sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Vida é a arte do encontro ...

 ... embora haja tanto desencontro pela vida, assim diz uma música do Vinicius de Moraes. É a mais pura verdade. Tendo um meio irmão, não o procurei. Já me perguntei inúmeras vezes por que, e não achei nenhuma resposta plausível. Por que eu morava longe? Não era justificava, pois várias vezes estive em Vitoria. Medo de não ser aceita? Também não justificava, pois eu não havia nem mesmo tentado. E assim o tempo foi passando. Mesmo podendo contar somente com sua mãe, o Junior foi à luta atrás dos seus ideais. Mostrou-se excelente aluno, conseguindo uma das melhores notas do curso, passando com louvor.

Com uns 18 anos


Provavelmente se não fosse por ele, até hoje não teríamos nos conhecido. Como isto aconteceu e por quê? Vou relatar os fatos.

Um dia qualquer do mês de julho, mais precisamente numa segunda-feira, em torno de 19 horas, recebi uma ligação. A pessoa se identificou com seu primeiro nome e eu achei que era meu primo Nilton, filho de Tio Marcos e Tia Marli que morava no Rio. Fui alegre com ele, e disse o quanto era bom saber noticias dele. No final da rápida conversa, foi pedido meu MSN e como não sabia de cor, pedi que ele me passasse o dele que no dia seguinte eu o incluiria. No endereço constava a abreviatura de Vitória e foi neste momento, que minha ficha caiu, entendi tratar-se do meu irmão. Mas naquele momento, nenhum dos dois disse nada. No dia seguinte inclui o endereço na minha lista de contatos e a partir daí, passamos a nos falar virtualmente quase todos os dias, mesmo que fosse apenas “um bom dia”. Foram semanas de conhecimento de ambas as partes. Aqui vale uma observação: A foto dele que aparecia no MSN era de um Avatar. A principio fiquei muito assustada, pensando se era ele fantasiado. Observava a foto tentando identificar algum traço que pudesse saber como ele era na realidade. Morria de curiosidade. Finalmente nos conhecemos por foto.

Esta era a figura que ele tinha no MSN - Achava que era ele fantasiado


Nesta foto ele me conheceu


Nesta foto eu o conheci


Agora o porque ele me procurou naquele dia ... não sei. Talvez curiosidade ou quem sabe necessidade de ter alguma referência do seu passado. Pode ser que um dia ele me conte. De qualquer maneira, foi muito bom conhecê-lo. Descobrimos que em algumas coisas somos muito parecidos. No período que tivemos oportunidade de estarmos mais em contato, percebemos que ficamos bravos, choramos, rimos e brincamos, com a mesma facilidade que aqueles irmãos que conviveram a vida inteira juntos.

Três meses depois resolvi ir a Vitória para finalmente conhecê-lo. Passei 7 dias na cidade e levei-o para um “tour” pelo passado. Visitamos os bairros onde moramos, colégio onde estudamos igreja que freqüentamos. Apresentei meus amigos, e revimos alguns parentes. Foi gratificante conhecê-lo um pouco mais. Uns meses depois ele veio a Curitiba conhecer minha família e onde eu morava.

Quando nos conhecemos pessoalmente - No Convento da Penha


Na Praia de Santa Luzia


No Bar Atlantica do Osmar - Daiquiri feito especialmente para mim (lembrando os velhos tempos)


Junior em Curitiba no Outback



Com amigos - D. Lina, Valdete e Vilma



Catarina



Em Maio 2010, voltei a Vitória com a finalidade de festejarmos juntos seu aniversário de 31 anos.

Aniversário do Junior em Vitória



Em rápidas pinceladas, este é meu irmão Junior. Como todo irmão que se preza, às vezes discordamos e nos desentendemos ... divergências de opinião? Talvez, mas isto é normal, porém no fundo, sabemos da importância que um tem para o outro mesmo estando tão distantes. Ele sabe, mas voltarei a frisar aqui, que, independente de nossas divergências, estarei sempre por perto, caso precise do carinho e atenção de sua irmã.

Não sei se ele algum dia lerá estas memórias, mas caso sinta em algum momento necessidade ou curiosidade de saber mais sobre o passado de sua família, poderá encontrar alguns fatos que narrei aqui, e com certeza entenderá a importância que ele teve e tem na minha vida.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Saudade do que não vivenciei

        Você já teve saudades de algo que não viveu? Já pensou na possibilidade de voltar no tempo e viver uma etapa que por algum motivo pulou? Pois é, em meus devaneios eu já tive muita vontade de voltar no tempo e usufruir da companhia de uma pessoinha que veio ao mundo para realizar sonhos e trazer felicidade àqueles que o cercavam. Pelo menos esta sempre foi sua intenção, porém, agora depois de adulto, as vezes sinto que ele se perde um pouco no meio do caminho.  

Com 7  meses


        Junior, meu irmão, chegou com uma diferença de 29 anos de mim. Foi a alegria e realização para Papai, que concretizou o seu sonho mais doce. Não presenciei, mas a julgar como ele era com os netos, imagino que devia ficar horas e horas debruçado no berço, só para olhar aquele menino tão esperado. Quem sabe nestes momentos, ele elevava o pensamento a Deus e agradecia este sonho realizado. Quantas idéias não passavam pela sua cabeça. Provavelmente, varias vezes deixou seu pensamento livre imaginando o que seu filho seria no futuro. Independente da profissão que escolhesse o importante era ser digno e honesto como ele era, e se hoje aqui estivesse, constataria que tudo aquilo que imaginou e sonhou para seu filho, se realizou. Ele se tornou um homem digno, honesto e de bom coração.

         Infelizmente ele viveu muito pouco para desfrutar da companhia do Junior. Sessenta e dois dias depois que ele nasceu, Papai veio a falecer. Meu irmão era bebê, mas com certeza já sentia a presença do Pai, o carinho e o chamego que tinha para com ele. Quando segurava suas mãos pequenas, com certeza queria transmitir sua força, sua proteção e todo seu amor.

         Papai se foi e deixou para Marilza, mãe do Junior, toda a responsabilidade de criá-lo. Não deve ter sido nada fácil para ela, mesmo podendo contar com sua mãe, avó do meu irmão para ajudá-la.

         O tempo foi passando e o Junior tornou-se uma criança linda, mas em seus olhos tristes, podia-se notar que faltava algo. Provavelmente a presença do Pai. Posso imaginar como deve ter sido triste para ele querer saber como era a fisionomia do seu pai e depender apenas da descrição das pessoas. Conhecê-lo apenas através de fotos, mas não saber o som da sua voz nem o calor de suas mãos. Não poder ouvi-lo cantar cantigas de ninar para ele dormir mais rápido e ter lindos sonhos. Hoje entendo como tudo isto deve ter sido difícil.

Com 3 a 4 anos




Com 5 a 6 anos



Com sua Avó


Com uns 13 anos


Com sua Mãe


Meu irmão não teve escolha, mas eu tive a escolha de procurá-lo e não o fiz quando deveria. Não teria o mesmo peso que o Pai, mas poderia tê-lo visto crescer contando todas estas historias que estou contando agora. Por isto a saudade do que não vivenciei.

         Hoje é um dia muito especial para mim, por isto deixei para esta data a postagem deste capitulo que é tão importante em minha vida.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A estrela mais brilhante

         Talvez, algumas pessoas ao lerem minhas memórias, achem que só lembro-me de coisas boas ... e é verdade, pois são estas lembranças que me fazem bem.

         Meu Pai, por exemplo, estava longe de ser perfeito, tinha muitos defeitos, assim como todos nós temos, mas sempre nos passou bons exemplos. Então, quando me lembro dele, só me vem a mente como ele era bom, emotivo, carinhoso, preocupado com o bem estar de todos nós. Talvez tenha demorado tanto a refazer sua vida, por pensar demais nas pessoas que estavam mais próximas dele (como Mamãe, suas filhas, seus genros e seus netos). O amor é gratificante quando é recíproco, do contrario, desgasta a convivência. O tempo às vezes faz destas coisas, um grande amor que se transforma em amizade. E entendo que foi isto que aconteceu com meus pais. O grande amor deu lugar a amizade.

         No lado profissional, foi um exemplo de dignidade para nós. O que conseguiu na vida, foi através de seu trabalho e sua dedicação.

Há algum tempo, uma estrela me acompanha. Ela aparece ao alvorecer e se localiza bem defronte a minha janela. Brilha muito e me parece ser maior que as outras. Será a Estrela Dalva? Talvez ... mas independente de que nome ela tenha ela passou a ser “minha estrela”. Todos os dias, quando o céu  de Curitiba permite visualizá-la, faço minhas orações olhando para ela, e quando tenho dúvidas e incertezas e me pergunto como resolver, ela pisca como a me dar a resposta. Quem sabe é meu pai em forma de estrela me ajudando a entender este mundo que às vezes é difícil e cruel. Mas prefiro não me deixar abater pela tristeza e sempre vou à procura de soluções. Não vale a pena complicarmos as coisas simples. Sempre analiso as dificuldades e procuro entender os motivos de estar acontecendo. Quando é possível, gosto de ajudar os outros.  Tenho certeza que se ele estivesse aqui, teria muito orgulho desta sua filha que aqui está.


Sabe Papai, ouvi há muito pouco tempo algo num filme que gostei demais e que dizia assim:

“Cada minuto que passa é uma chance para mudar tudo para sempre. Eu vou te encontrar de novo.”

Para mim, você deixou saudades, mas espero encontrá-lo um dia. Por enquanto, vejo você ao amanhecer, da janela do meu quarto, através da estrela mais brilhante que existe no céu sem nuvens.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mais tristezas


Foi um período muito difícil e parecia longe de acabar. A sensação é como estar em queda livre sem saber onde você vai cair. As perdas de um modo geral são sempre tristes. Imagine então o que é perder seu Pai.

Exatamente um ano depois de termos perdido Paulo Cesar, sofremos mais um grande baque. No dia 15 de julho de 1979, foi a vez de Papai.

Era madrugada em Curitiba quando o telefone tocou. Acordei sobressaltada, ouvindo vozes ao telefone. Olhei o relógio e ele marcava 4:20 hs da manhã (por coincidência, a mesma hora que eu nasci). Apesar da madrugada gelada, pulei rápido da cama quando ouvi o Alceu falando baixo ao telefone. Tinha um pressentindo que algo muito ruim tinha acontecido, mas não me passou pela cabeça que seria meu Pai. Quando recebi a noticia, foi como se tivesse levado um soco na boca do estomago. Eu e Tia Marília nos abraçamos a chorar, querendo que aquilo não fosse verdade. Quem ligou foi o Sergio e disse apenas que Papai  dormiu e não acordou. Foi levado para o hospital, Carlos Eduardo que é cardiologista e meu primo atendeu e não conseguiram reanimá-lo. Alguém passou um café, sentamos na copa e ficamos pensando o que íamos fazer assim que o dia clareasse.

A segunda-feira amanheceu nublada e triste, exatamente como estávamos nos sentindo. Antes das 7 horas eu já estava na empresa. Organizei algumas coisas que não podia deixar de resolver, avisei algumas pessoas, passei em casa e fomos para o Aeroporto. Primeira dificuldade encontrada foram os vôos lotados para Vitória. Naquela ocasião havia poucas opções de vôos para Vitoria. Tentamos de tudo, explicamos a situação na esperança de conseguirmos alguma coisa, porém só conseguimos lugar no vôo até o Rio de Janeiro, infelizmente os vôos do Rio para Vitória estavam realmente lotados.

Como Papai faleceu às 4:10 hs da manhã, o enterro seria no final da tarde, então queríamos chegar até o horário previsto. Alceu viu que não tinha solução e resolveu fretar um avião da Crasa Táxi Aéreo. Conseguimos embarcar antes do almoço e levamos 3 horas e meia para chegar, com apenas uma parada para reabastecimento no aeroporto do Rio de Janeiro. Quando o avião sobrevoou o hospital Santa Rita, onde ele estava sendo velado, alguém já de sobreaviso foi nos buscar no aeroporto. Sem dúvida, foi a viagem mais longa que já fiz. Avião pequeno, não dava para se mexer muito e a tensão fazia com que as costas doessem demais. Num determinado ponto, o desespero de ficar na mesma posição era tanto, que acabei deitando no chão para tentar conter a dor nas costas. Chegamos já passava das 15 horas.

Saímos de Curitiba com muito frio, por isto estávamos vestindo casacos pesados, botas e calças de lã. Chegamos em Vitória o céu estava azul e muito quente. Não reparei quem estava presente e não lembro de ter visto ninguém. Fiquei ali ao lado dele enquanto um filme passava pela minha cabeça. Parecia que estava vivendo um pesadelo, e queria muito acordar. Outras vezes, minha mente formulava perguntas que eu não teria respostas. “Pai, quando poderia imaginar que em Curitiba seria a última vez que o veria?” – “Seria por isto aquela dor tão grande no peito ao me despedir de você?” Alguém chegou ao meu lado e me ofereceu um suco de laranja que agradeci e não aceitei. Um pouco antes da despedida final, lembro que retirei uma pétala das rosas amarelas que o cobriam, escrevi meu nome e coloquei junto ao seu peito. Seu semblante era sereno, exatamente como se estivesse dormindo.

Aguardei até a missa de sétimo dia e voltei para Curitiba.

Papai, é assim que sempre vou ter você comigo.





Esta mensagem foi escrita com muito carinho por um grande amigo dele.      


         Fiquei um longo tempo sem voltar a Vitória, mesmo tendo consciência que a maior parte da minha família estava lá. No fundo, sabia que não mais teriam flores no quarto, nem moqueca de pitus e nem mesmo o café da manhã com todos reunidos. Ele sabia que eu adorava tudo isto.

         Porém, no inicio de 1980, Vovó Telina ficou doente. Numa manhã de uma sexta-feira de Maio, resolvi voltar a Vitória para vê-la. Ela estava no hospital (não lembro o nome mas era bem próximo da Catedral). Ela sempre teve uma voz baixa e calma e naquele momento parecia ainda mais fraca. Fiquei 3 dias em Vitória e uma das noites fiz questão de ficar com ela. Ela segurava minha mão, dizia o quanto estava feliz de me ver bem e que sempre rezava para eu ser feliz. Rezava para eu encontrar uma pessoa que me merecesse. Pediu que eu sempre cuidasse de Mamãe pois ela era muito frágil. Falamos de tantas coisas, que nem vi o final de semana acabar. No domingo me despedi dela. No dia 08 de Julho ela faleceu. As inúmeras cartinhas que ela me escreveu depois que vim para Curitiba estão todas guardadas e quando preciso ouvir palavras doces, volto a ler estas cartas.

domingo, 3 de julho de 2011

Dias de Tormenta

Em Dezembro de 1977, começou para a família Simões, um longo período de tormenta. A primeira delas foi o falecimento do Tio Marcos. Ele estava doente há algum tempo, tinha emagrecido muito e não resistiu. Uma pessoa doce, carinhosa demais com os irmãos, esposa, filho e sobrinhos. Era um grande sonhador e talvez por isto as coisas sempre foram difíceis para ele. Papai, Tia Tetê e Tia Marilia estavam sempre prontos a ajudá-lo quando necessário. Tem uma música antiga que me faz lembrar dele quando a escuto.



Apenas 7 meses depois, mais precisamente em 18 julho de 1978, passamos por mais uma tristeza. Meu primo Paulo Cesar, filho de Tia Tetê e Tio Roberto, faleceu subitamente. Ele era irmão gêmeo de Paulo Roberto. Era muito jovem, tinha apenas 18 anos e uma vida inteira pela frente. Quando soubemos do acontecido, viajamos imediatamente para Vitoria. Por vontade de Deus, quatro dias depois do falecimento de Paulo Cesar, Hervê, o melhor amigo dele também faleceu num acidente. Quis o destino que eles seguissem o mesmo caminho quase que na mesma hora. A nós, restava a saudade e aceitar os desígnios de  Deus.



Meus tios ficaram muito abalados com estas perdas e aceitaram o convite de Tia Marília para passar alguns dias em Curitiba. Procurávamos distraí-los dentro do possível, mas a dor era latente. Vieram meus tios, Paulo Roberto e mais dois amigos.

Resolvi então convidá-los para um final de semana em Foz do Iguaçu, onde a empresa que trabalhava estava executando serviços nas obras da Hidrelétrica de Itaipu. Um grande amigo nos recebeu e acompanhou nas visitas e passeios. Tia Tetê preferiu ficar em Curitiba e eu fui com o Tio Beto e os meninos.




 


sábado, 2 de julho de 2011

Vitoria de Hoje

Infelizmente o tempo fez com que o centro de Vitoria perdesse o glamour que outrora tinha. Não que isto seja um mal somente dessa cidade, mas cito isto por estar falando sobre ela. Na Vitoria de ontem, os cinemas eram no centro da cidade, assim como lojas e lanchonetes. Nas lojas, você era conhecida simplesmente pela “filha de fulano e sicrano”. Isto fazia um diferencial enorme. Não tinha que fazer cadastro para comprar algo, podia simplesmente anotar  na ficha em seu nome, pois o que valia realmente era sua palavra. Tudo era mais simples. Era gostoso e tranqüilo parar no Sagres para tomar um sorvete depois de assistir um filme no Santa Cecília ou no Cine Gloria numa tarde de domingo.
                A cidade hoje é triste e chega a ser deprimente. Há pouco tempo, me propus a fazer um “tour” por lugares que vivi e passei em minha adolescência. Lugares que me deixaram saudades, muitos deles hoje nem existem mais, ainda assim valeu a pena. Um dia inteiro subindo e descendo ladeiras, passando por ruas estreitas e sujas, relembrando cada detalhe e fotografando aquilo que estava vendo mas sempre relacionando como era no passado.
Casa Ermelino (artigos Masculinos)



Cine Gloria



Avenida Beira Mar



Edificio Fabio Ruschi



Lambe - Lambe no Parque Moscoso



Jardim Camburi à noite



Guarapari tendo a fundo o Siribeira




Pontos Turísticos
                Quem sabe quantas vezes ainda irei a Vitória? Não sei, só Deus sabe, mas existem lugares que pretendo ir visitar sempre, pois caso não o faça, sentirei como se não tivesse ido    a cidade. Mais ou menos como diz o provérbio Português:  “Ir a Roma e não ver o Papa”.

Convento da Penha (A paz mora aqui)



Igreja Santa Rita de Cassia (Minha protetora)



Catedral Metropolitana



Ponte da Passagem



Pedra da Cebola (adorei este lugar)



Teatro Carlos Gomes

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vitória de Ontem


               Sai de Vitória em 1976 e nunca mais voltei a morar lá. Por diversas vezes estive em visita, algumas rápidas de 3 dias e outras mais demoradas, em férias, porém em todas elas, a finalidade era apenas rever àqueles que amo e voltar a lugares inesquecíveis, que fizeram parte do meu cotidiano enquanto morei na cidade.
                Apesar de ter nascido Capixaba e achar que a cidade possui lugares maravilhosos, nunca senti grande interesse em algum dia voltar a viver nela. Parece que a cada dia fico mais e mais distante. Diria que são poucos os motivos que hoje me levariam a pensar nesta possibilidade. O principal motivo seria estar perto dos meus familiares conviver mais com eles enquanto temos possibilidade e saúde assim como desfrutar da presença  daqueles amigos que, apesar do tempo e da distância, permanecem meus amigos.
                Algumas lembranças me trás um sorriso no rosto. Sou de um tempo que em Vitoria todo mundo conhecia todo mundo, tipo cidade pequena do interior. Quando você dizia seu sobrenome, a pergunta tradicional era: “Você é parente de fulano?” – “Conheço uma pessoa que tem o mesmo sobrenome seu, é parente?” E normalmente era. Passeando na avenida, entrando em lojas, ou estando na praia, sempre tinha gente conhecida para cumprimentar e perguntar como está sua família. Difícil naquela época era fazer algo escondido. Não tinha jeito, de uma maneira ou outra, a cidade era uma província.  
Praia do Canto e ao fundo Camburi



Forte de São João



Centro de Vitória



Porto Tubarão - Anos 60 - Quantos pequeniques Papai levou a gente para fazer ai. Lembram como gostavamos de catar Pitangae e goiabas? 


Concha Acustica - Parque Mocoso


Camburi


Inicio de Camburi


Praia do Canto


Parque Moscoso - Era divertido ficar na ponte para dar pipoca para os peixinhos


Parque Moscoso


Praia do Canto