesa sem motivo (quando escondíamos a salada no guardanapo, uma olhava para  a outra e começava a rir).

         Lembro-me dele dar gargalhadas e chegar a sair lagrimas dos olhos com as piadas do Tio Otto. Ria muito!

         Gostava de tomar Campari, Conhaque e Whisky. Sempre fumou muito e dentre as marcas preferidas estavam Hollywood e Malboro, sendo que mais tarde, preferia os cigarros mais finos e longos inclusive o Bensson Mentolado (a carteira era verde claro com as letras pretas). Adorava Pudim de Leite condensado, além das comidas típicas mineira. Com freqüência, gostava de ir ao restaurante Mar e Terra, próximo a Ilha do Príncipe, comer galinha ao molho pardo. Acompanhava as noticias gerais da época e a política, mas nunca o vi discutir este assunto. Papai torcia para o Flamengo e Mamãe simpatizava com o  Fluminense.

         Nossa infância transcorreu normal, como já descrito em outros capítulos. Papai sempre muito exigente com as filhas, pois achava que educação e respeito era primordial. Então fomos educadas neste padrão: tomar benção aos pais, chamar os mais velhos de “senhor” e “senhora”, quando os adultos estavam conversando, jamais se meter nos assuntos, ir à missa todos os domingos, e por ai em diante.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Telina – Final


Apesar de trabalharem muito, o dinheiro não era suficiente para dar conta de aluguel da casa, do ponto da COPISOL e duas crianças pequenas. Telina então resolveu trabalhar em outro lugar para ganhar um pouco mais. Em Fevereiro de 1976 começou na COHAB como Secretária da Presidência. Nesta ocasião a Dani tinha 3 meses e como morávamos no mesmo prédio, Mamãe dava uma força, pois tínhamos uma ajudante constante.

Dani pequena

Papai e Dani e à esquerda, Denise e Manoela


         Como já disse antes, D. Elcia tinha uma casa enorme e além da casa principal, construiu vários apartamentos na parte de baixo da casa. Quando Telina e Sergio resolveram entregar o apartamento do Gaivota,  foram morar num destes apartamentos. Não lembro se antes ou depois disto, eles moraram numa casa em Jardim Camburi.

         Teve um ano, que os sobrinhos mais velhos vieram passar as férias em  Curitiba, Serginho Manoela e Dani. Eu estava eufórica, pois queria que eles aproveitassem todos os dias. Tirei alguns dias de férias também para ficar com eles. Comprei 3 bicicletas para eles passearem no parque do Papa e coloquei-os como sócios temporários no Clube Santa Mônica. Com isto, passávamos o dia por lá, entre parquinhos, piscinas e brincadeiras.

         Num determinado período, enquanto Sergio tocava a empresa, Telina  trabalhou na CST durante quase 7 anos. Quando saiu da CST em 1986, voltou para a COPISOL e ambos tocaram juntos, fazendo a empresa crescer muito, porém sempre com o esforço conjunto dos dois.

         Construíram uma casa linda na Serra onde tivemos a oportunidade de  usufruir de muitos momentos maravilhosos, os churrascos, as caranguejadas, a piscina.

         Viajaram ao exterior, comemoraram bodas de pérola com uma linda festa onde pudemos rever amigos e familiares, enfim, curtiram a vida, aliás muito bem merecidas, uma vez que trabalharam sempre e muito.



                                                            Telina e Sergio em Miami




                                              
                                                   Telina e algumas amigas no Cruzeiro





                                                 Mamãe e Telina no Aeroporto de Vitória



                                                                  Bodas de Pérola








         A família foi crescendo, hoje, o Serginho está casado com Flavia e tem dois filhos: Isabela e Guilherme. A Dani se casou com Fabrício e está feliz, Telina, para não perder o habito, continua trabalhando como sempre. Isto é ótimo pois ajuda a gente a se sentir útil.

                                                                       Familia reunida




                                                               Telina, Sergio e Isabela